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Ações de clubes de futebol: como funciona o setor mais emocional da bolsa

22 out 2026

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Resumo

Torcer é uma relação emocional. Investir deveria ser uma relação analítica. O mercado de ações de clubes de futebol é exatamente o ponto onde essas duas coisas se encontram, e é por isso que ele merece ser entendido com calma.

Este artigo explica o que existe, onde negocia e quais são as características estruturais do setor. Não é indicação de compra, de venda nem de alocação, e nenhum papel aqui é apresentado como oportunidade.

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Conheça as bolsas mundiais

Quais clubes estão listados e onde

O primeiro clube de futebol a abrir o capital ao público foi o inglês Tottenham Hotspur, listado na Bolsa de Londres. Desde então, o movimento se espalhou de forma desigual pela Europa.

Luis de la Mata / SportPix/Sipa/ USA

Os clubes mais citados em levantamentos de mercado, com seus respectivos tickers e bolsas, são:

  • Manchester United (MANU) – Bolsa de Nova York, NYSE
  • Juventus (JUVE) – Bolsa Italiana
  • Borussia Dortmund (BVB) – Bolsa de Frankfurt
  • Roma (ASR) e Lazio (LAZI) – Bolsa Italiana
  • Ajax (AJAX) – Bolsa de Amsterdã
  • Celtic (CCP) – Bolsa de Londres
  • Benfica (SLBEN), Sporting (SPSO) e FC Porto (FCPP) – Euronext Lisboa

Há ainda o índice Stoxx Europe Football, que reúne clubes listados europeus e inclui nomes como Juventus, Ajax, Lazio, FC Porto, Trabzonspor, Fenerbahçe, Parken Sport & Entertainment e AIK Football. Manchester United e Tottenham não integram esse índice por estarem listados fora do escopo, em Nova York e Londres.

Levantamentos de mercado apontam cerca de 24 equipes de futebol listadas em bolsa ao redor do mundo. O número varia conforme o critério e o momento, porque há entradas e saídas.

O Borussia Dortmund e a estrutura alemã

O Borussia Dortmund foi o primeiro clube esportivo alemão de capital aberto, com ações lançadas em outubro de 2000. Suas ações são negociadas na bolsa de Frankfurt por meio da estrutura Borussia Dortmund GmbH & Co. KGaA.

Esse detalhe societário importa. O investidor não compra o clube: compra uma participação em uma estrutura jurídica que detém parte das atividades econômicas do clube. Direitos políticos, controle e governança variam bastante de país para país, e a regra alemã é notoriamente diferente da inglesa ou da italiana.

A Juventus e o pioneirismo italiano

A Juventus abriu capital em 2001, captando cerca de US$ 128,6 milhões na bolsa italiana, operando como Juventus Football Club S.p.A. Foi um dos movimentos que consolidaram a Itália como o mercado com mais clubes listados.

O que torna esse setor diferente de qualquer outro

Aqui está a parte que mais importa, e ela não é sobre paixão: a estrutura de risco de um clube de futebol listado não se parece com a de nenhuma empresa comum.

O resultado depende de variáveis que não se modelam

Especialistas apontam que a volatilidade do preço das ações é uma das principais desvantagens do setor, porque o papel pode variar conforme sucesso ou fracasso esportivo, contratações e até escândalos internos. Lesões de jogadores afetam resultado. Eliminação em competição continental afeta receita de forma direta e imprevisível.

Nenhuma dessas variáveis aparece em análise fundamentalista tradicional, e nenhuma delas é previsível por calendário.

Liquidez desigual

Os volumes negociados variam enormemente entre os papéis do setor. Alguns têm negociação diária relevante, outros têm volume muito baixo. Baixa liquidez significa dificuldade de entrar e sair a preços razoáveis, e é um dos riscos estruturais mais concretos aqui. Vale entender o conceito em o que é liquidez nos investimentos.

O clube-empresa pode falir

Este ponto é frequentemente ignorado. Diferente da maioria dos clubes brasileiros, organizados como associações, uma sociedade anônima está sujeita à falência. A estrutura empresarial que permite a listagem também traz esse risco.

Histórico de volatilidade acentuada

Levantamentos de imprensa especializada ao longo dos anos mostram janelas de cinco anos com quedas relevantes em diversos papéis do setor. Os percentuais específicos variam conforme a data de apuração e ficam rapidamente desatualizados, por isso não são reproduzidos aqui. O ponto estrutural é o que interessa: desempenho passado não garante resultados futuros, e no futebol isso é literalmente verdade em duas dimensões ao mesmo tempo.

E os clubes brasileiros?

Nenhum clube brasileiro está listado em bolsa. A ausência tem razões estruturais: a maioria dos clubes ainda opera como associação sem fins lucrativos, com gestão que não atende às exigências da Comissão de Valores Mobiliários.

O cenário começou a mudar com a Lei nº 14.193/2021, sancionada em agosto de 2021, conhecida como Lei da SAF, que permitiu a transformação de clubes em Sociedades Anônimas do Futebol. Uma SAF é, a princípio, uma sociedade anônima de capital fechado. Qualquer clube que tenha migrado para SAF pode, em teoria, seguir os trâmites para abrir capital.

Migrar para SAF não é o mesmo que estar em bolsa. São dois passos distintos, e até aqui nenhum clube brasileiro completou o segundo.

Como o investidor brasileiro acessa esses mercados

Entender o setor é uma coisa. Acessar operacionalmente esses mercados é outra, e o caminho depende de onde o ativo está listado.

A bolsa define o acesso

Papéis listados na Bolsa de Nova York são acessíveis por meio de uma conta de investimento nos Estados Unidos, como qualquer outra ação americana. É o caso do Manchester United, negociado na NYSE.

Papéis listados na Bolsa Italiana, em Frankfurt, Amsterdã ou na Euronext Lisboa seguem regras de acesso diferentes e nem sempre estão disponíveis em toda plataforma de investimento. Isso vale para Juventus, Roma, Lazio, Borussia Dortmund, Ajax, Benfica, Sporting e FC Porto. Verifique a disponibilidade do ativo e as condições de negociação antes de qualquer decisão.

O caminho operacional

Para quem mora no Brasil e quer acessar o mercado americano, a sequência é a seguinte:

  1. Abrir uma conta de investimento nos Estados Unidos, com o processo de cadastro e verificação de identidade exigido pela regulação americana.
  2. Enviar recursos por meio de operação de câmbio autorizada, realizada por instituição habilitada pelo Banco Central do Brasil.
  3. Converter reais em dólares e manter o saldo na moeda em que o ativo é negociado.
  4. Enviar a ordem identificando o ativo pelo ticker, verificando o tipo de ordem e o horário de funcionamento do mercado. O material sobre tickers explica como interpretar essa identificação.

O que verificar antes

Quatro itens que não são opcionais em qualquer operação internacional:

  • Disponibilidade do ativo: nem todo papel listado no exterior está acessível em todas as plataformas.
  • Custos: de transferência internacional, de manutenção de conta e de negociação. Os custos da Avenue podem ser consultados em avenue.us/custos e são atualizados de tempos em tempos.
  • Tributação: ganho de capital em investimentos no exterior tem regras próprias, alteradas pela Lei 14.754. Há material específico no portal sobre compensação de lucros e prejuízos e sobre como declarar investimentos no exterior.
  • Declaração de CBE: residentes no Brasil que detenham recursos no exterior acima de determinado montante devem apresentar a declaração de Capitais Brasileiros no Exterior ao Banco Central. Confirme os limites vigentes.

As duas camadas de risco

Investir em ativo estrangeiro cria duas exposições que existem de forma independente e podem se somar em qualquer direção: o risco do próprio ativo e o risco cambial. No caso de clube de futebol, a primeira camada já é atipicamente volátil pelos motivos descritos acima. A segunda é tratada no material sobre risco cambial.

A conclusão honesta

Ação de clube de futebol é renda variável de setor pequeno, liquidez desigual e variáveis de resultado que nenhum modelo captura. Existe como classe de ativo, é acessível e é legítima de estudar.

O que ela não é: uma extensão da relação de torcida. A decisão de investir em qualquer ativo depende de perfil de risco, objetivo, horizonte e diversificação, e essa análise é individual. Quem quiser entender o enquadramento antes de qualquer coisa pode começar pelo material sobre perfil de investidor e diversificação.

FAQ sobre ações de clubes de futebol

Quais clubes de futebol estão na bolsa de valores?

Levantamentos de mercado apontam cerca de 24 equipes listadas no mundo. Entre as mais citadas: Manchester United (NYSE), Juventus, Roma e Lazio (Bolsa Italiana), Borussia Dortmund (Frankfurt), Ajax (Amsterdã), Celtic (Londres) e Benfica, Sporting e FC Porto (Euronext Lisboa).

Qual foi o primeiro clube de futebol a abrir capital?

O inglês Tottenham Hotspur, listado na Bolsa de Londres. Na Alemanha, o pioneiro foi o Borussia Dortmund, com ações lançadas em outubro de 2000.

Existe clube brasileiro na bolsa de valores?

Não. A maioria dos clubes brasileiros ainda opera como associação sem fins lucrativos, com gestão que não atende às exigências da CVM. A Lei nº 14.193/2021 criou a Sociedade Anônima do Futebol, mas migrar para SAF não significa estar listado em bolsa.

O que é o índice Stoxx Europe Football?

É um índice que reúne clubes de futebol europeus listados em bolsa, incluindo nomes como Juventus, Ajax, Lazio, FC Porto, Trabzonspor, Fenerbahçe, Parken Sport & Entertainment e AIK Football. Manchester United e Tottenham não integram o índice.

Quais são os riscos de investir em ações de clube de futebol?

Volatilidade ligada a desempenho esportivo, contratações, lesões e escândalos internos; liquidez desigual entre os papéis; e o fato de que uma sociedade anônima está sujeita à falência, diferente de uma associação. Há ainda risco cambial para quem tem renda em reais.

Uma SAF pode falir?

Sim. Diferente da maioria dos clubes brasileiros, organizados como associações, as SAFs e as sociedades anônimas estão sujeitas à falência.

Fontes

  • Exame Invest – É possível comprar ações de times de futebol? Veja quais clubes do mundial estão listados
  • Lance Biz – Veja em quais clubes de futebol você pode investir na Bolsa de Valores
  • Admiral Markets – Ações de clubes de futebol no mercado de ações (composição do Stoxx Europe Football)
  • Lei em Campo – Clubes brasileiros na Bolsa de Valores: entenda como isso é possível
  • Crusoé – Veja quais times de futebol estão na bolsa para você comprar ações (Lei nº 14.193/2021)
  • Mergers & Inquisitions – Sports Investment Banking (empresas públicas do setor)
  • Lei nº 14.193/2021, Lei da Sociedade Anônima do Futebol

Disclaimer

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não constitui oferta, recomendação, solicitação de oferta ou aconselhamento para comprar ou vender qualquer valor mobiliário. A menção a empresas, clubes, tickers, índices ou mercados tem finalidade ilustrativa e não representa indicação de investimento. Investimentos em renda variável envolvem riscos, incluindo a possível perda do capital investido. Ações de clubes de futebol estão sujeitas a volatilidade decorrente de desempenho esportivo, contratações, lesões, decisões administrativas e eventos reputacionais, além de apresentarem liquidez desigual entre os papéis. Sociedades anônimas estão sujeitas à falência. A disponibilidade de ativos varia por plataforma e mercado. Investimentos em moeda estrangeira estão sujeitos a risco cambial, e a variação do câmbio pode resultar em ganhos ou perdas adicionais independentemente do desempenho do ativo. A Avenue Securities LLC é membro FINRA e SIPC. O SIPC protege contas de clientes em caso de insolvência da corretora e não cobre perdas decorrentes de variação de mercado. Consulte um profissional qualificado e avalie seu perfil de investidor antes de tomar decisões. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

Redação Avenue

Redação Avenue

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