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Vale a pena investir na China?

24 set 2025

Por Christopher Galvão, Analista de Fundos na Nord Investimentos

A crise imobiliária

Nos últimos anos, poucos investidores se sentiram atraídos a investir na China. Uma das explicações era a crise imobiliária que o país enfrentou após o auge da pandemia.

Na década de 1990, a migração da população rural da China para a área urbana se intensificou. Em 1978, apenas 18% da população vivia em áreas urbanas; em 1999, esse número era de 31%; em 2024, esse percentual alcançou 67%.

O crescimento urbano gerou uma demanda intensa por moradias, infraestrutura e desenvolvimento urbano, levando incorporadoras a assumir dívidas crescentes para financiar terrenos e construção em larga escala. Em agosto de 2020, porém, o governo impôs a política das Three Red Lines, com limites para o endividamento das construtoras para conter o risco de alavancagem excessiva.

Apesar de essa regulação ser benéfica para a sustentabilidade do setor no longo prazo, no curto prazo gerou problemas financeiros para empresas muito endividadas, como no caso da Evergrande, que marcou o início de uma queda no setor imobiliário.

A crise do setor segue sendo um desafio, apesar do processo de recuperação gradual nos últimos meses.

A Nova Economia da China

Apesar de a crise imobiliária ser um ponto que merece o acompanhamento, desde 2024 a bolsa da China (bolsa de Shanghai) apresentou uma alta de 29,8%.

[Fonte: Bloomberg]

Mas o que explica essas altas recentes?

Mesmo diante do desafio do setor imobiliário, a China vem se revolucionando em outras vertentes da economia.

O aumento expressivo dos investimentos em indústria avançada, logística e educação tem sido o alicerce para a transformação do país em uma nova economia. Esse movimento inclui o apoio a fábricas de semicondutores, veículos elétricos, robótica, softwares, painéis solares, ferrovias, além de políticas educacionais para treinamento de engenheiros e pesquisadores em tecnologia, dados, IA, entre outros.

Com a dificuldade do setor imobiliário e o aumento dos investimentos em indústria avançada, temos visto um processo de consolidação da Nova Economia da China.

[Fonte: WHG, Bloomberg, Macquarie, Wind, PRC Macro]

O país, portanto, já não é aquela economia que exporta apenas produtos baratos e de baixa qualidade. Hoje, essa nova economia vem sendo o principal adversário dos EUA na corrida pelo crescimento da inteligência artificial.

[Fonte: WHG, Goldman, Epoch, Our World in Data, Wind, PRC Macro]

Vale destacar que as políticas que vêm sendo implementadas na China não estão visando os próximos 10 meses, mas, sim, os próximos 10, 20, 30 anos… O aumento dos investimentos em bens de capital fixo e humano mira justamente esse horizonte de longo prazo.

Esse processo transformacional tem feito com que alguns investidores voltem a olhar para o país. Dessa forma, com as altas dos últimos meses, a bolsa de Shanghai passou a ser precificada a um múltiplo Preço/Lucro 12 meses à frente de 13,94 vezes, contra uma média histórica de 12,02 vezes.

[Fonte: Bloomberg]

Se, para alguns, a bolsa da China pode parecer relativamente cara, eu vejo que a transformação que continua sendo implementada no país pode continuar gerando impactos positivos nos preços.

Embora, no curto prazo, a China apresente alguns desafios (crise no setor imobiliário e tarifas) que não podem ser ignorados, o movimento de transformação estrutural para uma nova economia coloca o país como uma tese interessante no médio e longo prazo.

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Christopher Galvão

Analista de Fundos na Nord Investimentos

Graduado em Economia pelo Insper, possui expertise em fundos de investimento, renda fixa e consultoria macroeconômica. Certificado como analista fundamentalista CNPI, atuou na área de macroeconomia da A.C. Pastore & Associados. Atualmente, lidera a gestão da carteira Nord Fundos, da Nord Investimentos.

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