05 jun 2026
Entender os tipos de ações disponíveis no mercado é um passo importante para investir com mais critério – especialmente para quem busca oportunidades além do mercado brasileiro.
Nem toda ação tem o mesmo perfil de risco, liquidez ou potencial de retorno. Conhecer essas diferenças ajuda o investidor a alinhar as escolhas aos seus objetivos de longo prazo.
Por isso, neste guia, vamos explicar os principais tipos de ações – ordinárias, preferenciais, blue chips, small caps, preferred stocks americanas, entre outras – e mostrar como esse conhecimento pode transformar a forma como você investe.
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Os diferentes tipos de ações (nos EUA chamadas de stocks) representam direitos e características específicas que influenciam diretamente a governança, os dividendos e o perfil de risco de cada ativo.
Conhecer essas distinções é fundamental para investir com critério e alinhar sua carteira aos seus objetivos no mercado com ações brasileiras e internacionais.
As ações ordinárias garantem ao investidor o direito de voto em assembleias da empresa, tornando-o participante ativo das decisões corporativas. Esse tipo de ação costuma ser mais buscado por quem valoriza o poder de influência na gestão ou quer acompanhar de perto os rumos do negócio.
Nos EUA, o equivalente às ações ordinárias são as common stocks, amplamente negociadas em bolsas como a NYSE e a Nasdaq.
As ações ON podem apresentar maior potencial de valorização em empresas com boas perspectivas de crescimento, embora isso não seja garantido e dependa das condições de mercado.
No Brasil, elas são identificadas com o sufixo ‘3’ no código (ex: XXXX3). Nos EUA, cada ticker representa uma classe de ação – algumas empresas emitem mais de uma.
As ações preferenciais dão preferência na distribuição de dividendos e, em alguns casos, prioridade no reembolso em caso de liquidação da empresa. No entanto, geralmente não conferem direito de voto ou têm esse direito limitado.
No Brasil, essas ações são identificadas pelo número ‘4’ ao final do ticker (ex: YYYY4).
Nos Estados Unidos, o conceito de ações preferenciais (preferred stocks) é substancialmente diferente das PNs brasileiras – e merece uma atenção especial. Veja a seção dedicada a seguir.
As PNs brasileiras são frequentemente buscadas por investidores que valorizam fluxo de caixa recorrente. No entanto, esse benefício pode vir com menor potencial de valorização no longo prazo. Para investidores com foco em dividendos e menor tolerância à volatilidade, as ações preferenciais podem ser um instrumento a considerar – sempre em alinhamento com o perfil e os objetivos individuais.
Além das ordinárias e preferenciais, existe uma categoria rara e estratégica: a golden share. Ela confere ao seu detentor – geralmente o governo – poder de veto em decisões-chave da companhia, independentemente da participação acionária. Seu objetivo é proteger interesses públicos ou soberanos em setores considerados críticos.
No Brasil, exemplos clássicos incluem empresas que foram privatizadas mas mantiveram essa estrutura em setores estratégicos. No exterior, o mecanismo também é utilizado em energia, defesa e infraestrutura, especialmente na Europa e em mercados emergentes.
Para o investidor comum, ações com golden share não se diferenciam nas negociações diárias, mas o poder especial atribuído a uma única ação pode impactar decisões de fusão, venda de ativos ou mudança de controle.
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O que são Preferred Stocks em uma frase
Preferred Stocks são ativos híbridos que funcionam como um ‘meio-termo’ entre ações e renda fixa: oferecem dividendos fixos e prioridade de recebimento, com comportamento de preço mais estável que as ações comuns.
Embora o nome em inglês seja semelhante às ações preferenciais (PN) brasileiras, as Preferred Stocks americanas funcionam de forma muito diferente – e entender essa distinção é fundamental para o investidor que busca diversificação internacional com foco em renda.
Legalmente classificadas como ações, as Preferred Stocks se comportam de forma muito mais próxima à renda fixa. Ao investir nelas, o investidor fornece capital para a empresa e recebe, em troca, dividendos regulares e previsíveis.
O nome ‘preferencial’ reflete duas prioridades concretas:
Trade-off: em troca dessa prioridade, acionistas preferenciais abrem mão do direito a voto nas assembleias. Esse é o principal custo de oportunidade do instrumento.
A confusão entre os dois instrumentos é comum – mas as diferenças são significativas:
| Característica | Ação Preferencial (PN) – Brasil | Preferred Stock – EUA |
| Objetivo principal | Participação em lucros e valorização | Proteção patrimonial e renda em dólar |
| Comportamento do preço | Alta volatilidade; oscila com o mercado | Baixa volatilidade; orbita o valor de face (US$ 100) |
| Dividendo | Variável; depende do conselho | Taxa fixa pré-definida sobre o valor de face |
| Frequência de pagamento | Incerta; geralmente semestral ou anual | Regular; trimestral ou mensal (dependendo da emissão) |
| Potencial de valorização | Ilimitado, mas com alto risco | Limitado; em troca de estabilidade |
| Perfil de risco | Alto – renda variável pura | Médio – comportamento híbrido (similar à renda fixa) |
| Direito a voto | Geralmente limitado | Não |
A comparação com outros instrumentos ajuda a entender o posicionamento das Preferred Stocks:
Em relação às ações comuns: enquanto ações ordinárias não têm teto de valorização, as Preferred Stocks trocam esse potencial por estabilidade. O preço tende a se manter próximo ao valor de face (geralmente US$ 100), sem grandes oscilações para cima ou para baixo.
Em relação à renda fixa (bonds): o comportamento é similar – baixa volatilidade e preços que reagem inversamente às taxas de juros. Mas há diferenças importantes:
Ao contrário das ações ordinárias, nas Preferred Stocks o dividendo é definido como uma porcentagem fixa do valor de face (Par Value) – geralmente US$ 100.
Fórmula básica: D = i × P (Dividendo = Taxa declarada × Valor de face)
Exemplo: uma Preferred Stock com taxa de 6% e valor de face de US$ 100 pagará US$ 6,00 por ano em dividendos – independentemente do lucro da empresa.
| Atenção – dividendos não são garantidos Embora a taxa seja pré-definida, o conselho de administração tem autoridade para suspender o pagamento de dividendos caso a empresa enfrente dificuldades financeiras. Diferente dos bonds, acionistas preferenciais têm menos proteção legal para exigir esses pagamentos. |
Para saber quando e se o dividendo será creditado, o investidor deve acompanhar quatro datas:
| Data | O que significa |
| Declaration Date | O conselho anuncia o dividendo, definindo o valor e as próximas datas. O dividendo passa a ser um passivo legal da empresa. |
| Ex-Dividend Date | Data crítica: quem compra na ou após esta data não recebe o dividendo anunciado. A compra deve ocorrer pelo menos um dia útil antes. |
| Record Date | A empresa registra oficialmente quem possui as ações e tem direito ao pagamento. Com o ciclo T+1 nos EUA, costuma coincidir com a Ex-Date. |
| Payment Date | O dividendo é depositado na conta do investidor. |
Dependendo da emissão, uma Preferred Stock pode ter características diferentes:
| Tipo | Como funciona |
| Cupom fixo | O tipo mais comum. Paga um dividendo que não muda ao longo da vida do ativo, oferecendo máxima previsibilidade de renda. |
| Cupom variável (fixed-to-floating) | A taxa é fixa por um período inicial (ex: 5 anos) e depois passa a ser reajustada com base em uma taxa de referência de mercado. |
| Cupom flutuante | O dividendo é ajustado continuamente, acompanhando uma taxa de referência (como o Tesouro Americano). Oferece proteção em cenários de alta de juros. |
| Cumulativa | Se a empresa suspender o dividendo, o valor fica acumulado. A empresa é obrigada a pagar todos os atrasados antes de distribuir lucros aos acionistas ordinários. |
| Não-cumulativa | Se o dividendo não for pago em um período, o investidor perde aquele valor. Recebe apenas os dividendos efetivamente declarados. |
| Resgatável (callable) | A empresa tem o direito de recomprar as ações do investidor pelo valor de face, geralmente quando as taxas de juros caem e ela quer refinanciar a dívida mais barato. |
| Conversível | O investidor pode converter suas Preferred Stocks em ações ordinárias, capturando eventual valorização expressiva da empresa. |
| Participativa | O investidor recebe o dividendo fixo e, adicionalmente, pode receber dividendos extras caso a empresa tenha lucros excepcionais. |
Sobre as conversíveis, um exemplo prático: uma PS com valor de face de US$ 100 e preço de conversão de US$ 25 pode ser trocada por 4 ações ordinárias. Se essas ações ordinárias subirem para US$ 35, a PS conversível passa a valer US$ 140 no mercado – rompendo o limite do valor de face.
Como todo investimento, as Preferred Stocks envolvem riscos específicos que o investidor deve avaliar:
| Risco | O que significa | Em uma frase |
| Taxa de juros | Se as taxas de juros americanas sobem, o preço de mercado das PS tende a cair – investidores passam a exigir retornos maiores de novos ativos. | Juros sobem → preço das PS cai. |
| Resgate antecipado (call) | Quando os juros caem, a empresa pode recomprar as PS pelo valor de face e reemitir dívida mais barata. O investidor recebe o capital de volta e é forçado a reinvestir com rendimentos menores. | A empresa pode ‘tomar’ a PS de volta quando os juros caem. |
| Crédito | Se a empresa enfrentar dificuldades financeiras, pode suspender o pagamento de dividendos. Acionistas preferenciais têm menos proteção legal que detentores de bonds. | Em crise, o dividendo pode ser suspenso. |
| Liquidez | O volume de negociação diário de PS costuma ser menor que o de grandes ações. Isso pode resultar em spread mais largo ao comprar ou vender. | Pode ser difícil vender rápido sem aceitar um preço menor. |
| Concentração setorial | O mercado americano de PS é dominado por bancos, seguradoras e empresas de infraestrutura. Investir em PS significa ter exposição relevante ao setor financeiro. | Alta exposição à saúde de bancos e seguradoras. |
| Sem direito a voto | O investidor não pode influenciar decisões importantes da empresa. | Você não vota nas decisões da companhia. |
| Tributação | Os dividendos de Preferred Stocks podem estar sujeitos a retenção na fonte nos EUA. Consulte um especialista tributário para entender as implicações no seu caso. | Confirmar impacto fiscal com especialista. |
Para entender como avaliar o rendimento de um investimento em Preferred Stocks, veja nosso artigo sobre Dividend Yield e seu papel na carteira.
Quer comparar Preferred Stocks com títulos de renda fixa americanos? Leia: Renda fixa nos EUA: o que é e como funciona.
Além da divisão entre ordinárias e preferenciais, as ações também podem ser classificadas de acordo com seu tamanho de mercado, volume de negociação e perfil de liquidez.
As small caps são ações de empresas com menor capitalização de mercado, geralmente fora do radar dos grandes investidores institucionais. Por isso, tendem a apresentar maior volatilidade e menor liquidez – fatores que aumentam o risco da posição. Em contrapartida, podem apresentar retornos expressivos no longo prazo para quem tem tolerância ao risco e horizonte adequado, sem garantia de resultado.
Nos EUA, empresas com valor de mercado entre US$ 300 milhões e US$ 2 bilhões costumam ser classificadas como small caps. No Brasil, esse limite é mais baixo, refletindo o tamanho do mercado local.
Investir em ações small caps exige análise criteriosa, paciência e tolerância ao risco. Elas são mais sensíveis a crises e menos cobertas por analistas.
As blue chips são ações de empresas consolidadas, com alto valor de mercado, histórico sólido de resultados e grande volume de negociação. Tendem a ser mais estáveis, líquidas e acompanhadas por analistas.
Nos Estados Unidos, empresas líderes de setores como tecnologia, consumo e saúde são exemplos clássicos de blue chips. No Brasil, grandes nomes dos setores de mineração, energia e financeiro ocupam esse papel. A menção a categorias de empresas é meramente ilustrativa e não constitui recomendação de investimento.
Esses papéis são amplamente utilizados por fundos passivos, ETFs e investidores institucionais. Embora não entreguem necessariamente os maiores crescimentos do mercado, as ações blue chips costumam oferecer menor risco relativo e melhor comportamento em momentos de estresse.
As mid caps ocupam uma faixa intermediária entre as small caps e as blue chips. São empresas já consolidadas, com capitalização relevante, mas que ainda apresentam espaço significativo para crescimento.
Nos Estados Unidos, as mid caps costumam ter valor de mercado entre US$ 2 bilhões e US$ 10 bilhões. Essa categoria pode oferecer equilíbrio entre potencial de valorização e menor volatilidade – sem garantia de resultado.
As units são ativos compostos por diferentes classes de ações agrupadas em um só papel negociado na bolsa. Esse modelo é mais comum no Brasil (identificadas com final 11) e em alguns mercados da Europa.
Nos EUA, a estrutura de units existe em setores específicos, como energia, imóveis (REITs) ou no mercado de SPACs (companhias de propósito específico para aquisição).
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Expandir o olhar para além das ações brasileiras pode ser uma decisão estratégica para quem busca construir uma carteira mais diversificada e resiliente.
Ao investir em ações internacionais, o investidor tem acesso a empresas de diferentes setores, geografias, moedas e ciclos econômicos, reduzindo o risco de concentração e o viés doméstico.
A alocação em mercados globais pode permitir:
Existem diversas formas de investir em ações internacionais: diretamente via corretoras globais como a Avenue, ou por meio de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) listados na B3.
| Leia também no Portal Connection Diversificação de investimentos: por que você precisa olhar além do Brasil agora |
Dominar os diferentes tipos de ações é mais do que uma questão de conhecimento técnico: é uma ferramenta estratégica para construir uma carteira alinhada aos seus objetivos e ao seu perfil de risco.
Neste artigo, exploramos as distinções entre ações ordinárias e preferenciais, golden shares, blue chips, small e mid caps, e as Preferred Stocks americanas – um instrumento híbrido que combina características de ações e renda fixa, com foco em geração de renda em dólar.
Entender essas diferenças permite ao investidor não apenas diversificar sua exposição, mas também tomar decisões mais conscientes sobre onde, como e por que investir.
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Abra sua conta na Avenue e amplie o potencial da sua carteira.
Investimentos no exterior envolvem riscos, incluindo variação cambial e oscilações de mercado. Avalie seu perfil de investidor antes de tomar qualquer decisão.
Quais são os tipos de ações disponíveis nos EUA?
Nos Estados Unidos, predominam as ações ordinárias (common stocks), que conferem direito a voto e participação nos lucros. Algumas empresas também oferecem ações preferenciais (preferred stocks), que pagam dividendos fixos com comportamento mais próximo à renda fixa, e têm menor volatilidade que as ações ordinárias.
Para quem busca dividendos consistentes em dólar, as Preferred Stocks americanas costumam ser o instrumento mais adequado: pagam uma taxa fixa pré-definida sobre o valor de face, com maior frequência que as ações ordinárias. Ações ordinárias de empresas consolidadas (blue chips) também podem pagar bons dividendos, mas com menor previsibilidade. A escolha depende sempre do perfil, dos objetivos e do horizonte de cada investidor – e os dividendos de Preferred Stocks não são garantidos.
Preferred Stocks são ativos híbridos que combinam características de ações e renda fixa. Ao contrário das ações preferenciais (PN) brasileiras – que têm alta volatilidade e dividendo variável —, as Preferred Stocks americanas têm preço mais estável (ancorado ao valor de face de US$ 100) e dividendo fixo pré-definido. São instrumentos voltados à geração de renda, não à especulação sobre crescimento da empresa.
Small caps são empresas com menor capitalização de mercado, maior potencial de crescimento e maior volatilidade. Blue chips são empresas consolidadas, com grande volume de negociação, maior estabilidade e menor risco relativo. Ambas podem compor portfólios diversificados, dependendo do perfil do investidor.
Mid caps são empresas com capitalização de mercado intermediária – acima das small caps e abaixo das blue chips. Nos EUA, costumam ter valor de mercado entre US$ 2 bilhões e US$ 10 bilhões. Podem oferecer equilíbrio entre potencial de crescimento e estabilidade.
Sim. Por meio de uma conta em uma corretora internacional como a Avenue, o investidor brasileiro pode comprar ações, ETFs, Preferred Stocks e participar de IPOs diretamente nas bolsas americanas, em dólar. Ou pode investir indiretamente por meio de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) listados na B3.
A situação de cada investidor é única e você deve considerar seus objetivos de investimento, tolerância ao risco e horizonte de tempo antes de fazer qualquer investimento. Investir envolve risco e você pode incorrer em um lucro ou perda, independentemente da estratégia selecionada. O conteúdo acima não é uma recomendação para comprar ou vender qualquer ativo individual ou qualquer combinação de ativos.
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Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não constitui recomendação de investimento, oferta ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo financeiro. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Investimentos em ações e ativos financeiros envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. O investidor deve avaliar seu perfil de risco e, se necessário, consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão de investimento.