O investimento no Tesouro Americano (os chamados Treasuries) destaca-se como uma das alternativas mais sólidas para quem busca proteção e rentabilidade em moeda forte. Ao adquirir esses títulos, o investidor funciona como um credor do governo dos Estados Unidos, emprestando capital à maior economia do mundo em troca de um rendimento estável e previsível, pago com juros em uma data de vencimento preestabelecida. Essa dinâmica torna o ativo uma ferramenta indispensável para a diversificação de patrimônio internacional.
Considerados alguns dos ativos mais seguros do mercado financeiro global, os títulos públicos norte-americanos possuem um risco de calote (default) praticamente nulo, uma vez que são garantidos pelo governo dos EUA. Essa máxima segurança, aliada à previsibilidade dos retornos, faz com que o Tesouro Americano seja o porto seguro ideal para investidores que priorizam a preservação de capital e desejam mitigar as oscilações de carteiras mais expostas à volatilidade.
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Mas afinal, o que são Treasuries (Tesouro Americano)?
O Tesouro Americano, ou Treasuries, representa, essencialmente, uma forma de empréstimo ao governo dos EUA. O governo, como qualquer entidade, necessita de recursos para sustentar suas operações e prover serviços à sociedade, como educação, saúde e infraestrutura, além de também precisar quitar suas dívidas. Dessa forma, ele recorre a diversas fontes de receita, como imposto sobre renda, imposto sobre produtos e serviços, receitas de empresas públicas, aluguéis, vendas de bens e prestação de serviços.
No entanto, todas essas fontes podem não ser suficientes para cobrir seus gastos. Sendo assim, ele busca a solução no mercado financeiro, tomando empréstimos. E a verdade é que além dos bancos, qualquer pessoa ou empresa pode emprestar dinheiro para o governo. Em troca, ele se compromete a pagar juros e devolver o valor em uma data preestabelecida no futuro.
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Por que o Tesouro Americano é considerado por muitos, o título mais seguro do mundo?
A segurança reside na garantia do próprio governo norte-americano. O risco de não receber o dinheiro de volta é muito pequeno, dado que é altamente improvável que a maior economia do mundo dê um calote em seus credores. Portanto, os Treasuries são amplamente reconhecidos como os ativos mais seguros no mercado.
Em períodos de instabilidade econômica global, uma parte significativa dos investidores direciona seu dinheiro para o Tesouro, buscando a segurança do governo americano.
E o mais interessante é que suas taxas servem como referência para outras emissões. No mercado internacional, empresas que querem emitir títulos de renda fixa precisam pagar uma taxa de juros acima da taxa dos Treasuries, colocando um acréscimo adicional, chamado de spread, de acordo com o risco de crédito. No Brasil, essa mesma dinâmica ocorre: os títulos privados de renda fixa estão relacionados aos títulos do Tesouro e têm um incremento na taxa de juros, de acordo com o risco e o prazo.
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Quanto rendem os Treasuries hoje?
Um dos pontos que mais gera dúvida de quem está começando é: quanto, na prática, um Treasury paga de juros? A resposta muda com o tempo, porque as taxas acompanham a política monetária americana (a taxa de juros definida pelo Federal Reserve, o Fed) e as expectativas do mercado para inflação e crescimento.
De forma geral, títulos mais curtos (T-Bills) tendem a refletir mais diretamente a taxa básica do Fed, enquanto os títulos mais longos (T-Notes e T-Bonds) embutem também a expectativa de juros e inflação para as próximas décadas.
Vale reforçar: assim como qualquer taxa de mercado, o yield dos Treasuries varia diariamente e desempenho passado não garante resultados futuros. Por isso, o ideal é sempre consultar a cotação vigente no momento da decisão, e não um número fixo publicado em um artigo.
Conheça os Diferentes Tipos de Treasuries
Diferentemente do Brasil, no mercado americano a maioria dos títulos de renda fixa é prefixada. Isso significa que, ao comprar um título, você já sabe exatamente quanto receberá de juros se mantê-lo até o vencimento. Existem cinco tipos de Treasuries. Os T-Bills, T-Notes e T-Bonds são títulos prefixados:
Treasury Bills (T-Bills)
Os T-Bills são os títulos de curto prazo do Tesouro Americano, com vencimentos que variam de 4 a 52 semanas. A principal diferença deles para os outros Treasuries está na forma de compra: eles são sempre adquiridos com desconto sobre o valor de face. Ou seja, você paga menos do que os $1.000 que vai receber no vencimento, e essa diferença já representa o seu rendimento. Não há pagamento de cupons ao longo do caminho, o valor emprestado mais os juros só são pagos de uma vez, na data de vencimento.
Por conta desse prazo curto e da alta liquidez, os T-Bills são muito usados por quem quer alocar uma reserva de curto prazo em dólar, seja para ter caixa disponível para uma oportunidade futura, seja para manter uma parcela da carteira internacional em um ativo de baixíssimo risco e alta previsibilidade. É um título pensado para quem prioriza previsibilidade e liquidez, mais do que rendimento.
Se você já tem familiaridade com o Tesouro Selic, a comparação ajuda: o Tesouro Selic também tem uma data de vencimento, só que costuma ser bem mais longa que a dos T-Bills. Ainda assim, ele é usado como reserva de emergência no Brasil justamente porque, sendo pós-fixado e acompanhando a taxa Selic, você pode resgatá-lo antes do vencimento sem risco de prejuízo: o valor pago no resgate reflete o que o título rendeu até aquela data. Já o T-Bill funciona de outro jeito: é prefixado, então você já sabe o retorno exato no momento da compra, e tem prazo bem mais curto, de até 52 semanas. A previsibilidade vem de um lugar diferente, o retorno já está definido desde o início, e não da possibilidade de sair a qualquer momento sem perda.
Treasury Notes (T-Notes)
Os T-Notes são os títulos de médio prazo, com vencimentos de 2, 3, 5, 7 ou 10 anos. Diferentemente dos T-Bills, os T-Notes pagam cupons semestrais, ou seja, a cada 6 meses você recebe o proporcional de juros para o período. Na data de vencimento, é pago o último cupom semestral mais o valor de face do título, que é sempre mil dólares.
Treasury Bonds (T-Bonds)
Os T-Bonds são os títulos de mais longo prazo do Tesouro Americano, com vencimentos de 20 ou 30 anos. Assim como os T-Notes, eles pagam uma quantia fixa a cada seis meses e, no vencimento, você recebe a última parcela dos juros mais o valor de face ($1.000).
Vale um esclarecimento importante aqui, porque é uma confusão bem comum: “Bond” é o termo genérico em inglês para qualquer título de renda fixa, pode ser um título público ou um título privado, emitido por uma empresa. Já “Treasury Bond” (ou T-Bond) é especificamente o título de longo prazo emitido pelo Tesouro Americano. Todo T-Bond é um Bond, mas nem todo Bond é um T-Bond. Essa diferença fica mais clara no próximo tópico.
Leia também: Bonds: o que são e como investir?
Treasury Inflation Protected Securities (TIPS)
Os TIPS são títulos que buscam proteger o investidor contra a inflação. Os vencimentos disponíveis são de 5, 10 ou 30 anos. Diferente de outros Treasuries, o valor principal dos TIPS pode subir ou descer ao longo do tempo, a depender da inflação acumulada do período, e eles também pagam cupom semestral.
Floating Rate Notes (FRNs)
Os FRNs são títulos com prazo de 2 anos, e pagam juros de forma trimestral. As taxas vão se ajustando (ou “flutuando”), conforme mudanças nas taxas de juros americanas.
Vale ressaltar que todos esses títulos podem ser negociados no mercado secundário, ou seja, o investidor pode sair antes do prazo de vencimento. E o mercado americano é o mercado mais líquido do mundo, representando 40% de todo o mercado de renda fixa global.
Treasury Bonds x Bonds: qual a diferença?
Essa é uma das dúvidas mais comuns de quem está começando a estudar o mercado americano.
Em inglês, “Bond” é o termo guarda-chuva usado para qualquer título de dívida, funciona como “título de renda fixa” em português. Dentro desse universo, existem várias categorias: títulos corporativos (corporate bonds), títulos municipais (municipal bonds) e os títulos do governo americano, os Treasury bonds.
Quando alguém pergunta “o que é um Bond”, a resposta pode ser qualquer coisa, de uma debênture de uma empresa a um título soberano de outro país. Já quando a pergunta é especificamente sobre “Treasury Bond”, a resposta é uma só: é o título de longo prazo (20 ou 30 anos) emitido pelo Tesouro dos Estados Unidos, com a garantia do governo americano.
Isso importa na prática porque o nível de segurança é bem diferente. Um Treasury Bond tem o risco de crédito mais baixo do mercado, já que é garantido pelo governo dos EUA. Um Bond qualquer pode ter qualquer nível de risco, dependendo de quem emitiu, de uma nota AAA a um título bem mais arriscado. Se a sua intenção é buscar segurança e previsibilidade, o que você quer é um Treasury Bond, e não qualquer Bond.
O tamanho do mercado de Treasuries
O Tesouro Americano é a forma mais comum de investimento em renda fixa nos Estados Unidos. De acordo com os dados mais recentes da SIFMA (Securities Industry and Financial Markets Association), referentes ao primeiro trimestre de 2026, o estoque total do mercado de renda fixa americano soma US$ 50,5 trilhões, dos quais US$ 30,8 trilhões são Treasuries. Isso representa cerca de 61% de todo o mercado de renda fixa dos EUA.
Como investir no Tesouro Americano (Treasury Direct)
Quanto a investir em Treasuries nos EUA, assim como temos o Tesouro Direto no Brasil, existe o Treasury Direct: o sistema oficial do governo americano para a compra direta de títulos do Tesouro.
Só que aqui está um ponto que gera bastante confusão para o investidor brasileiro: o Treasury Direct só está disponível para cidadãos e residentes fiscais dos Estados Unidos. Se você mora no Brasil e não tem esse vínculo fiscal com o país, essa porta simplesmente não existe para você. Não é uma questão de burocracia extra, é uma restrição de acesso mesmo.
A alternativa, então, é abrir conta em uma corretora americana que dê acesso ao mercado de Treasuries para investidores não residentes. Assim é possível acessar o Tesouro Americano de forma direta, comprando os próprios T-Bills, T-Notes, T-Bonds, TIPS ou FRNs, ou de forma indireta, através de ETFs e fundos de investimento que tenham como estratégia principal o investimento em títulos do governo americano.
Passo a passo: como acessar Treasuries com uma conta internacional
- Abra uma conta em uma corretora americana que dê acesso ao mercado de renda fixa dos EUA para não residentes, como, por exemplo, a conta internacional da Avenue.
- Defina o objetivo do dinheiro (reserva de curto prazo, meio do caminho ou longo prazo) para escolher entre T-Bill, T-Note ou T-Bond.
- Consulte o yield vigente e o valor mínimo de aplicação antes de enviar a ordem, pois ambos mudam com frequência.
- Decida entre comprar o título diretamente ou acessar de forma indireta via ETFs/fundos que investem em Treasuries.
- Acompanhe a posição até o vencimento (ou negocie no mercado secundário, se precisar de liquidez antes do prazo).
Treasuries x Tesouro Direto x CDB: quais são as diferenças?
Essa é uma das perguntas mais buscadas por quem já investe no Brasil e está conhecendo o mercado americano agora. Os três são títulos de renda fixa, mas resolvem problemas diferentes:
| Característica | Treasuries (EUA) | Tesouro Direto (BR) | CDB (BR) |
| Emissor | Governo dos EUA | Governo brasileiro | Bancos privados no Brasil |
| Moeda | Dólar americano | Real | Real |
| Garantia | Governo dos EUA | Governo brasileiro | FGC até o limite vigente |
| Acesso p/ brasileiro | Via corretora americana (não residentes) | Direto, via Tesouro Direto | Direto, via banco/corretora |
| Uso comum na carteira | Diversificação internacional e proteção cambial | Reserva/renda fixa em real | Reserva/renda fixa em real |
Não são concorrentes diretos, pois cumprem papéis diferentes dentro de uma carteira. O Tesouro Direto e o CDB endereçam a parte da carteira em real; os Treasuries endereçam a parte da carteira que busca exposição ao dólar e ao risco de crédito do governo americano, dentro da estratégia de dolarização de patrimônio.
ETFs de Treasuries: uma forma indireta de investir
Para quem não quer escolher título por título e vencimento por vencimento, existe a opção de investir em Treasuries por meio de ETFs (fundos negociados em bolsa) especializados em dívida do governo americano. Esses fundos reúnem uma cesta de T-Bills, T-Notes ou T-Bonds de diferentes vencimentos e são negociados como uma ação, com liquidez diária na bolsa americana.
A vantagem é que, com uma única compra, o investidor ganha exposição a uma cesta diversificada de vencimentos, sem precisar montar a posição título por título. A contrapartida é que o preço de cota do ETF varia com o mercado (marcação a mercado), diferente de manter um título individual até o vencimento com retorno já definido no momento da compra.
Por que investir em Treasuries?
- Rendimento estável: A maioria dos Tesouros paga juros fixos regularmente, proporcionando um fluxo de renda previsível.
- Preservação de capital: Treasuries geralmente são considerados mais seguros em comparação a outros títulos de renda fixa e também em relação a ações, e podem ajudar a preservar o capital investido.
- Diversificação: Treasuries podem ser uma adição importante para diversificar uma carteira de investimentos, equilibrando os riscos associados a outras classes de ativos. Além de investir em títulos como os Treasuries, muitos investidores também utilizam o mercado de opções como estratégia para proteger ou potencializar ganhos em sua carteira.
E quais são os riscos envolvidos?
- Risco de crédito: Apesar de muito pequeno, não podemos deixar de citar o risco de o governo americano não honrar com os seus pagamentos. A avaliação da classificação de crédito e a saúde financeira do emissor é sempre importante.
- Risco de taxa de juros: Os preços dos títulos são afetados pelas mudanças nas taxas de juros. No caso dos títulos prefixados, quando as taxas de juros sobem, os preços dos títulos geralmente caem (uma subida ou queda da taxa de juros não vai alterar o pagamento do cupom, afetando apenas a marcação a mercado do valor de face desse Bond).
- Risco cambial: como o investimento é feito em dólar, a conversão de volta para real está sujeita à variação da taxa de câmbio — o que pode tanto ampliar quanto reduzir o resultado final em reais.
- Risco de liquidez no mercado secundário: apesar de o mercado de Treasuries ser o mais líquido do mundo, vender antes do vencimento significa aceitar o preço de mercado do momento, que pode ser menor do que o valor pago na compra.
Entenda como funciona a tributação do Tesouro Americano
É importante destacar que esse conteúdo é válido para a data de publicação original desse artigo. As regras de tributação podem mudar, e por esse motivo é muito importante que você esteja atento e confirme todas as regras vigentes no momento em que for apurar e recolher o seu imposto.
Os ganhos de capital estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda e são calculados como a diferença entre o valor de compra e o valor de venda do Bond.
Desde 1º de janeiro de 2024, de acordo com a Lei nº 14.754/23, a alíquota de IR dos ganhos de aplicações financeiras no exterior é única, fixada em 15% sobre os ganhos anuais.
Os rendimentos provenientes dos juros dos Bonds, ou seja, os cupons, também estão sujeitos à tributação do Imposto de Renda, seguindo a mesma alíquota de 15%. É importante destacar que nesse caso não há uma faixa de isenção, ou seja, todos os ganhos com investimentos no exterior serão tributados, sejam decorrentes do ganho de capital, sejam provenientes de rendimentos dos Bonds.
A tributação é anual e, se houver imposto a pagar, o recolhimento é feito via DARF, que será emitida no ano seguinte ao da apuração, dentro do programa oficial de declaração anual de IR, e que deverá ser paga no período de entrega da declaração, de acordo com o cronograma divulgado pela Receita Federal.
Leia mais: Como declarar investimentos no exterior?
FAQ: Treasuries, o Tesouro Americano
O que são Treasury Bonds?
São os títulos de longo prazo do Tesouro Americano, com vencimento de 20 ou 30 anos, que pagam juros semestrais fixos.
Qual a diferença entre T-Bills, T-Notes e T-Bonds?
O prazo de vencimento: T-Bills são de curto prazo (até 52 semanas), T-Notes de médio prazo (2 a 10 anos) e T-Bonds de longo prazo (20 a 30 anos).
É seguro investir no Tesouro Americano?
É considerado um dos investimentos mais seguros do mundo, pois é garantido pelo governo dos EUA, embora nenhum investimento seja livre de risco.
Como um brasileiro pode investir em Treasuries?
Por meio de uma conta em uma instituição americana, de forma direta ou via ETFs e fundos que investem em títulos do governo americano.
Como é tributado o rendimento dos Treasuries para brasileiros?
Ganhos de capital e cupons são tributados à alíquota única de 15% ao ano, sem faixa de isenção, conforme a Lei nº 14.754/23.
O que é o Treasury Direct?
É o sistema oficial do governo americano para compra direta de Treasuries, equivalente ao Tesouro Direto brasileiro, disponível apenas para residentes fiscais dos EUA.
Considerações finais
Investir no Tesouro Americano pode ser uma oportunidade interessante para diversificar a sua carteira de investimentos em renda fixa. Na minha visão, esse é um dos pontos de partida mais sólidos para quem está começando a pensar em uma carteira internacional. Mas, como em qualquer decisão de investimento, o mais importante é você entender bem o seu perfil de investidor e fazer uma análise cuidadosa antes de tomar qualquer decisão.
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