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Diálogos: Roberto Lee e Alex Szapiro

03 jun 2026

Poucos nomes na história recente dos negócios no Brasil acompanharam – e lideraram – tantas inovações quanto Alex Szapiro. Com passagens pelo Submarino, onde participou do nascimento do e-commerce brasileiro, pela Palm, no auge dos dispositivos de mão, e pela Apple, onde capitaneou a chegada do iPhone ao país, Szapiro consolidou-se como um dos principais executivos do mercado ao batalhar pela entrada da Amazon no Brasil e orquestrar a operação da empresa em solo nacional como seu CEO.

Após décadas na linha de frente das grandes companhias de tecnologia, o paulistano migrou para o universo de venture capital. Como managing partner do SoftBank no Brasil, Szapiro hoje ajuda a ditar o ritmo da inovação na América Latina. O conglomerado japonês, fundado por Masayoshi Son, é reconhecido como o maior investidor em tecnologia do mundo, tendo sido o catalisador do ecossistema de startups latino-americanas por meio de seus fundos. A conexão com a Avenue nasceu desta visão de longo prazo: o SoftBank foi um de seus principais investidores, enxergando nela o potencial de democratizar o acesso ao mercado financeiro global. Mais do que uma relação entre investidor e empreendedor, o que une Szapiro ao fundador da Avenue, Roberto Lee, é a experiência em construir infraestruturas que transformam mercados. Neste encontro, que inaugura a série “Diálogos” da Connection by Avenue, realizado no escritório do SoftBank em São Paulo, Szapiro compartilha com Lee aprendizados de sua trajetória, traça paralelos entre a bolha da internet e o atual momento da Inteligência Artificial e reflete sobre o que realmente define o impacto de uma empresa na sociedade. Abaixo, os melhores momentos dessa conversa imperdível.

ROBERTO LEE: Você viveu de dentro transformações que mudaram não só as empresas, mas a sociedade. Por isso, queria que o fio condutor da nossa conversa fosse impacto. Como você antevê uma inovação com esse poder de transformação?

ALEX SZAPIRO: Às vezes, achamos que estamos gerando impacto e nem sabemos direito se ele é positivo; demora muito para saber. Eu acho que se constroem transformações quando você não espera muito delas. Quando fui para a Apple, em 2007, a empresa só vendia Mac e perdia dinheiro. Ao anunciarem o iPhone, os jornais diziam que a Apple ia quebrar, porque ninguém ia digitar em uma tela de vidro. O grande produto, na época, era o BlackBerry, smartphone que servia só para comunicação e e-mail. Não existia loja de aplicativos – ela veio meses depois do iPhone. Se você pensasse no impacto naquele momento, não enxergaria muita coisa. Mas o iPhone mudou a forma como nos deslocamos, como a gente fala com a família, como consumimos conteúdo. E teve outra mudança na mesma época: a AWS [Amazon Web Services, os serviços de computação em nuvem da Amazon]. Em 2006, para criar uma empresa de tecnologia, era preciso investir milhões em infraestrutura. Do dia para a noite, a Amazon permitiu que você pagasse por isso como se fosse eletricidade.

LEE: Isso é verdade. Nas empresas que fundei no passado, a grande barreira era conseguir dinheiro para comprar servidores.

SZAPIRO: Essas duas novidades juntas causaram o impacto que vemos hoje. Mas, no momento em que aconteciam, não tínhamos essa visibilidade.

“Muita gente questiona se o momento atual de IA é uma bolha. Eu comparo muito com o ciclo de 1998/1999, quando a internet explodiu. Não acho que é bolha, porque hoje a demanda é maior que a capacidade instalada”

Alex Szapiro

“Você precisa ter o conhecimento técnico, mas, se não manifestar cuidado com as angústias do cliente, está fora do jogo. Quando combina os dois, gera um ciclo de reputação”

Roberto Lee

LEE: Me inspira escutar conversas antigas, como o Bill Gates nos anos 1970 dizendo que haveria um computador em cada residência. Esse tipo de visão cria os enablers (facilitadores) para formar um ecossistema em volta que destrói a forma anterior de fazer e cria uma nova.

SZAPIRO: Muita gente questiona se o momento atual de IA é uma bolha. Eu comparo muito com o ciclo de 1998/1999, quando a internet explodiu. Não acho que é uma bolha, porque hoje a demanda é maior que a capacidade instalada; não temos chips ou energia suficiente. Em 1999, houve um investimento gigante em fibra óptica. Muitas empresas quebraram, mas aquela infraestrutura foi crucial para o que vivemos nos últimos 20 anos.

LEE: Mais um enabler. Eu comecei a trabalhar nessa época no pregão, o símbolo do sistema financeiro. Chegou a internet, as ordens passaram a ser roteadas de forma eletrônica e parecia que não íamos mais precisar do ser humano, que acabariam todas as profissões ali. Por um lado, a guarda era alta; por outro, a visão de que para cada emprego que saía, surgiam dezenas de outros, como o web designer para negociação de investimentos. Quais profissões vão aparecer agora?

SZAPIRO: É difícil descobrir. Mas, além das profissões, olho para a democratização do serviço. Quantas pessoas aplicavam na bolsa na sua época? Hoje, com custos baixos e plataformas, o número aumentou muito. É a facilidade de ter uma plataforma de investimento a um custo baixo, algo impensável há 20 anos.

LEE: A destruição criativa cria ferramentas democráticas que incluem o consumidor. Com a IA derrubando barreiras de distância e língua, acho que ela colocará o brasileiro no mesmo patamar de consumo de sociedades mais maduras. Qual seu ponto de vista?

SZAPIRO: Estou otimista. Algumas pessoas serão “disruptadas”, mas a produtividade que um programador ganha com as ferramentas de IA é enorme. O Brasil tinha dificuldade de gerar engenheiros na mesma velocidade que os Estados Unidos ou a Ásia. Se você consegue eficiência com IA e permite que pessoas que nunca codificaram possam fazê-lo, o país ganha competitividade. Com isso, talvez tenhamos mais chance de ganhar o jogo mundial.

LEE: Já vemos brasileiros ultracompetitivos prestando serviços internacionais via trabalho remoto. Vai do desenvolvedor ao personal trainer, aos médicos e terapeutas. Isso gera um mercado incrível. Essas estruturas de impacto criam oportunidades para o empreendedorismo nacional e podem nos equiparar a qualquer sociedade do mundo.

SZAPIRO: Vou dar um exemplo: estive recentemente com um fundo que alocou US$ 20 milhões no Brasil para empreendedores montarem negócios em 30 dias que precisam ter receita no primeiro ano de US$ 100 mil e ser globais desde o dia 1. Tudo já está disponível para uma empresa de uma ou duas pessoas ser global desde o início.

LEE: Teremos a empresa de US$ 1 bilhão de uma pessoa só?

SZAPIRO: Não sei se de US$ 1 bilhão, mas teremos a capacidade de começar grandes empresas com investimento inicial baixo.

“Existe uma comparação entre o missionário e o mercenário. Ambos geram retorno, mas o missionário toma decisões que, no primeiro momento, podem ir contra a rentabilidade, porque ele enxerga lá na frente”

Alex Szapiro

LEE: Durante a convivência com o SoftBank, aprendi que visão é descoberta. Observando outros empreendedores ali dentro, entendi como exercer a visão em prol do impacto.

SZAPIRO: Nosso trabalho é mais fácil que o seu. Imagine, anos atrás, falar que seria simples ter conta fora do Brasil. Havia um preconceito, as pessoas achavam que só investia fora quem tinha feito algo errado e queria esconder dinheiro frio. Você teve a visão de desmistificar isso como forma de diversificar risco. O empreendedor que executa, “pivota” e aprende a mudar de caminho rápido tem o maior desafio.

LEE: Eu tento me inspirar nessas histórias. Criamos uma infraestrutura e inspiramos as pessoas a acreditar nela. Transformamos o preconceito em experiência e impacto positivo, conectando novas profissões que descobrem no offshore o próximo passo do seu desenvolvimento.

SZAPIRO: Existe uma comparação entre o missionário e o mercenário. Ambos geram retorno, mas o missionário pensa no longo prazo e toma decisões que, no primeiro momento, podem ir contra a rentabilidade porque ele enxerga lá na frente. Na Avenue, vocês poderiam ter tomado atalhos e crescido muito mais rápido, mas decidiram ser conservadores. Trust (confiança) leva anos para se construir e segundos para se perder. E eu acho que vocês, além da capacidade de execução, da visão, da vontade, tiveram essa calma de fazer bem-feito e fazer o que era certo para o consumidor, para o seu cliente. E isso é muito, muito importante.

LEE: É bom ouvir isso. Na trajetória, às vezes não percebemos o quão difícil é construir um negócio correto. Uma coisa que a gente aprendeu é que trust é a combinação de autoridade e cuidado. Você precisa ter o conhecimento técnico, mas se não manifestar carinho e cuidado com as angústias do cliente, está fora do jogo. Quando combina os dois, gera um ciclo de reputação.

SZAPIRO: E o impacto também passa pela construção da cultura. Liderança é quando as pessoas conseguem replicar o que você pensa sem você estar lá – foi o que aprendi com um grande líder na Amazon. E, lá, havia uma cultura muito forte de obsessão pelo cliente e de tomada de decisão por dados. Uma vez, uma pessoa achou um Kindle em um táxi e me mandou mensagem pelo LinkedIn – eu tento responder sempre que possível. Passei para o time e, tempos depois, perguntei o que tinha acontecido com essa história. O time localizou o dono, mas, por privacidade, não podia dar o contato. Então, zeraram os dados do aparelho achado, deixaram a pessoa que encontrou ficar com ele e mandaram um Kindle novo para quem tinha perdido. Eu só encaminhei o e-mail; o time fez o que era certo sem me perguntar nem pedir aprovação de budget. Isso é cultura.

LEE: Inspiradora essa história. Liderança é muitas vezes confundida com ser o maior ou mais rápido, mas eu acredito que liderança é a capacidade de ecoar sua voz e influenciar para o bem através de um propósito claro.

SZAPIRO: O segredo está em criar mecanismos e processos para que você não precise estar lá. E aí volto para sua pergunta do início: só sabemos o impacto anos depois, olhando para trás. Houve um “antes e depois” da Avenue no conceito de proteção patrimonial e diversificação. O que você fez foi um divisor de águas.

LEE: Concordo com você: é olhando para trás que vemos o impacto. E acho que a sua história também vai mostrar lá na frente o tamanho do impacto que você causou.

DISCLAIMER

Avenue Securities Banco de Investimento S.A. (“Avenue Banco de Investimentos”) é um banco de investimentos, devidamente autorizado pelo Banco Central do Brasil (“BCB”) e pela comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). Os saldos disponíveis em Reais são mantidos na Avenue Securities Banco de Investimento S.A., uma instituição financeira regulada. Os fundos detidos pela Avenue Banco de Investimentos não são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Veja todos os avisos importantes: https://avenue.us/termos/.

Redação Avenue

A Avenue é uma empresa americana que é referência para o brasileiro que busca uma evolução real do seu patrimônio, em dólar. A sua plataforma de investimentos internacionais.

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