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Dados econômicos voltam a ser divulgados, resultados de Nvidia e mercados em montanha-russa

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

24 nov 2025

A SEMANA QUE PASSOU

Payroll de setembro surpreende: normalidade retorna, dados finalmente divulgados

Após semanas de paralisação do governo americano, a normalidade começou a retornar. O shutdown, que se estendeu por mais de uma semana causando um “vácuo de dados” sem precedentes, finalmente terminou. Com a reabertura das agências federais, o mercado de trabalho americano pode, enfim, ser avaliado através do relatório de empregos (payroll), que era tão aguardado.​

O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS) divulgou o relatório de empregos não agrícolas (Payroll) de setembro no dia 20 de novembro, apresentando uma leitura mais forte do que esperado. Este foi o primeiro relatório de empregos do BLS desde a contagem de agosto, divulgada em 5 de setembro, devido ao shutdown do governo americano.

O relatório mostrou uma criação de 119 mil postos de trabalho, ante uma expectativa de 53 mil. Além disso, a taxa de desemprego subiu para 4,4%, a maior desde outubro de 2021 e acima dos 4,3% esperados. Os ganhos médios por hora aumentaram 0,2% no mês e 3,8% em relação ao ano anterior, em comparação com as previsões respectivas de 0,3% e 3,7%. Por outro lado, tivemos a revisão do número anterior (agosto) de 22 mil empregos para a contração de 4 mil vagas.

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics. Elaboração Avenue.

De forma geral, o Payroll trouxe tons mistos ao mostrar uma criação de postos de trabalho forte, mas com a revisão do dado anterior para baixo e um aumento na taxa de desemprego. O relatório mostra que o mercado de trabalho segue em condições semelhantes àquelas observadas ao longo do ano, ou seja, a de um ritmo lento, porém constante. Seguimos vendo a tônica de um mercado de trabalho de “low hire, low fire” (“baixa contratação, baixa demissão”), ou seja, com as empresas relutantes tanto em contratar quanto em demitir trabalhadores, em um ambiente de volatilidade e incertezas econômicas.

Para o mercado, o dado tende a ter impacto limitado em nossa visão uma vez que mostra uma fotografia já defasada em termos de tempo, da real situação do mercado laboral. Entendemos que o dado não retira o nível de incerteza dado para decisão de juros de dezembro, a qual segue com um cenário bastante aberto.

Nvidia reporta resultados corporativos: demanda por chip surpreende mais uma vez

Na quarta-feira, 19 de novembro, a Nvidia divulgou seus resultados do terceiro trimestre fiscal de 2026, demonstrando porque continua sendo um nome indiscutível da revolução de inteligência artificial.​

Os números impressionam:​

– Lucro líquido: subiu 65% (a/a) para US$ 31,9 bilhões.

– Receita: crescimento robusto impulsionado pela demanda contínua por chips de IA.

– Previsão forward: manteve orientações otimistas para futuros trimestres.

Apesar dos resultados positivos, as ações da Nvidia caíram após o anúncio, um fenômeno que reflete uma realidade importante de que os múltiplos de valuation já estão tão esticados que até mesmo resultados impressionantes não conseguem justificar preços ainda maiores.

Você pode conferir o resumo que fizemos desse e de outros resultados em nosso acompanhamento completo, disponível aqui: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.


Impactos no mercado

Mercados em montanha-russa

A semana foi marcada por movimentos significativos de volatilidade, refletindo a incerteza dos investidores sobre a trajetória futura da economia e das políticas monetárias.

É importante lembrarmos que correções nos mercados é algo comum. Observe o gráfico anexado que mostra as correções do S&P 500 maiores que 5% desde março de 2009:

Este gráfico é particularmente relevante agora. Note que a correção mediana durante este período é de -8,3%, com movimentos frequentemente desencadeados por eventos como tarifas comerciais, tensões geopolíticas e mudanças na política monetária – todos fatores presentes atualmente no mercado. Resumindo: a volatilidade que vemos é bem normal.

Bitcoin

Outro movimento que chamou atenção na semana foi o da queda do Bitcoin. O ativo que caiu mais de US$ 40 mil em apenas seis semanas, fechou a sexta-feira abaixo de US$ 84 mil, atingindo o nível mais baixo desde meados de abril, perdendo cerca de US$ 800 bilhões em valor desde seu pico em outubro.​

Mercado começa a precificar flexibilização nos juros

Apesar da força do Payroll, o tom do Federal Reserve foi significativamente mais suave na semana. ​

Sinais do Banco Central:

Existem, então, duas frentes de porque o Fed estaria considerando novos cortes, mesmo com o Payroll surpreendendo para cima e a economia mostrando resiliência:

  1. Inflação controlada: apesar da divulgação do CPI ter sido cancelada em outubro devido ao shutdown, os dados disponíveis sugerem que a inflação segue em trajetória de queda​.
  2. Ajuste fino da política: o Fed reconhece que precisa calibrar suas ações com cuidado, considerando tanto o mercado de trabalho quanto as pressões inflacionárias​.

A SEMANA QUE SE INICIA

Com o feriado de Ação de Graças nos EUA, a semana de 24-28 de novembro será mais curta que o usual, com os mercados funcionando normalmente segunda a quarta e fechando na quinta-feira.​

Destaques Esperados:

RESULTADOS CORPORATIVOS

Com a temporada de resultados do 3º trimestre caminhando para o fim, esta semana será mais tranquila em termos de divulgações, com poucas empresas apresentando seus números. Abaixo, o calendário completo de resultados

Vale lembrar que fazemos um acompanhamento completo de diversos resultados que já saíram aqui: Resultados Corporativos – Avenue Connection

Que tal continuarmos esse papo no Twitter e Instagram? Siga @willcastroalves e me diga o que achou do conteúdo da semana. Até lá!

Aquele abraço!

William Castro Alves

Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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