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Lançamento Apple 2026: o que a história da empresa ensina sobre paciência no mercado

07 set 2026

Resumo

Todo mês de setembro eu me sento para acompanhar o evento da Apple com o mesmo misto de curiosidade e ceticismo. Curiosidade porque, sim, sou fã da marca. Ceticismo porque, depois de acompanhar tantos lançamentos da Apple, já perdi a conta de quantas vezes vi analistas dizerem “essa reação foi tímida” no dia seguinte.

É exatamente esse padrão que quero destrinchar aqui, porque ele diz muito sobre como funciona o mercado americano, e como isso se conecta com quem investe através da Avenue.

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O que vai acontecer no evento da Apple em 9 de setembro

Este ano, o evento da Apple tem nome: “Surprise and Shine”. Está confirmado para quarta-feira, 9 de setembro de 2026, às 10h no horário da Costa Oeste dos EUA, no Steve Jobs Theater, em Cupertino. É também um marco simbólico: a primeira grande apresentação sob o comando de John Ternus, que assume como CEO da Apple no dia 1º de setembro, sucedendo Tim Cook.

A expectativa do mercado é a estreia de três aparelhos da Apple: o iPhone 18 Pro, o iPhone 18 Pro Max e o primeiro iPhone dobrável da história da empresa (que pode ser batizado de “iPhone Ultra”). Não deve haver um iPhone 18 “padrão” este ano, esse modelo ficaria reservado para 2027. Os novos aparelhos devem trazer o chip A20 Pro, em processo de fabricação de 2nm.

A linha do tempo da Apple que me fez confiar menos no “efeito lançamento”

Reuni abaixo os marcos que considero mais reveladores sobre o comportamento da ação da Apple a cada novo lançamento.

Em 2007, o primeiro iPhone da Apple praticamente reescreveu a indústria de smartphones, e a ação da Apple refletiu isso com uma alta relevante. Em 2017, o iPhone X trouxe o design sem bordas e o reconhecimento facial, e o mercado reagiu bem, na expectativa de vendas robustas.

Só que, a partir daí, o padrão da Apple começa a mudar. Em 2022, quando a Apple apresentou o iPhone 14, analistas do Goldman Sachs, Credit Suisse e Bernstein descreveram o evento como dentro do esperado, com reação tímida da ação da Apple. Em 2024, no lançamento do iPhone 16 junto ao Apple Intelligence, a ação da Apple chegou a cair 0,30% no próprio dia, e a reação do mercado nos dias seguintes foi descrita como “branda”, em parte pela frustração com o ritmo dos recursos de inteligência artificial da Apple.

E o ano passado, 2025, resumiu bem essa ambivalência da Apple: o iPhone 17 trouxe uma alta de cerca de 4% nas ações da Apple, com recomendações de compra reforçadas por casas de investimento. Semanas depois, no evento do iPhone Air, a reação foi oposta, o mercado citou falta de “novidades estruturais” e apontou que a Apple continua atrás em inteligência artificial.

O que os números da Bloomberg confirmam é que esse vaivém não é exceção, é a regra. Ao longo de 19 lançamentos de iPhone entre 2007 e 2023, o desempenho da ação da Apple no dia do anúncio ficou, em média, perto de zero. Em nove desses eventos, a ação caiu até 5% no dia seguinte; em outros nove, subiu até 3%. O que muda o jogo é o horizonte mais longo: em 70% dos casos, a AAPL teve retorno positivo nos 60 dias após o lançamento, com ganhos de até 20%.

Foi entendendo esse padrão da Apple que passei a olhar para o risco cambial e para a diversificação com outros olhos. Não é sobre acertar o timing de um único evento da Apple, é sobre entender o ciclo de uma empresa (ou de um mercado) inteiro.

🔗 Risco cambial: por que a dolarização pode ser sua aliada

O que vale observar no lançamento da Apple deste ano

Três pontos, na minha leitura, vão pesar mais na reação do mercado à Apple do que o design dos novos aparelhos:

🔗 Como investir em IA: oportunidades, riscos e estratégias globais

Por que a Apple interessa a quem investe fora do Brasil

Confesso que, quando comecei a acompanhar empresas listadas nos EUA, eu esperava que cada lançamento da Apple fosse um gatilho claro de compra ou venda. Não é assim que funciona, e é por isso que a Apple é um ótimo estudo de caso.

A Apple está entre as Magnificent 7, o grupo de big techs que hoje puxa boa parte do desempenho dos índices americanos, incluindo o peso que a Apple representa dentro da NASDAQ.

🔗 Magnificent 7: por que essas ações estão no centro da inovação e do mercado

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Se você ainda não está familiarizado com termos como ticker ou com o funcionamento do circuit breaker que protege o mercado em dias de volatilidade extrema, este é um bom momento para revisar esses conceitos, porque eles vão aparecer bastante na cobertura do evento da Apple em setembro.

🔗 Tickers: o que é e como interpretar para investir no exterior

🔗 Circuit Breaker: o mecanismo que busca preservar a integridade dos mercados

O que o risco-país tem a ver com isso

Uma forma de entender por que o mercado reage tão fortemente a esses episódios é observar o Risco-Brasil, medido pelo CDS de 5 anos – o custo que o mercado exige para se proteger de um eventual calote do governo brasileiro. Em 2025, esse indicador chegou a 214 pontos no início do ano, recuando para cerca de 116 pontos em maio de 2026, o menor nível do atual governo. Mesmo assim, historicamente, a simples proximidade do calendário eleitoral tende a reintroduzir pressão sobre esse indicador.

O Brasil também carrega nota de crédito “especulativa” pelas três principais agências globais: S&P e Fitch classificam o país em BB e BB-, respectivamente, e a Moody’s em Ba1, todas abaixo do grau de investimento. Para dar uma dimensão prática: países como Chipre, Botsuana e Cazaquistão, dificilmente associados a solidez financeira no imaginário do brasileiro médio, têm nota de crédito melhor que a do Brasil. O Paraguai foi promovido ao grau de investimento em dezembro de 2025.

Isso não é uma crítica ao Brasil – é o retrato dos fundamentos estruturais que as agências de risco enxergam no país, e que ajudam a explicar por que o câmbio brasileiro tende a ser mais sensível a episódios de instabilidade política do que o de economias com fundamentos mais sólidos.

Leia também: Risco cambial: por que a dolarização pode ser sua aliada

FAQ sobre o lançamento da Apple em 2026

Quando é o próximo evento da Apple em 2026?

Está confirmado para quarta-feira, 9 de setembro de 2026, às 10h no horário da Costa Oeste dos EUA (13h no horário do leste).

Quais produtos a Apple deve lançar?

iPhone 18 Pro, iPhone 18 Pro Max e o primeiro iPhone dobrável da Apple, além de possíveis atualizações do Apple Watch.

As ações da Apple sempre sobem depois de um lançamento de iPhone?

Não. Historicamente, a reação da Apple no dia do anúncio costuma ser neutra ou levemente negativa. O padrão mais forte aparece nos 60 dias seguintes, quando a ação da Apple teve desempenho positivo na maior parte dos anos analisados, sem que isso configure garantia de repetição.

Por que a reação da Apple no mercado varia tanto de um ano para o outro?

Porque o mercado reage menos ao hardware da Apple em si e mais a fatores como avanço em inteligência artificial, margens, concorrência (Samsung, Huawei, marcas chinesas) e o contexto macroeconômico do momento.

Investir em uma ação como a Apple é “seguro”?

Nenhum investimento em renda variável é livre de risco. A Apple é uma ação de grande capitalização negociada na Nasdaq, sujeita a oscilações de mercado, câmbio e ciclo de produto, e não há garantia de retorno ou proteção contra perdas.

Fontes

Disclaimers

Este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional e informativo, não constituindo recomendação de investimento, oferta ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo. Os dados históricos apresentados sobre o comportamento das ações da Apple (AAPL) refletem análises de terceiros e desempenho passado, que não garante resultados futuros. Investimentos em renda variável envolvem riscos, incluindo risco de mercado, cambial e de liquidez, podendo resultar em perdas. Antes de investir, consulte um assessor de investimentos e avalie seu perfil de suitability.

Oferta de serviços intermediada por Avenue Banco de Investimentos. Avenue Securities Banco de Investimento S.A. (“Avenue Banco de Investimentos”) é um banco de investimentos, devidamente autorizado pelo Banco Central do Brasil (“BCB”) e pela comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). Os saldos disponíveis em Reais são mantidos na Avenue Securities Banco de Investimento S.A., uma instituição financeira regulada. Os fundos detidos pela Avenue Banco de Investimentos não são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Veja todos os avisos importantes: https://avenue.us/termos/.

Juliana Benvenuto

Coordenadora de alocação e inteligência da Avenue

Juliana Benvenuto é formada em Relações Internacionais, com pós-graduação em Finanças Corporativas pela Saint Paul e Extensão Universitária em Administração pela Universidade da Califórnia – Riverside. É coordenadora de Investimentos e Conteúdo na Avenue desde 2023

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