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Investimentos alternativos: o que são e por que crescem nos EUA

16 set 2026

Resumo

Na trilha Cenário Global do Avenue Connection 2026, uma conversa saiu do previsível e foi direto ao ponto: o que são, de fato, os investimentos alternativos? No palco, Fernando Cortez, que lidera a operação da Blue Owl no Brasil – gestora americana com mais de US$ 300 bilhões sob gestão -, conversou com Will Castro Alves, da Avenue, sobre um mercado que já é parte do dia a dia financeiro nos Estados Unidos, mas que no Brasil ainda dá seus primeiros passos.

Neste artigo, você vai entender o que caracteriza um investimento alternativo, quais são as principais frentes desse mercado – crédito privado, real estate e participações em gestoras – e por que a liquidez costuma ser o ponto que mais gera dúvida nessa classe.

Entender essas opções faz parte de olhar para a vida financeira sem fronteiras: mesmo que a decisão de investir dependa do perfil e dos objetivos de cada pessoa, conhecer o que já é realidade para o investidor americano ajuda a enxergar o tamanho do tabuleiro. Se esse é o seu primeiro contato com o tema, vale começar por diversificação de investimentos: por que você precisa olhar além do Brasil.

O que são investimentos alternativos?

De forma simples, investimentos alternativos são aplicações fora do mercado público tradicional – ou seja, fora de ações, bonds e fundos negociados em bolsa. Eles vivem no chamado mercado privado, um universo que inclui crédito privado, real estate, private equity, venture capital e infraestrutura, entre outros. Para entender esse universo com mais profundidade, veja fundos alternativos: o que são, como funcionam e como podem compor uma carteira.

A principal característica desse universo é a menor liquidez: diferentemente de uma ação ou de um ETF, que podem ser comprados e vendidos no mesmo dia, os ativos alternativos, em geral, exigem prazos mais longos para entrada e saída. Em troca dessa menor liquidez, o investidor busca um potencial de retorno adicional e uma correlação mais baixa com os mercados tradicionais de renda fixa e bolsa. Para entender melhor esse conceito, veja o que é liquidez nos investimentos (e por que você não pode ignorar isso).

Por que o tema ganhou tanta atenção (e também desconfiança) recentemente

A operação brasileira da Krispy Kreme é uma joint venture com a AmPm, maior rede de conveniência do Brasil, com mais de 1.500 lojas nos postos Ipiranga. Segundo Marçola, essa escolha uniu o padrão global da marca ao conhecimento de um operador que já entendia as particularidades tributárias e logísticas do país – unir a expertise internacional da marca a uma forma de operar que, segundo ele, é diferente em cada país por natureza, tanto nas questões tributárias quanto nas logísticas.

Segundo ele, o alinhamento de interesses entre a marca internacional e o operador local facilitou o início da operação – e deu à AmPm liberdade para trazer sugestões locais, como os dois sabores citados acima.

A “equação de valor” por trás do preço – e a baixa exposição ao dólar

Nos últimos trimestres, o crédito privado – e especialmente o direct lending, modalidade em que gestoras como a Blue Owl financiam diretamente empresas privadas americanas – virou notícia. Houve casos isolados de inadimplência, ações de gestoras listadas caíram em bolsa e parte do mercado chegou a comparar o momento a 2008. Para entender esse debate com mais profundidade, veja a coluna crédito privado: rumores, riscos, exageros e fundamentos por trás dessa classe de ativos.

Cortez discorda dessa comparação. Para ele, o que se vive hoje é a dinâmica normal de um mercado de crédito, que tem ciclos – e não uma crise sistêmica como a de 2008, construída sobre alavancagem bancária excessiva e hipotecas de baixa qualidade empacotadas em outros produtos. Segundo o executivo, o volume de inadimplência nas carteiras da Blue Owl hoje está abaixo da média histórica dos últimos anos, e a geração de caixa das empresas financiadas melhorou nos últimos 12 meses.

"O investidor que quer buscar esse yield adicional no mercado privado precisa abrir mão, em alguma medida, da liquidez. Não existe almoço de graça no mercado financeiro, e de fato é verdade."

Fernando Cortez

Responsável pela Blue Owl no Brasil

Vale um parêntese sobre performance: de acordo com dados apresentados no painel, fundos de direct lending do setor – incluindo os da Blue Owl – entregaram, em média, retornos anualizados de aproximadamente 9% a 10% em dólar nos últimos anos. É importante lembrar que rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros, e que esse tipo de retorno vem acompanhado de menor liquidez e dos riscos próprios do crédito privado, como qualquer aplicação nessa classe.

As frentes de investimentos alternativos apresentadas no painel

Crédito privado (direct lending)

É a principal frente da Blue Owl e representa, segundo Cortez, cerca de metade do patrimônio sob gestão da empresa. Na prática, a gestora empresta recursos diretamente a empresas privadas americanas de porte médio a grande – em geral, companhias com Ebitda em torno de US$ 400 milhões -, sem passar pelos bancos tradicionais. Esse tipo de dívida costuma ter prioridade de pagamento em caso de dificuldade financeira da empresa: em geral, o credor de direct lending recebe antes de outros credores subordinados e antes dos acionistas.

Real estate por meio de contratos de aluguel de longo prazo (net lease)

A segunda frente é o real estate, com foco em uma estratégia chamada net lease (aluguel líquido). Cortez usou a Amazon como exemplo educacional para explicar a lógica: uma empresa que possui galpões logísticos antigos, registrados no balanço a um valor contábil defasado, pode vender esses imóveis para um investidor como a Blue Owl e, em seguida, alugá-los de volta por 15 a 20 anos, permanecendo responsável por despesas como impostos, seguro e manutenção. A empresa libera caixa para investir na própria operação, e o investidor passa a receber um aluguel de longo prazo, com reajustes contratuais anuais. Para entender melhor esse tipo de ativo, veja private real estate: imóveis privados como motor de renda e diversificação e REITs: o que são e os principais tipos.

Na prática, o veículo usado para isso costuma ser um real estate investment trust (REIT) privado – diferente dos REITs negociados em bolsa, que têm volatilidade e correlação mais parecidas com as de ações. Segundo Cortez, a estrutura privada tende a ter volatilidade bem menor e correlação baixa com renda fixa e bolsa, mas em troca oferece menos liquidez do que um REIT listado.

Participações em gestoras de private equity

A terceira frente, menor em volume, é o que a Blue Owl chama de estratégia de capital estratégico (GP Capital): em vez de gerir diretamente fundos de private equity, a gestora compra participações minoritárias em outras gestoras desse mercado e passa a receber parte das taxas de administração e performance cobradas por elas – uma forma indireta de acessar o crescimento da indústria de private equity americana. Saiba mais em o papel dos mercados privados no portfólio do investidor.

O principal ponto de atenção: a liquidez

Se há um trade-off central nesse universo, é esse: para buscar um potencial de retorno adicional, o investidor costuma abrir mão de parte da liquidez. Os fundos semilíquidos disponíveis hoje – como os que a Blue Owl oferece – permitem aportes a partir de valores bem menores do que os exigidos historicamente por investidores institucionais (que giravam em torno de US$ 1 milhão) e oferecem janelas trimestrais de resgate, limitadas normalmente a 5% do patrimônio do fundo por trimestre. Para entender essa estrutura, veja fundos semi-líquidos: o que são, como funcionam e suas características.

Foi justamente esse mecanismo – chamado de prorrateio, ou “prorata” – que gerou parte do questionamento recente sobre a indústria. Quando os pedidos de resgate somados superam esse limite, cada investidor recebe apenas uma fração proporcional do que solicitou, e o restante fica para o trimestre seguinte.

"O gate, ele não tem que ser encarado como um mecanismo negativo, pelo contrário, ele é um mecanismo de proteção."

Fernando Cortez

Responsável pela Blue Owl no Brasil

Para Cortez, esse desenho não é necessariamente um sinal negativo: ele explica que a regra existe para evitar que o gestor seja forçado a vender ativos ilíquidos com desconto em momentos de estresse, o que machucaria a performance de quem ficou no fundo. Na visão dele, é um mecanismo de resguardo, não um sinal de que algo deu errado.

Isso não elimina o ponto central: fundos alternativos, mesmo os chamados semilíquidos, não têm a mesma dinâmica de entrada e saída de uma ação ou de um fundo de renda fixa tradicional. Antes de considerar esse tipo de aplicação, vale entender bem o horizonte de tempo da estratégia e o quanto dessa iliquidez cabe dentro do seu perfil e dos seus objetivos.

Alternativos e a vida financeira sem fronteiras

Há dez anos, o acesso a esse tipo de estratégia era quase restrito a investidores institucionais – fundos de pensão, seguradoras, family offices – por meio de veículos fechados de oito a dez anos. Hoje, segundo Cortez, cerca de 30% do patrimônio sob gestão da Blue Owl já vem de pessoas físicas, uma fatia que vem crescendo, puxada justamente pela criação de estruturas semilíquidas com aportes menores.

Esse é um bom exemplo do que significa pensar a vida financeira sem fronteiras: entender que existe um universo de opções mais amplo do que ações, bonds e fundos tradicionais – e que parte dele já está disponível também para o investidor brasileiro, dentro das regras e do perfil de cada um.

Para quem quer se aprofundar antes de qualquer decisão, vale complementar a leitura com outros temas do Connection: infraestrutura privada: ativo estratégico para todos os cenários econômicos · o único almoço grátis do mercado · diversificação: a estratégia que pode gerenciar o seu dinheiro · como acompanhar a variação cambial do dia.

Conclusão

Investimentos alternativos deixaram de ser um tema restrito a quem já tinha um patrimônio muito grande ou acesso institucional. As estruturas evoluíram, os mínimos caíram e a discussão amadureceu – inclusive sobre os riscos, como mostrou a conversa entre Cortez e Castro Alves no Connection 2026. Mas a lição central continua a mesma de qualquer investimento: entender o que você está comprando, o prazo que isso exige e o espaço que ele ocupa dentro dos seus objetivos.

Se você quer conhecer de perto as opções de investimento internacional disponíveis para o seu perfil, abra sua conta na Avenue e comece a explorar esse universo.

FAQ sobre alternativos

O que são investimentos alternativos?
São aplicações fora do mercado público tradicional (ações, bonds e fundos negociados em bolsa), que incluem crédito privado, real estate, private equity, venture capital e infraestrutura, entre outros.

Investimentos alternativos são mais arriscados que ações?
Não necessariamente mais arriscados, mas têm um perfil de risco diferente: a principal característica é a menor liquidez, e não a volatilidade. Alguns investimentos alternativos podem passar por períodos de extrema volatilidade e envolvem risco de perda, incluindo perda total do valor investido.

O que é o mecanismo de “gate” ou prorrateio nos fundos semilíquidos?
É a regra que limita os resgates trimestrais a um percentual do patrimônio do fundo (normalmente 5%). Quando os pedidos superam esse limite, cada investidor recebe uma fração proporcional do que solicitou.

Qual o mínimo para investir em fundos alternativos hoje?
Os fundos semilíquidos disponíveis atualmente permitem aportes bem menores do que os exigidos historicamente por investidores institucionais, que giravam em torno de US$ 1 milhão. Os valores mínimos variam por fundo e devem ser confirmados diretamente com a Avenue.

Crédito privado é a mesma coisa que a crise de 2008?
Não. Segundo Fernando Cortez, da Blue Owl, o momento atual reflete a dinâmica normal de ciclos de crédito, e não uma crise sistêmica como a de 2008, que foi construída sobre alavancagem bancária excessiva e hipotecas de baixa qualidade.

Fontes

Disclaimers

Entidade: A Avenue Securities LLC é membro da FINRA e da SIPC. Oferta de serviços intermediada por Avenue Securities Banco de Investimento S.A. Veja todos os avisos importantes sobre investimento: https://avenue.us/termos/.

Investimento internacional: O investimento internacional envolve riscos especiais, incluindo flutuações cambiais, diferentes padrões de contabilidade financeira e possível volatilidade política e econômica.

Produtos alternativos: A incorporação de investimentos alternativos em um portfólio apresenta a possibilidade de perdas significativas, incluindo, em alguns casos, a perda total do valor principal investido. Além disso, alguns investimentos alternativos podem passar por períodos de extrema volatilidade e, em geral, não são adequados para todos os investidores. Estratégias de alocação de ativos e diversificação não garantem lucro nem protegem contra perdas em mercados em declínio.

Estratégia de investimento: Tenha em mente que não há garantia de que qualquer estratégia será bem sucedida ou lucrativa, nem protegerá contra uma perda.

Fundos de crédito privado – riscos: Um investimento em fundos de crédito privado envolve um alto grau de risco e deve ser considerado especulativo. Você pode perder parte ou todo o seu investimento. Não há garantia de que o objetivo de investimento do Fundo será alcançado ou que o programa de investimento do Fundo será bem-sucedido. As ações do Fundo não estão listadas em nenhuma bolsa de valores, e atualmente não existe qualquer mercado secundário para as ações do Fundo. O Fundo é projetado para investidores de longo prazo e um investimento nas ações, ao contrário de um investimento em um fundo fechado tradicional listado, deve ser considerado ilíquido. Os investidores devem considerar seus objetivos de investimento, horizontes de tempo e tolerância ao risco antes de investir no Fundo.

REITs: Certifique-se de considerar sua própria situação financeira, realizar uma pesquisa completa e consultar um profissional tributário qualificado antes de tomar qualquer decisão de investimento referente a REITs. Os investimentos em REITs e outros títulos imobiliários estão sujeitos aos mesmos riscos que os investimentos diretos em imóveis. O setor imobiliário é particularmente sensível às crises econômicas.

Fundos de investimento: Todo tipo de investimento, incluindo fundos, envolve risco. Risco refere-se à possibilidade de que você perderá dinheiro (tanto principal quanto qualquer ganho) ou não consiga ganhar dinheiro com um investimento. A mudança das condições do mercado pode criar flutuações no valor de um investimento em fundos. Além disso, existem taxas e despesas associadas ao investimento em fundos que geralmente não ocorrem na compra de ativos individuais diretamente.

Performance de fundos: Os dados de desempenho apresentados representam o desempenho passado, o que não é garantia de resultados futuros. O retorno do investimento e o valor principal de um investimento flutuarão; portanto, você pode ter um ganho ou perda quando vender suas ações. As ações de um investidor, quando resgatadas, podem valer mais ou menos do que seu custo original. O desempenho atual pode ser maior ou menor do que os dados de desempenho citados. Para obter dados de desempenho atualizados para o final do mês mais recente, entre em contato com [email protected]. O desempenho reflete a dedução das despesas do fundo, incluindo taxas de administração e outras despesas.

Exemplo ilustrativo: Este exemplo é exclusivamente para fins ilustrativos. Os casos individuais podem variar. Qualquer informação fornecida não é um resumo completo ou uma declaração de todos os dados disponíveis necessários para tomar uma decisão de investimento e não constitui uma recomendação.

Menção a empresa específica (Amazon): A situação de cada investidor é única e você deve considerar seus objetivos de investimento, tolerância ao risco e horizonte de tempo antes de fazer qualquer investimento. Investir envolve risco e você pode incorrer em um lucro ou perda, independentemente da estratégia selecionada. O conteúdo acima não é uma recomendação para comprar ou vender qualquer ativo individual ou qualquer combinação de ativos.

Afiliação com terceiros: Avenue Securities não é afiliada e não endossa as opiniões ou serviços da Blue Owl.

Conteúdo de terceiros: As informações acima foram obtidas de fontes consideradas confiáveis, mas não garantimos que sejam precisas ou completas; não constituem uma declaração de todos os dados disponíveis necessários para tomar uma decisão de investimento, nem representam uma recomendação. Quaisquer opiniões são exclusivamente do autor e não refletem, necessariamente, as da Avenue Securities ou de suas afiliadas.

Previsões e opiniões de terceiros: Não há garantia de que essas opiniões ou previsões aqui fornecidas se mostrem corretas.

Investimentos – geral: Os produtos de valores mobiliários: Não possuem seguro FDIC · Não possuem garantia bancária · Estão sujeitos a risco e podem perder valor.

Redação Avenue

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