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Argentina, China e EUA: oportunidades no mercado internacional?

24 out 2025

Por Christopher Galvão, Analista de Fundos na Nord Investimentos

Argentina

Desde que Javier Milei assumiu a presidência em dezembro de 2023, a Argentina vem mostrando melhoras estruturais, o que tem aumentado a confiança dos investidores de que o país está trilhando um caminho mais sustentável.

Pela primeira vez desde 2011, o governo passou a registrar superávit primário. A inflação, que chegou a alcançar incríveis 25,5% em um único mês (no final de 2023), está rodando em torno de 2%. Além disso, as reservas internacionais começaram a se fortalecer após o novo acordo com o FMI e o fim do controle cambial, medida que ampliou a liberdade para a compra de dólares dentro do programa firmado com o Fundo.

[Fonte: Bloomberg. Elaboração Nord Investimentos]

Essas medidas estruturais trouxeram de volta parte da credibilidade da Argentina e deram novo fôlego à Bolsa local.

Em 2024, o mercado acionário argentino teve um belo desempenho, acumulando alta de cerca de 172% em pesos e 114% em dólares, sem contar os crescimentos do ano anterior, quando os investidores já antecipavam as mudanças. Já em 2025, o cenário mudou: a Bolsa acumula perdas de 22% em pesos argentinos e de 45% em dólares.

Isso resultou em um maior desconto da Bolsa em relação ao seu histórico. Atualmente, a Argentina negocia a um múltiplo Preço/Lucro de 7,4 vezes, abaixo da mediana histórica de 10,33 vezes.

[Fonte: Bloomberg. Elaboração Nord Investimentos]

O grande ponto de discussão daqui para frente é a continuidade ou não do governo Milei. Após a derrota mais expressiva do seu partido na eleição legislativa na província de Buenos Aires, em 7 de setembro, as atenções se voltam para a eleição legislativa nacional do próximo dia 26 de outubro, quando serão renovadas 127 das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados e 24 das 72 do Senado.

O resultado será essencial para medir a popularidade do governo de Milei (visando à eleição presidencial de 2027), além de verificar se ele terá respaldo no Congresso para seguir avançando com seu pacote de reformas durante a segunda metade do governo.

Para aqueles que conseguem aguentar a volatilidade no curto prazo, a Argentina ainda pode apresentar oportunidades. Para aqueles que não têm estômago suficiente para ficar expostos a um ativo com maior grau de incertezas, a Argentina não é uma opção.

China

Na China, a nova economia está cada vez mais forte e se coloca como um dos principais adversários dos EUA na corrida da inteligência artificial.

[Fonte: WHG]

Em 2025, as Bolsas de Shenzhen e Shanghai acumulam altas de 23% e 15%, respectivamente. O mais interessante é que quase todo esse avanço aconteceu nos últimos meses. Desde julho, os índices subiram 22% e 15%, nessa ordem.

O otimismo recente foi impulsionado por uma sequência de notícias positivas. Uma das principais foi a decisão do governo chinês de elevar o limite de alocação das seguradoras locais em ações, que passou de 10% para 30%, o que levou a uma forte entrada de investidores institucionais nesses últimos meses.

Diante dessas altas recentes, as bolsas ficaram mais caras. A Bolsa Shanghai passou a negociar a um Preço/Lucro de 13,9 vezes, frente a uma média histórica de 12,75; a Bolsa de Shenzhen (maior proporção de empresas de tecnologia em comparação à bolsa de Shanghai) hoje negocia a um múltiplo de 19,9 vezes, ante média de 16,5.

[Fonte: Bloomberg. Elaboração Nord Investimentos]

[Fonte: Bloomberg. Elaboração Nord Investimentos]

Com a tese se baseando na continuidade dessa transformação estrutural da economia chinesa, ainda vejo oportunidades na Bolsa, mas tendo ciência dos preços um pouco mais altos.

Estados Unidos

Já não é novidade falar sobre a Bolsa americana e os múltiplos mais caros diante do crescimento das empresas relacionadas ao universo de inteligência artificial, então, aqui, serei mais direto.

Apesar dessa discussão, as grandes companhias de tecnologia seguem acelerando os investimentos em Capex.

[Fonte: Kinea]

Apesar da dúvida de parte do mercado sobre a geração de resultados frente a esses gastos acelerados, as receitas das empresas de inteligência artificial seguem batendo as expectativas, como mostra o gráfico abaixo, compartilhado na última live mensal da WHG.

[Fonte: WHG]

Sigo com uma visão construtiva para a Bolsa americana. Cabe a cada investidor dosar o nível de concentração.

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Não há garantia de que essas opiniões ou previsões aqui fornecidas se mostrem corretas.

O investimento internacional envolve riscos especiais, incluindo flutuações cambiais, diferentes padrões de contabilidade financeira e possível volatilidade política e econômica.

Christopher Galvão

Analista de Fundos na Nord Investimentos

Graduado em Economia pelo Insper, possui expertise em fundos de investimento, renda fixa e consultoria macroeconômica. Certificado como analista fundamentalista CNPI, atuou na área de macroeconomia da A.C. Pastore & Associados. Atualmente, lidera a gestão da carteira Nord Fundos, da Nord Investimentos.

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