15 set 2026
Existe uma pergunta simples que poucas famílias brasileiras conseguem responder com clareza: se algo acontecer com você hoje, quem sabe onde estão os seus ativos e como acessá-los? Essa foi uma das provocações centrais de um dos painéis do Avenue Connection 2026, dedicado aos primeiros passos do planejamento patrimonial.
A ideia central é direta: o patrimônio é o que sustenta você depois que a capacidade de trabalhar diminui. E organizar isso não exige burocracia excessiva nem grandes estruturas. Exige, antes de tudo, consciência e um ponto de partida.

Um dos conceitos apresentados no painel é o cruzamento entre capital humano e capital financeiro. No começo da vida profissional, a capacidade de gerar renda com o próprio trabalho é alta. Com o tempo, essa curva cai – e o patrimônio acumulado precisa assumir o lugar que o trabalho ocupava.
A pergunta que resume esse ponto é direta: quem sustenta você depois que a curva do capital humano acaba? Você ou seus filhos – não existe uma terceira resposta. O momento em que essas duas curvas se cruzam varia de pessoa para pessoa, e depende diretamente de quanto e desde quando alguém começa a poupar e planejar.

Um erro comum é adiar o planejamento esperando um momento mais “ideal”. O painel reforçou que isso não existe. O momento certo para começar é o momento em que você toma consciência da importância de planejar – seja aos 25 ou aos 55 anos. Sempre dá tempo, mas quanto antes o processo começa, mais espaço há para ajustes.
Isso vale também para pensar a vida em uma perspectiva mais internacional. 🔗 Geração Global: o que é e por que ela é o tema do Avenue Connection 2026 explica por que a vida do brasileiro está, cada vez mais, conectada a compromissos em moeda forte: educação, saúde, moradia, viagens e consumo importado. Dolarizar patrimônio não é buscar retorno – é proteger o poder de compra de compromissos futuros.

Talvez o ponto mais prático levantado no painel tenha sido este: a maioria das famílias não trava na sucessão por falta de holding ou estrutura societária. Trava porque ninguém consegue encontrar os ativos.
O exercício sugerido é simples e pode ser feito por qualquer pessoa, independentemente do tamanho do patrimônio:
Como resumiu Bruno Mori, da Planejar, durante o painel: “a maioria das famílias não trava por falta de holding – trava porque ninguém encontra os ativos.” E completou: “proteções vêm antes de rentabilidade: reserva, invalidez, vida e saúde.”
Esse é o ponto de partida mais barato e mais acessível de todo o planejamento patrimonial – antes mesmo de pensar em estruturas mais sofisticadas. Para se aprofundar no tema, vale a leitura de 🔗 Sucessão Patrimonial no Exterior: entenda como funciona e de 🔗 ITCMD e ToD: como proteger seu patrimônio sem inventário na herança.

O painel também trouxe um dado concreto sobre inércia: no Brasil, o ITCMD (imposto sobre herança e doação) tem teto nacional de 8%, com a Lei Complementar 227/2026 tornando a progressividade obrigatória em todos os estados – São Paulo ainda cobra alíquota fixa de 4% enquanto os projetos de adequação tramitam na Assembleia. Nos Estados Unidos, não residentes têm isenção de estate tax de até US$ 60 mil sobre ativos de raiz americana, com alíquota que pode chegar a 40% sobre o restante.
A conclusão do painel não é que isso seja motivo para não investir fora do Brasil – é motivo para estruturar antes. O custo de não fazer nada é real, mesmo quando parece invisível.
Ferramentas como o TOD (Transfer on Death) foram citadas como formas de agilizar o acesso ao patrimônio para quem for receber a herança, tornando o processo de sucessão mais rápido e menos custoso para a família.
O painel encerrou com uma provocação simples: pense no que aconteceria com a vida da sua família na sua ausência. A partir disso, três perguntas ajudam a organizar o processo:
Por onde começar o planejamento patrimonial?
Pelo mapeamento do que existe, onde está, em que moeda e quem mais tem acesso a essas informações – o chamado “inventário da própria vida”.
É preciso ter muito patrimônio para começar a planejar?
Não. O painel reforça que o momento ideal para começar é quando a pessoa toma consciência da importância de planejar, independentemente do valor acumulado.
Diversificação internacional é sobre comprar dólar?
Não. É uma decisão sobre classes de ativos, geografia e moedas – dolarizar parte do patrimônio é consequência dessa estratégia, não o objetivo em si.
O que é o TOD e por que ele é citado em planejamento sucessório?
É uma ferramenta que facilita o acesso ao patrimônio por quem for receber a herança, tornando o processo de sucessão mais ágil.
Por que muitas famílias travam na sucessão patrimonial?
Segundo o painel, raramente é por falta de estrutura societária (como holding) – na maioria dos casos, é porque ninguém sabe onde estão os ativos ou como acessá-los.
O investimento internacional envolve riscos especiais, incluindo flutuações cambiais, diferentes padrões de contabilidade financeira e possível volatilidade política e econômica.
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