Quais os principais riscos para investidores em 2026? Analisamos os 10 maiores desafios, incluindo eleições nos EUA e Brasil, a questão fiscal brasileira, o futuro da IA e tensões geopolíticas com China e Rússia. Saiba como preparar sua carteira.
26 fev 2026
O ano de 2026 reúne um conjunto incomum de riscos políticos, econômicos e geopolíticos que podem afetar os mercados de forma simultânea.
De disputas eleitorais e mudanças na condução da política monetária global a tensões entre grandes potências e desafios estruturais em tecnologia e energia, o cenário exige mais atenção do investidor.
Neste artigo, reunimos os 10 principais riscos em 2026, explicamos por que eles importam para sua carteira e mostramos como se preparar para atravessar um período potencialmente mais volátil com mais equilíbrio e estratégia.
Assista também à live sobre o tema com Will Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
O cenário político americano entra em 2026 marcado por forte polarização e sensação de instabilidade interna.
Nas palavras de Donald Trump, ele teria superado uma eleição fraudada, enfrentado dois impeachments, dezenas de condenações injustas e até tentativas de assassinato. Essa leitura alimenta um ambiente de confronto constante entre Executivo, Judiciário, mídia e parte do establishment político, elevando o grau de imprevisibilidade institucional.
Além disso, em novembro de 2026 ocorrem as eleições de midterms, com renovação total da Câmara dos Representantes (435 assentos) e cerca de um terço do Senado. Historicamente, o partido do presidente perde cadeiras nessas eleições, fenômeno reforçado pela taxa de aprovação de Trump que gira em torno de 39% e por pesquisas que indicam vantagem democrata no pleito.
Esse ambiente também conta com intervenções políticas do governo americano com impacto direto em setores específicos, como aumento do orçamento de defesa, pressões sobre preços de medicamentos, ameaças regulatórias ao setor imobiliário e movimentos estratégicos envolvendo minerais raros.
Porque a instabilidade política nos EUA pode aumentar volatilidade, afetar setores específicos e influenciar juros e dólar, impactando retornos e riscos dos investimentos globais.
A chamada doutrina “DonRoe” parte da ideia de retomada da hegemonia dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, reposicionando o país como ator dominante político, econômico e de segurança na região.
Esse discurso abre espaço para intervenções diretas ou indiretas, como as pressões sobre a Venezuela e as propostas em relação à Groenlândia, reforçando a sensação de imprevisibilidade.
Esse movimento pode gerar efeitos colaterais como aumento do sentimento anti-EUA, enfraquecimento de alianças, tensões regionais, volatilidade em commodities e riscos às cadeias de suprimentos, além de possíveis respostas geopolíticas da China, inclusive em Taiwan.
Isso já levou a diversas ações contra e a favor de estados na América Latina, como ilustrado abaixo:

Porque tensões geopolíticas elevam volatilidade, afetam commodities, moedas e cadeias globais, além de aumentar riscos políticos em mercados emergentes, impactando retornos e a previsibilidade dos investimentos.
Em 2026, o mundo entra em um superano eleitoral, com aproximadamente 28 eleições nacionais programadas e, somando pleitos legislativos, mais de 40 processos eleitorais.
Ao todo, cerca de 1,6 bilhão de pessoas irão às urnas para escolher novos líderes, redefinindo rumos políticos, econômicos e institucionais em diversas regiões.
Entre as eleições mais relevantes estão Portugal, Bangladesh, Hungria, Peru, Colômbia, Líbano, Rússia, Israel e, é claro, Brasil e Estados Unidos.
Muitos desses países ocupam posições estratégicas em cadeias globais de produção, comércio, energia e geopolítica. Mudanças de governo, disputas internas e agendas mais populistas ou intervencionistas tendem a elevar a incerteza, gerar volatilidade nos mercados e reprecificar riscos de forma rápida e assimétrica.
Porque eleições em massa aumentam incerteza política, afetam moedas, juros, commodities e fluxos de capital, elevando a volatilidade global e exigindo maior diversificação e gestão de risco nas carteiras.
Em 2026, o mercado financeiro enfrenta um evento sensível: a troca de comando no Federal Reserve, com o mandato de Jerome Powell se encerrando em 15 de maio.
Em 30 de janeiro, Donald Trump anunciou a indicação de Kevin Warsh, ex-governador do Fed, para assumir a presidência do banco central, em substituição a Powell, sujeita à confirmação pelo Senado.
Warsh já era um dos nomes mais citados nos meses anteriores, ao lado de Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, e de Christopher Waller, atual governador do Fed visto como opção de continuidade institucional.
A nomeação agrega credibilidade ao processo e tende a ser bem recebida pelo mercado. O nome de Warsh se distancia de uma indicação mais ideológica ou sujeita à influência direta do governo, sinalizando um perfil tecnicamente qualificado para o cargo. Naturalmente, o mercado acompanhará de perto suas declarações e o andamento do processo de confirmação no Senado para, a partir daí, ter uma leitura mais precisa sobre sua postura de política monetária e estilo de condução. No curto prazo, não se antecipam rupturas nem impactos relevantes no cenário-base, e a avaliação é de que a nomeação retira um risco potencial importante da mesa.
Porque mudanças no comando do Fed podem alterar expectativas de juros e inflação, impactando dólar, ações, renda fixa e fluxos de capital em todos os mercados.
Além dos fatores domésticos, a China segue como uma das principais fontes de risco para os mercados globais em 2026.
O país enfrenta potenciais novos conflitos com os Estados Unidos, especialmente nas áreas de comércio, tecnologia e acesso a minerais de terras raras. Restrições envolvendo chips avançados, como os da Nvidia, e limitações à transferência de tecnologia ampliam as tensões e afetam cadeias globais de valor.
Internamente, a economia chinesa convive com crescimento mais fraco e risco de deflação exportada, enquanto bancos e governos locais mantêm empresas “zumbis” operando por meio da rolagem de dívidas, perpetuando excesso de capacidade produtiva.
Tarifas comerciais reduziram mercados de exportação e hoje mais de um quarto das empresas chinesas listadas opera no prejuízo, o maior patamar em 25 anos.
Além disso, há a questão geopolítica: as intenções chinesas de anexar Taiwan crescem a cada ano, e tanto os Estados Unidos quanto o resto do mundo dependem muito da ilha para seu abastecimento de chips e semicondutores. Uma guerra por lá poderia afetar profundamente os mercados:

Porque os riscos na China afetam crescimento global, preços de commodities, inflação internacional e lucros corporativos, aumentando a volatilidade e exigindo cautela e diversificação nas carteiras globais.
Mesmo além da guerra com a Ucrânia, a Rússia permanece como um dos principais focos de risco geopolítico em 2026.
O país é um ator central nos mercados globais de petróleo e gás, o que faz com que qualquer escalada de tensões tenha impacto direto sobre energia, inflação e crescimento econômico.
O perfil de Vladimir Putin, marcado por confrontos com instituições internacionais em nome do que considera interesse estratégico russo, aumenta a imprevisibilidade.
Além disso, a Rússia atua de forma articulada com um eixo geopolítico alternativo, que inclui países como China, Irã, Venezuela e Coreia do Norte, e tem promovido provocações diretas a países da OTAN, com relatos de drones, caças e violações de espaço aéreo na Europa:

Esses episódios elevam o risco de erros de cálculo e ampliam a instabilidade regional.
Porque conflitos prolongados envolvendo a Rússia afetam preços de energia, inflação global, crescimento econômico e estabilidade geopolítica, aumentando a volatilidade dos mercados e os riscos sistêmicos para investidores globais.
A inteligência artificial ganhou tamanho e importância tão grandes que qualquer frustração nas expectativas pode gerar correções relevantes. O mercado passou a precificar ganhos expressivos de produtividade e receitas futuras, mas a comprovação prática desses benefícios ainda é limitada.
Há paralelos com 2022, quando investimentos elevados das big techs em projetos como o metaverso foram questionados, levando a quedas próximas de 50% nas Magnificent Seven.
Apesar da rápida adoção da IA pelo consumidor, seu uso ainda é marginal, como mostra o gráfico abaixo, que ilustra a porcentagem de firmas americanas usando inteligência artificial para produzir bens e serviços:

Ao mesmo tempo, investimentos massivos (cerca de US$ 1,3 trilhão desde o 4º trimestre de 2022) pressionam o caixa das empresas, elevando o risco de alguma decepção.
Porque expectativas excessivas podem gerar correções, afetar grandes empresas de tecnologia, índices globais e carteiras concentradas, aumentando volatilidade e risco de perdas caso os resultados da IA demorem a aparecer.
Um risco estrutural para o avanço da inteligência artificial em 2026 é a disponibilidade de energia elétrica.
Data centers já respondem por cerca de 4% a 8% da demanda total de energia nos Estados Unidos, e as projeções indicam que poderão representar até dois terços do crescimento da carga elétrica nos próximos anos, mesmo considerando ganhos de eficiência dos chips mais modernos.
A escala do desafio é significativa. A OpenAI, por exemplo, anunciou parcerias que exigem 30,5 GW de nova capacidade energética, enquanto os EUA adicionaram apenas 25 GW em todo o ano de 2024.
Porque limitações energéticas podem desacelerar a expansão da IA, atrasar retornos esperados, elevar custos operacionais e gerar frustração de expectativas, afetando empresas de tecnologia, infraestrutura, energia e índices globais.
As eleições brasileiras de 2026 adicionam um componente relevante de incerteza ao cenário econômico.
Em um país já marcado por fragilidade fiscal, juros elevados e crescimento limitado, disputas eleitorais tendem a ampliar promessas de gastos (que já estão fora de controle no Brasil), intervenções econômicas e debates sobre regras fiscais.
Esse ambiente aumenta a dificuldade de sinalizar compromissos claros com equilíbrio das contas públicas no curto prazo.
Historicamente, períodos eleitorais no Brasil elevam a volatilidade dos mercados, pressionam o câmbio e afetam as expectativas de inflação e juros. A incerteza sobre a condução da política econômica após as eleições faz com que investidores adiem decisões, reduzam exposição a ativos locais ou exijam maior prêmio de risco para permanecer no país.
No momento, as projeções de casas de apostas apontam o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva como favorito para reeleição:

Porque eleições aumentam incerteza política e fiscal, pressionam dólar e juros, elevam volatilidade dos ativos brasileiros e podem gerar movimentos abruptos nos mercados conforme mudam expectativas sobre políticas econômicas futuras.
O Brasil entra em 2026 ainda preso a um problema estrutural: déficits fiscais elevados e persistentes. O governo gasta mais do que arrecada há décadas, mesmo com uma carga tributária superior a um terço do PIB. A trajetória de gastos segue pressionada, a relação dívida/PIB é desfavorável e o custo da dívida permanece alto, consumindo parcela crescente do orçamento:

Esse cenário cria uma armadilha fiscal. Para fechar as contas, o governo depende cada vez mais de endividamento. Quanto maior essa dependência, maior a necessidade de elevar impostos ou cortar despesas, ampliando a parcela da riqueza nacional destinada a sustentar o Estado.
O resultado é menor capacidade de crescimento, maior vulnerabilidade a choques externos, pressão social por ajustes e mais incerteza e volatilidade financeira.
Porque a fragilidade fiscal aumenta juros, pressiona o câmbio, reduz crescimento e eleva a volatilidade dos ativos brasileiros, tornando o patrimônio mais exposto a riscos domésticos e a mudanças abruptas de política econômica.
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Entender e mapear os riscos é uma etapa fundamental para qualquer investidor que busca atravessar 2026 com mais equilíbrio. Antecipar cenários adversos não elimina a volatilidade, mas ajuda a preparar o portfólio para possíveis solavancos, reduzindo decisões impulsivas em momentos de estresse.
Além disso, reconhecer os riscos com antecedência contribui para acomodar o impacto emocional de eventos que afetam os mercados. Vale lembrar que choques verdadeiramente imprevisíveis costumam causar impactos ainda maiores do que aqueles riscos que já conseguimos identificar e monitorar.
Para o investidor brasileiro, esse contexto reforça um ponto central: diversificação geográfica e exposição internacional não são opcionais, mas uma necessidade.
Uma carteira global tende a ser menos suscetível às volatilidades da política e da economia domésticas, oferecendo maior resiliência em um mundo cada vez mais incerto. E você pode contar conosco para guiar você nessa jornada.
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O investimento internacional envolve riscos especiais, incluindo flutuações cambiais, diferentes padrões de contabilidade financeira e possível volatilidade política e econômica.
Tenha em mente que não há garantia de que qualquer estratégia será bem sucedida ou lucrativa, nem protegerá contra uma perda.