Por Tomás Roque, Analista de Treinamento e Conteúdo Sênior da Avenue
16 jan 2026
O brasileiro já está acostumado a alugar ativos. Seja uma casa, um apartamento, um carro, e assim por diante. Mas o que talvez ainda seja novidade para muitos é a possibilidade de realizar o aluguel de ações e muitos outros investimentos nos EUA, o maior mercado do mundo.
Esse pode ser um modo simples de gerar renda extra e buscar aumentar a rentabilidade da carteira de investimentos sem precisar se desfazer de nenhum ativo.
É uma estratégia que costuma ser buscada principalmente por investidores de longo prazo, que não pretendem se desfazer do ativo por algum tempo. Com isso, buscam rentabilizar os ativos que estão em sua carteira. E como a maior parte dos ativos que são alugados são ações, é muito comum ouvir e utilizar o tema aluguel de ações, além de aluguel de ativos.
Mas, antes de tudo, vamos entender um pouco mais sobre essa operação.
Para simplificar, funciona do mesmo modo que outros contratos de aluguel. Ou seja, alguém empresta um ativo (no mercado financeiro, essa pessoa recebe o nome de doador) a outra pessoa disposta a usá-lo temporariamente em troca de uma taxa pelo empréstimo (essa pessoa recebe o nome do tomador).
O paralelo com o aluguel de um apartamento funciona bem para ilustrar a operação. Imagine que você comprou um apartamento para investir. Em vez de buscar somente a valorização do imóvel, você pode ganhar uma renda extra com ele ao longo do tempo ao alugá-lo para outra pessoa.
Funciona do mesmo modo no mercado financeiro: você tem uma carteira de investimentos para o longo prazo, e decide buscar uma rentabilidade adicional com seus ativos. No caso do aluguel de ações, ainda há um benefício adicional: também é possível ter uma renda passiva com dividendos. Isso significa, na prática, que você pode acumular duas rendas passivas: a dos dividendos e a do aluguel dos ações.
Todo contrato de empréstimo de ações tem uma taxa de aluguel e um prazo determinado. A operação pode parecer complexa, mas contratar o serviço pode ser muito simples. Você não precisa, por exemplo, procurar ativamente por investidores no mercado dispostos a alugar de você. Essa tarefa costuma ficar a cargo de custodiantes.
Geralmente funciona do seguinte modo: você ativa a funcionalidade, e todas os ativos inteiros da sua carteira ficam disponíveis para locação – ou seja: frações de ações não são emprestadas.
Ao deixar as ações para locação, não significa que eles serão automaticamente alugados, mas ficam disponíveis para que outros participantes do mercado possam tomá-los emprestados. É a mesma lógica do apartamento: quando você busca uma imobiliária para colocar seu apartamento para alugar, a imobiliária começará a procurar por interessados.
O aluguel pode ser realizado para todos as ativos negociados no ambiente de Bolsa de Valores americana, como:
Uma pergunta que você pode se fazer é o que acontece se, quem tomou emprestado de você não cumprir com o pagamento. No mercado financeiro, a contraparte – ou seja, quem assume a responsabilidade de honrar o compromisso – não é uma pessoa física. É comum que a custodiante garanta o seu pagamento, através de depósitos colaterais, por exemplo. Todavia, é importante salientar que existe o risco, ainda que não tão comum, de não haver o pagamento
Ao alugar uma ação, um ETF, um REIT ou uma ADR, os dividendos são pagos para o tomador do aluguel, quem está pagando para alugar. Todavia, é bastante comum que seja feito o repasse para o doador. Na prática, isso significa que, em geral, as distribuições de rendimento continuam sendo direcionadas a você, e não a quem tomou o ativo emprestado. Apesar disso, quem colocou o ativo para alugar perde os direitos de voto.
Cada ativo tem uma taxa específica para ser alugado. Imagine, novamente, o exemplo do apartamento. O valor do aluguel pode ser influenciado pelo tamanho do imóvel, da localização, entre outros fatores. No mercado financeiro, também existem variáveis importantes para definir a taxa.
É a lei da oferta e da demanda. Ativos que são difíceis de serem alugados, por exemplo, costumam gerar as maiores taxas de empréstimo.
Normalmente, quem toma o ativo emprestado tem uma estratégia oposta à do doador, focando em estratégias de curto prazo, na expectativa de que o ativo irá se desvalorizar.
Essa estratégia é normalmente conhecida como “shortear”, ou operar vendido – alugando um ativo e vendendo-o logo em seguida, na expectativa de recomprá-lo no futuro a um preço mais baixo.
Retornando ao exemplo do apartamento, aqui existe uma diferença importante no mercado financeiro. Se alguém estiver alugando o seu apartamento, não é possível solicitar o imóvel de volta imediatamente. Já no mercado americano, é possível.
Mesmo se o seu ativo estiver alugado, você pode realizar a venda a qualquer momento. Nesse caso, o contrato é encerrado e você recebe a taxa proporcional ao tempo em que o ativo permaneceu alugado.
Quem opta por alugar a carteira de investimentos deve se atentar para o funcionamento da tributação. Para Investidores não residentes nos Estados Unidos, haverá retenção do Withholding Tax de 30% na fonte pela Receita Americana e, por um acordo de reciprocidade tributária que o Brasil possui com os Estados Unidos, o Investidor não precisará fazer o pagamento para Receita Federal Brasileira, apenas informar os valores pagos no exterior na Declaração de Ajuste Anual (DAA) no ano seguinte, de acordo com a Lei 14.754/2023.
Leia mais sobre Imposto de Renda para quem investe no exterior.
Embora estejamos familiarizados com as disposições fiscais relacionadas aos assuntos aqui tratados, não estamos qualificados para oferecer aconselhamento tributário ou jurídico. Você deve consultar um profissional qualificado para tratar dessas questões.
CHEN, James. Securities Lending Overview: Processes, Pros, and Risks. New York: Dotdash Meredith, 23 ago. 2025. Disponível em: https://www.investopedia.com/terms/s/securitieslending.asp.
BRASIL. Lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023. Dispõe sobre a tributação de aplicações em fundos de investimento no País e da renda auferida por pessoas físicas residentes no País em aplicações financeiras, entidades controladas e trusts no exterior. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 13 dez. 2023. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14754.htm.
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A situação de cada investidor é única e você deve considerar seus objetivos de investimento, tolerância ao risco e horizonte de tempo antes de fazer qualquer investimento. Investir envolve risco e você pode incorrer em um lucro ou perda, independentemente da estratégia selecionada. O conteúdo acima não é uma recomendação para comprar ou vender qualquer ativo individual ou qualquer combinação de ativos.
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