08 set 2026
Nota de neutralidade
A Avenue não emite opinião sobre candidatos, partidos ou resultados eleitorais. Este conteúdo organiza informações públicas de forma neutra e não constitui recomendação de investimento.
Nas últimas semanas, um tema que nem sempre é analisado pelos eleitores ganhou força: os planos de governo dos candidatos à presidência do país. E se você ainda não sabe, um plano de governo é o documento oficial em que um candidato apresenta, de forma organizada, as propostas e diretrizes que pretende adotar caso seja eleito, cobrindo áreas como economia, saúde, educação e relações internacionais.
Entre os temas que mais aparecem nos discursos de campanha de 2026 estão o tarifaço americano, a disputa em torno do Mercosul, a exploração de minerais críticos e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas pelos EUA. São assuntos com peso direto sobre política externa e economia – e, historicamente, anos eleitorais também costumam trazer volatilidade cambial, tema que exploramos com mais profundidade no artigo “Dólar e eleições no Brasil: o que a história mostra sobre o câmbio em anos eleitorais”.
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Este artigo organiza, por tema, o que os planos de governo de cinco candidatos dizem sobre relações internacionais e política fiscal, com base em documentos e declarações públicas até agosto de 2026. Não é uma análise de qual proposta é melhor para o país ou para o mercado, e não indica preferência por nenhum candidato. A Avenue não emite opinião sobre candidatos ou resultados eleitorais.
Um ponto chama atenção antes de entrar nos planos: nenhum dos cinco candidatos detalha propostas específicas de política cambial, como regime de câmbio, intervenções no mercado ou controle de capitais. O tema aparece de forma indireta, através de metas fiscais e de inserção comercial externa.
Isso é diferente do que se viu, por exemplo, no plano de Fernando Haddad em 2018, que chegou a propor um mecanismo de estabilização cambial – contexto que ajuda a entender por que 🔗 o câmbio nem sempre é pauta explícita de governo.
Relações internacionais: o plano defende retomar o protagonismo multilateral do Brasil, com ênfase em blocos como BRICS e Mercosul, cooperação Sul-Sul e resistência a “ingerências externas” – uma referência implícita às tarifas dos EUA e às pressões americanas sobre o Pix e sobre facções criminosas. Também destaca neoindustrialização, minerais críticos e soberania digital como parte da inserção externa do país.
Política fiscal e Banco Central: propõe manter o arcabouço fiscal atual para permitir, segundo o texto, “uma redução sustentada das taxas de juros, com inflação controlada”, além de aprofundar o mercado de capitais doméstico e fortalecer a regulação financeira. Não há proposta de mudança na autonomia formal do Banco Central, mas o governo tem resistido a ampliar a autonomia orçamentária do BC via PEC 65 no Congresso.
Leia na íntegra o plano de governo.
Relações internacionais: o foco declarado é comércio bilateral “sem alinhamentos ideológicos”, com aproximação a governos como o de Milei e dos EUA.
Política fiscal e Banco Central: o plano ainda é pouco detalhado nessa área. Prevê substituir o arcabouço fiscal atual por um mecanismo de estabilização e redução da dívida pública, com superávits primários e limites ao crédito subsidiado, buscando “juros menores e inflação na meta”. Também prevê retomar privatizações e desestatizações.
Leia na íntegra o plano de governo.
Relações internacionais: o plano prevê uma “Nova Diplomacia Econômica” e a transformação do Ministério das Relações Exteriores em secretaria de Estado, no modelo dos EUA, com a política externa concentrada nas atribuições estratégicas do presidente dentro do semipresidencialismo proposto.
Política fiscal e Banco Central: o plano estabelece meta de déficit público próximo de zero, redução de 8 a 10 ministérios e revisão do pacto federativo, além de corte de impostos ao fim de uma “transição econômica”, linha de crédito de 5% a 6% ao ano para pequenos negócios e novas zonas francas de exportação. Não há, nas fontes públicas disponíveis, detalhamento sobre autonomia do Banco Central ou regime de câmbio.
Leia na íntegra o plano de governo.
Relações internacionais: propõe diálogo com todos os países, sem alinhamentos automáticos e sem antagonismos gratuitos, com o Itamaraty priorizando abrir mercados, atrair investimento produtivo e fortalecer a integração regional, usando alimentos, energia limpa e minerais estratégicos como moeda de negociação.
Política fiscal e Banco Central: o plano menciona reservas cambiais expressivas e contas externas equilibradas como base para retomar o crescimento, com foco em estabilização fiscal.
Leia na íntegra o plano de governo.
Relações internacionais: propõe retirar o Brasil do BRICS “de forma diplomática, com preservação das relações comerciais”, defende que a diplomacia brasileira abandone alinhamentos ideológicos para focar em mercados, investimentos e tecnologia, e prevê acelerar a entrada do país na OCDE.
Política fiscal e Banco Central: não há proposta de intervenção direta na política monetária. A estratégia é fiscal, com choque de gastos, reformas e superávits primários buscando coordenação entre política fiscal e monetária para permitir queda dos juros, além de abertura comercial via redução de tarifas de importação. O plano também defende privatizar todas as estatais federais, incluindo Petrobras, Caixa e Banco do Brasil.
Leia na íntegra o plano de governo.
Relações internacionais: defende maior protagonismo internacional do Brasil, fortalecimento da integração regional, ampliação da cooperação internacional no combate ao crime organizado e ações voltadas ao aproveitamento de recursos minerais estratégicos, como terras raras.
Política fiscal e Banco Central: não há menção específica a câmbio ou Banco Central. O eixo econômico é o ajuste das contas públicas no início do mandato, como pré-condição para as demais políticas, com foco em produtividade. O plano defende reformas tributária, trabalhista e financeira.
Leia na íntegra o plano de governo.
Vale registrar um padrão comum aos cinco planos analisados: nenhum propõe mudar o regime de câmbio flutuante adotado pelo Brasil desde 1999, e nenhum detalha regras específicas de IOF ou de remessas ao exterior.
Historicamente, câmbio raramente aparece como proposta detalhada em planos de governo – a principal exceção recente foi o plano de Haddad em 2018, que previa um “fundo de estabilização cambial” para reduzir movimentos especulativos, mantendo a autonomia do Banco Central.
No Brasil, a eleição presidencial é direta: o eleitor vota no candidato, e quem obtém mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno é eleito. Se nenhum candidato atingir esse número, os dois mais votados disputam um segundo turno. O voto é obrigatório para cidadãos entre 18 e 70 anos.
Nos EUA, o sistema é indireto, via Colégio Eleitoral: o eleitor não vota diretamente no presidente, mas em “electors” (delegados) de cada estado, que depois votam no candidato. Cada estado tem um número de votos eleitorais proporcional à sua representação no Congresso (mínimo de 3), somando 538 no total – são necessários 270 para vencer.
Como quem ganha a maioria em um estado leva todos os votos daquele estado (regra “winner-take-all” na maioria dos casos), é possível vencer o voto popular nacional e perder a eleição, algo que já aconteceu algumas vezes na história americana. O voto nos EUA também não é obrigatório.
Essa diferença de desenho institucional é uma das razões pelas quais comparar diretamente “quem vai ganhar” e “o que isso significa para o mercado” entre os dois países exige cuidado: são lógicas eleitorais bem distintas.
Olhando os últimos seis ciclos eleitorais (2002 a 2022), o real de fato tendeu a se desvalorizar frente ao dólar nos meses que antecederam o primeiro turno, de forma relevante em quatro dos seis ciclos. Mas esse dado, isolado, é só a “foto”: quando se olha o cenário global de cada ciclo, boa parte dessa desvalorização acompanha um dólar que também estava se fortalecendo no mundo todo, por razões que não têm relação com a eleição brasileira – como aconteceu em 2022, quando o aperto do Federal Reserve levou o dólar global à maior alta em 20 anos.
A exceção mais clara foi 2002, quando o real se desvalorizou 59,6% mesmo com o dólar global em queda no período – um gatilho predominantemente doméstico, ligado à incerteza sobre a política econômica do próximo governo. Já em anos como 2006 e 2010, sem estresse político-econômico relevante, o câmbio ficou estável ou até se valorizou.
Fonte: Banco Central, TSE, ICE U.S. Dollar Index e Avenue.
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Seis: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD/União), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
Não. Nenhum dos cinco planos analisados propõe alterar o câmbio flutuante adotado pelo Brasil desde 1999.
Nenhum plano propõe reduzir formalmente a autonomia do BC. Há, porém, atritos políticos públicos sobre o tema, especialmente em torno da PEC 65, que trata da autonomia orçamentária.
Porque a inserção comercial do Brasil no mundo, e a relação com blocos como Mercosul e BRICS, está diretamente ligada a tarifas, exportações e relação com os EUA, temas centrais do debate eleitoral de 2026.
Não. A Avenue não emite opinião sobre candidatos ou resultados eleitorais. Este conteúdo organiza informações públicas sobre os planos de governo, sem juízo de valor.
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e se baseia em planos de governo e declarações públicas divulgadas até agosto de 2026, sujeitos a atualização conforme novos registros no TSE. A Avenue não emite opinião sobre candidatos, partidos ou resultados eleitorais, e este material não constitui recomendação de investimento, análise de mercado ou aconselhamento de qualquer natureza.
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