Painel do Avenue Connection desafia profissionais do mercado a repensarem sua abordagem sobre alocação estrutural com ativos alternativos e hedge funds
17 jul 2025
No primeiro dia do Avenue Connection 2025, o painel sobre hedge funds e ativos alternativos trouxe um alerta importante: diversificar não é mais uma vantagem competitiva, é uma condição de sobrevivência patrimonial em tempos de disrupção e correlações instáveis.
Conduzido por Lucas Santos, Head de Fundos da Avenue Securities, o debate contou com dois nomes de peso: Joseph Burns, Head de Hedge Fund Research da iCapital, e Jorge Rovira, Managing Partner da Unicorn Strategic Capital.
O painel discutiu os rumos da diversificação de ativos em um cenário onde renda fixa e equities não bastam.
Nas últimas décadas, o mercado financeiro global passou por uma transformação silenciosa, mas profunda.
Um movimento gradual tirou o protagonismo dos mercados públicos e colocou o setor privado no centro das alocações institucionais.
Os dados não deixam dúvidas: os hedges funds hoje representam 25% do capital alternativo global, com tendência clara de crescimento.
Esse crescimento, porém, não é apenas quantitativo.
Ele representa uma mudança qualitativa na forma na construção de um portfólio resiliente.
Hedge funds e ativos privados oferecem características diferenciadas que podem proporcionar maior diversificação e menor volatilidade em cenários de estresse sistêmico, atributos que os modelos tradicionais baseados apenas em ações e títulos de renda fixa muitas vezes não conseguem replicar.
Mas uma alocação estratégica depende de profissionais bem-preparados.
Uma das mensagens mais fortes do painel veio da abordagem educacional.
Na visão de Burns, da iCapital, o avanço dos alternativos está diretamente relacionado ao preparo técnico dos consultores.
Segundo ele, não se trata apenas de ter acesso a produtos sofisticados. É preciso compreender como eles funcionam, para quem são indicados e quais riscos carregam.
A jornada começa pela educação.
A partir dela, o consultor constrói a autoconfiança necessária para guiar o cliente por caminhos mais sofisticados.
É isso que permite decisões mais estratégicas e conversas mais produtivas.
O argumento mais imediato é a diversificação de ativos.
Mas neste caso, trata-se de uma diversificação real, estrutural, não simplesmente mais ativos na carteira.
Hedge funds operam com estratégias descorrelacionadas dos ciclos de política monetária, o que os torna opções eficazes para amortecer impactos exógenos.
Mas Jorge Rovira, que atua como elo entre investidores e plataformas de investimento na América Latina, destaca que a palavra-chave é acesso, ou a possibilidade de trazer oportunidades para os clientes:
“Os alternativos (e o mercado privado em geral) não são exclusivos de grandes gestores, family offices, pessoas com muito patrimônio nos fundos, como foi por muitos anos. Nos últimos dois anos e meio isso mudou”.
Esse movimento está transformando não só a forma de alocar capital, mas o próprio modelo de negócios da indústria de investimentos.
Sobre a alocação, Rovira destaca o fator retorno: dados comparativos mostram que, no longo prazo, os ativos privados superam seus equivalentes públicos em termos de performance ajustada ao risco.
Isso permite não só ampliar o retorno potencial como também otimizar a alocação por unidade de risco.
Além disso, destacou que essas estratégias oferecem menor volatilidade e um comportamento mais previsível em ambientes de incerteza, o que se reflete em portfólios mais eficientes do que o clássico 60/40.
Portfólio completo para investir em dólar
Abrir contaRovira demonstrou com dados como a barreira do “mercado exclusivo” está caindo.
Em apenas dois anos e meio, o número de instituições conectadas à iCapital na região saltou de zero para 190, um reflexo direto do amadurecimento da indústria e da maior sofisticação dos investidores locais.
Segundo ele, esse movimento de ampliação do alcance, que muda a forma como os portfólios são construídos e os modelos de negócio da própria indústria, é um game-changing:
Diferente dos ativos privados, os hedges funds trazem uma vantagem adicional: flexibilidade.
Eles operam com múltiplas estratégias, globais, e não estão ancorados nos ciclos tradicionais dos governos.
Isso permite capturar assimetrias em diferentes regimes de mercado e blindar parte do portfólio em momentos de correlação elevada entre ações e bonds.
Burns destacou que mesmo em episódios de forte queda dos mercados, alguns hedges funds se mantiveram resilientes.
“Em alguns casos, vimos fundos com retornos entre 30% e 45% ao ano, com algumas estratégias multi estratégicas indo além disso”.
Mas ele ponderou: “não é uma classe homogênea. A análise tem que ser feita gestora a gestora, estratégia a estratégia”.
Já Rovira analisou, sob a ótica da América Latina, a crescente popularidade dos hedges funds agora.
Ele chamou atenção para a transição que já se desenha no crédito privado.
Nos últimos três anos, essa classe teve destaque por conta dos juros elevados e do vácuo deixado pelos bancos.
Mas com a perspectiva de queda de juros e compressão dos spreads, o apetite por risco vem migrando para estratégias mais sofisticadas, entre elas, hedge funds e private equity, em busca de retornos mais ajustados ao novo cenário.
É preciso reforçar: a verdadeira diversificação de ativos está no mercado privado:
A verdadeira diversificação exige coragem para sair do script tradicional.
Hedge funds e ativos alternativos não são uma moda; são uma resposta à complexidade do mundo atual.
Incorporá-los não significa abandonar o que já funciona, mas sim complementar com o que pode trazer equilíbrio, eficiência e visão de longo prazo.
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