Home Colunistas

Cientistas conseguiram medir a influência das redes sociais na sua decisão de investir

Por Fernanda Melo, Especialista de produtos de investimentos no Itaú Unibanco.

02 out 2025

Você se lembra de onde veio a última ideia de investimento que chamou sua atenção? Foi uma dica no YouTube, um post que apareceu no Instagram ou aquela sugestão no aplicativo do seu banco? A forma como tomamos decisões financeiras está cada vez mais ligada aos canais digitais. E isso não é coincidência. Informação é o primeiro passo da jornada que leva alguém do interesse inicial até o clique final na boleta do home broker.

Eu trabalho na área de experiência do usuário com investimentos e, todos os dias, observo esse caminho. Raramente ele começa em uma planilha ou em um relatório técnico. Quase sempre, o ponto de partida é uma fagulha: um conteúdo que desperta a curiosidade. A partir dali, o investidor pesquisa um pouco mais, compara alternativas, conversa com alguém de confiança e, só depois, decide se vai investir. Essa dinâmica, que parece óbvia quando descrita, na prática tem muito peso. Porque, no fundo, significa que o conteúdo certo, no momento certo, pode mudar a trajetória financeira de uma pessoa.

Esse fenômeno já foi estudado em detalhe. Uma pesquisa acadêmica conduzida por David McKenzie e Berk Özler, intitulada The Impact of Economics Blogs on Dissemination and Reputation, mostrou como a informação pode gerar efeitos desproporcionais. O estudo acompanhou o que acontecia quando blogs de economia de grande alcance citavam artigos acadêmicos. O resultado foi impressionante. Papers que normalmente levariam anos para acumular determinada quantidade de visualizações conseguiam esse volume em semanas. Em alguns casos, a menção em um único blog equivalia a três anos de visualizações regulares. Para downloads, o impacto chegava a até dois anos de demanda natural concentrados em poucos dias.

Mas não foi só o alcance que mudou. O estudo também testou a percepção de reputação. Leitores que tiveram contato com o blog do Banco Mundial passaram a avaliar melhor a instituição, reconheceram maior qualidade na sua produção de pesquisa e até demonstraram mais interesse em trabalhar lá. Ou seja, informação não apenas amplia o acesso a conteúdo. Informação, quando bem distribuída, molda comportamento e constrói confiança.

Agora pense comigo: se um simples post em um blog pode transformar a reputação de uma instituição global como o Banco Mundial, o que impede que vídeos, artigos ou posts façam o mesmo com a forma como você decide onde investir?

O retrato brasileiro confirma esse movimento. O Raio X do Investidor, pesquisa da ANBIMA em parceria com o Datafolha, mostrou que 47% dos investidores já usam aplicativos de bancos como principal canal de investimento. Isso é quase metade da base. Entre os mais jovens, YouTube e Instagram são as principais fontes de informação financeira. Estamos falando de milhões de brasileiros que não abrem um relatório técnico para decidir o que fazer com o dinheiro. Eles começam a jornada em um vídeo de poucos minutos, em um post de rede social, em uma live transmitida no celular.

Aqui cabe uma provocação: qual foi a última vez que você tomou uma decisão de investimento baseada em um relatório de 30 páginas? E qual foi a última vez que pelo menos cogitou uma aplicação porque viu alguém comentar em um vídeo curto? A verdade é que os conteúdos rápidos e acessíveis se tornaram a porta de entrada do investidor. E isso não é negativo em si. O problema é quando a jornada para aí, na superfície, sem aprofundar.

Fernanda Melo

Especialista de produtos de investimentos no Itaú Unibanco

Essa é a mesma tensão encontrada no estudo de Berk Özler. Blogs de grande alcance, como Freakonomics ou Marginal Revolution, levavam milhares de pessoas a clicar em artigos, mas a taxa de conversão em leitura efetiva era relativamente baixa. Já blogs de nicho tinham menos leitores, mas geravam um engajamento mais profundo. Em outras palavras, massa gera alcance, nicho gera profundidade. A ANBIMA mostrou algo semelhante: os jovens estão no YouTube e no Instagram, mas os perfis que de fato diversificam investimentos costumam consultar múltiplas fontes, incluindo portais especializados e sites de nicho.

É aqui que o investimento no exterior entra na conversa. Para muitos brasileiros, investir fora ainda parece algo distante, reservado a grandes investidores ou a quem tem muito tempo para estudar. Mas isso não corresponde à realidade atual. Hoje é possível acessar ETFs globais, ações de empresas como Apple, Microsoft, Google ou Tesla e até títulos do Tesouro americano diretamente de um aplicativo. A barreira não está na execução. Está na mentalidade. E é justamente aí que o conteúdo certo faz diferença.

Imagine alguém que nunca considerou investir fora do Brasil. Um vídeo curto pode ser o primeiro contato. Um artigo mais detalhado, como este, pode ser o segundo passo, mostrando que investir em ativos internacionais é acessível. Daí em diante, a pessoa pesquisa mais, entende melhor os custos, compara com os produtos que já usa. Até que, finalmente, sente segurança para clicar em “comprar”. O que parecia impossível ou distante passa a ser parte natural da sua estratégia financeira.

O ponto central é que a jornada de investir no exterior não começa na boleta. Ela começa no conteúdo que desperta a curiosidade. Por isso, a pergunta que você deve se fazer não é apenas “onde investir?”, mas também “quem está me ajudando a formar essa visão?”. Você se apoia apenas em vídeos curtos que aparecem por acaso no feed? Ou busca conteúdos que realmente aprofundam, que explicam riscos e oportunidades, que mostram como diversificar de forma responsável?

A experiência mostra que não basta ter informação. É preciso ter a informação certa, no canal certo, no momento certo. Assim como um post em um blog multiplicou a visibilidade de pesquisas acadêmicas e mudou a percepção sobre instituições globais, o conteúdo certo pode ser o gatilho que leva você a ampliar sua carteira além das fronteiras.

Fontes:

Fernanda Peres de Melo, CFP®

Economista com uma carreira construída na interseção entre investimentos e comunicação. Buscando traduzir a complexidade financeira para o dia a dia das pessoas, Fernanda carrega mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, e atualmente ocupa a posição de especialista de produtos de investimentos no Itaú Unibanco.

DISCLAIMER

Oferta de serviços intermediada por Avenue Securities DTVM. Avenue Securities Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. (“Avenue Securities DTVM”) é uma distribuidora de valores mobiliários brasileiros, devidamente autorizada pelo Banco Central do Brasil (“BCB”) e pela comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). Os saldos disponíveis em Reais são mantidos na Avenue Securities DTVM Ltda., uma instituição financeira regulada. Os fundos detidos pela Avenue Securities DTVM não são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Veja todos os avisos importantes: https://avenue.us/termos/.

O investimento internacional envolve riscos especiais, incluindo flutuações cambiais, diferentes padrões de contabilidade financeira e possível volatilidade política e econômica.

As informações acima foram obtidas de fontes consideradas confiáveis, mas não garantimos que sejam precisas ou completas; não constituem uma declaração de todos os dados disponíveis necessários para tomar uma decisão de investimento, nem representam uma recomendação. Quaisquer opiniões são exclusivamente do autor e não refletem, necessariamente, as da Avenue Securities ou de suas afiliadas.

Os fundos negociados em bolsa (“ETFs”) estão sujeitos à flutuação do mercado e aos riscos de seus investimentos subjacentes. Ao contrário dos fundos mútuos, as ações do ETF são compradas e vendidas a um preço de mercado, que pode ser superior ou inferior ao seu NAV, e não são resgatadas individualmente do fundo. Antes de investir em qualquer fundo negociado em bolsa, você deve considerar seus objetivos de investimento, riscos, encargos e despesas. Contate a Avenue para um prospecto, oferecendo uma circular ou, se disponível, um prospecto resumido contendo essas informações. Leia atentamente.

Manter ações para o longo prazo não garante um resultado rentável. Investir em ações sempre envolve risco, inclusive a possibilidade de perder todo o investimento.

Recomendado para você

Figure
19 set 2025

Entre o básico e o premium: a economia da…

Figure
12 ago 2025

Chips, fronteiras e o preço da dependência

Figure
13 jul 2025

Cibersegurança: a megatendência nada…

Figure
29 jul 2025

Os monopólios de tech também são…

As mais lidas

Figure
18 jul 2025

Estados Unidos e economia global: as …

Figure
17 jul 2025

Desafios da economia brasileira: Marcos…

Figure
28 ago 2025

Imposto de Herança nos EUA: como a…

Figure
11 ago 2025

Comportamento e dinheiro: lições de…

Avenue

Faça parte da vida global

Abrir conta