12 jun 2026
No mercado americano, existe uma categoria de ativo que combina características de dois mundos: a estrutura de uma ação e a previsibilidade de renda de um título de renda fixa. Esse instrumento se chama preferred stock – ou ação preferencial americana – e tem ganhado atenção crescente de investidores brasileiros que buscam gerar renda passiva em dólar com mais regularidade e menos volatilidade do que as ações ordinárias.
Mas o que são, exatamente, as preferred stocks? Como funcionam os dividendos? Quais são os tipos disponíveis e os riscos que o investidor precisa conhecer antes de decidir? Este guia responde essas perguntas do começo ao fim. Aproveite a leitura e descubra mais sobre os ativos que são novidade na plataforma da Avenue.
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Preferred stocks são instrumentos financeiros híbridos: são classificadas juridicamente como ações, mas se comportam de forma muito mais próxima a um título de renda fixa. Quem as compra torna-se acionista da empresa – mas com um conjunto diferente de direitos em relação ao acionista ordinário.
A principal diferença está em dois aspectos:
Em termos simples: a preferred stock é menos arriscada que uma ação ordinária, mas mais arriscada que um bond. Ela está no meio do espectro de risco-retorno – e é justamente esse posicionamento que a torna interessante para investidores com determinados objetivos.
O mercado de investimentos mudou.
Para entender bem as preferred stocks, é útil compará-las com os outros dois instrumentos mais comuns do mercado americano:
| Característica | Ação Ordinária (Common Stock) | Preferred Stock | Bond (Título de dívida) |
| Natureza jurídica | Ação | Ação (híbrida) | Título de dívida |
| Dividendo | Variável – depende do lucro | Fixo – definido na emissão | Cupom fixo ou variável |
| Prioridade no recebimento | Última | Antes dos ordinários | Primeira (antes das ações) |
| Direito a voto | Sim (em geral) | Não (em geral) | Não |
| Volatilidade de preço | Alta | Baixa/Média | Baixa |
| Preço âncora | Valor de mercado | Próximo ao valor de face (US$ 100) | Próximo ao par |
| Reação a alta de juros | Depende do setor | Preço cai (como renda fixa) | Preço cai |
| Investimento mínimo típico | 1 ação (qualquer valor) | Aprox. US$ 100 | US$ 1.000+ |
Uma distinção importante para o investidor brasileiro: preferred stocks americanas são muito diferentes das ações preferenciais (PN) negociadas na B3. No Brasil, as ações PN têm alta volatilidade e dividendo variável – e na prática se comportam como ações ordinárias. As preferred stocks americanas são desenhadas especificamente para gerar renda previsível com preço ancorado ao valor de face, o que as torna instrumentos com finalidades bem distintas.
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O dividendo de uma preferred stock é definido no momento da emissão e expresso como porcentagem do valor de face. Exemplo: uma preferred stock com valor de face de US$ 100 e taxa de dividendo de 6% ao ano paga US$ 6,00 por ação ao ano – geralmente distribuídos em pagamentos trimestrais de US$ 1,50 cada.
Diferente de bonds, cujo pagamento é contratualmente obrigatório, o dividendo de uma preferred stock não é garantido por lei. O Conselho de Administração da empresa tem autoridade para suspendê-lo. Por isso, é fundamental entender a situação financeira e o histórico de pagamentos da empresa emissora antes de investir.
| Data | O que significa |
| Declaration Date | Data em que a empresa anuncia o próximo pagamento de dividendo |
| Ex-Dividend Date | Data de corte: quem comprar a ação a partir dessa data não recebe o dividendo do período atual |
| Record Date | Data em que a empresa registra os acionistas elegíveis ao recebimento |
| Payment Date | Data em que o dividendo é efetivamente pago aos acionistas |
Na plataforma da Avenue, essas datas ficam disponíveis para cada ativo e são atualizadas conforme divulgação do emissor.
Dependendo da emissão, uma preferred stock pode ter características bem diferentes. Conhecê-las é essencial para escolher o instrumento mais alinhado ao seu objetivo:
| Tipo | Como funciona | Vantagem principal | Risco específico |
| Cumulativa | Dividendos suspensos acumulam e devem ser pagos antes dos acionistas ordinários receberem qualquer dividendo | Proteção ao investidor em cenário de suspensão | Não garante o recebimento imediato |
| Não-cumulativa | Dividendos suspensos são perdidos permanentemente | Emissores preferem; yields tendem a ser maiores | Perda definitiva de dividendos suspensos |
| Conversível | Pode ser convertida em ações ordinárias a um preço predeterminado | Upside potencial em caso de alta da ação ordinária | Mais complexa; conversão pode diluir o retorno |
| Callable (resgatável) | O emissor pode recomprar as ações a um preço fixo após certa data | O emissor tem flexibilidade | Investidor pode perder o ativo quando os juros caem (reinvestment risk) |
| Ajustável (floating rate) | O dividendo varia conforme uma taxa de referência (ex.: SOFR) | Proteção em cenário de alta de juros | Menor previsibilidade de renda |
| Perpétua | Sem vencimento definido | Renda contínua sem prazo para encerrar | Alta sensibilidade a variações de juros |
Como todo instrumento financeiro, as preferred stocks têm riscos específicos que precisam ser entendidos com o mesmo destaque que seus benefícios:
O dividendo de uma preferred stock não é garantido por lei. Em momentos de dificuldade financeira, o Conselho de Administração da empresa pode suspendê-lo. Em preferred stocks não-cumulativas, os dividendos suspensos são perdidos permanentemente. Em cumulativas, acumulam – mas não há garantia de quando serão pagos.
Preferred stocks se comportam como instrumentos de renda fixa na sua sensibilidade a juros: quando as taxas de juros sobem, o preço das preferred stocks tende a cair, e vice-versa. Isso é especialmente relevante no cenário atual, em que os juros longos americanos permanecem em níveis elevados. Preferred stocks perpétuas ou de longo prazo são as mais sensíveis a esse risco.
Preferred stocks callable podem ser resgatadas pelo emissor a qualquer momento após a data de call, geralmente a US$ 100. Isso ocorre tipicamente quando os juros caem – justamente quando o investidor preferiria manter o ativo gerando renda acima da média. O resultado é que o investidor recebe o principal de volta e precisa reinvestir em condições piores: o chamado risco de reinvestimento.
A preferred stock é um instrumento de crédito emitido por uma empresa específica. Se a empresa enfrentar dificuldades financeiras graves – ou falir – os detentores de preferred stocks têm prioridade sobre os acionistas ordinários, mas ficam atrás de todos os credores (detentores de bonds, fornecedores, funcionários). Em cenários extremos, pode haver perda do capital investido.
Para o investidor brasileiro, os dividendos e o principal são recebidos em dólares americanos. A variação do câmbio BRL/USD impacta o valor desses recebimentos quando convertidos para reais. Alta do dólar beneficia; queda do dólar reduz o valor em reais – independentemente do desempenho do ativo em si.
Os dividendos recebidos de preferred stocks estão sujeitos à retenção de 30% na fonte nos Estados Unidos. Esse imposto é retido automaticamente antes do crédito na conta do investidor – ou seja, o valor líquido depositado já é o valor após a retenção.
Para o investidor pessoa física residente no Brasil: graças ao acordo de reciprocidade tributária entre Brasil e Estados Unidos, o imposto retido na fonte americana geralmente quita a obrigação fiscal sobre aquela renda no Brasil. Na prática, isso significa que não há dupla tributação para a maioria dos investidores brasileiros – mas cada situação tributária é individual.
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Essa é uma das perguntas mais comuns entre investidores que buscam renda em dólar. A resposta depende do objetivo, do perfil de risco e do horizonte de investimento:
| Preferred Stocks | Bonds (Títulos de dívida) |
| Investimento a partir de ~US$ 100 | Investimento mínimo geralmente a partir de US$ 1.000 |
| Dividendo fixo, mas não garantido por lei | Cupom contratualmente obrigatório (default = evento de crédito) |
| Prioridade sobre acionistas, atrás de credores | Prioridade máxima na estrutura de capital |
| Risco de call: emissor pode resgatar | Pode ou não ter opção de call |
| Geralmente sem vencimento definido (perpétuas) | Vencimento fixo na emissão |
| Tributação: 30% retido na fonte (EUA) | Tributação: 30% retido na fonte (EUA), idem |
| Acesso mais democrático – disponível em corretoras de varejo | Acesso mais restrito – muitos bonds exigem conta institucional |
Para o investidor que busca renda em dólar com ticket menor de entrada e quer diversificar para além das ações ordinárias, as preferred stocks podem ser uma alternativa interessante. Para quem precisa de segurança contratual máxima sobre o fluxo de renda, os bonds oferecem maior proteção jurídica ao credor.
As preferred stocks são instrumentos que ocupam um espaço único no mercado americano: mais previsíveis que ações ordinárias, mais acessíveis que bonds corporativos, mas com riscos próprios que precisam ser entendidos com atenção – especialmente o risco de suspensão de dividendos, o risco de juros e o risco de call.
Para o investidor brasileiro que busca construir um fluxo de renda em dólar, diversificar além das ações ordinárias e ter acesso a instrumentos do mercado americano com ticket de entrada mais acessível, as preferred stocks merecem estar no radar – sempre com compreensão clara do que está sendo comprado e com análise do emissor.
Não. Essa é uma das confusões mais comuns. As ações preferenciais (PN) negociadas na B3 têm alta volatilidade e dividendo variável, comportando-se na prática como ações ordinárias. As preferred stocks americanas são desenhadas para pagar renda previsível com preço ancorado ao valor de face – instrumentos com finalidades, características e comportamento de mercado completamente diferentes.
O valor de face padrão das preferred stocks é de US$ 100 por ativo – muito mais acessível que a maioria dos títulos de dívida corporativos americanos, que geralmente exigem investimento mínimo de US$ 1.000.
Não. O Conselho de Administração da empresa tem autoridade para suspender o pagamento de dividendos. É um risco inerente ao instrumento que o investidor precisa considerar antes de investir. Em preferred stocks cumulativas, os dividendos suspensos acumulam e devem ser pagos antes de qualquer distribuição aos acionistas ordinários. Em não-cumulativas, os dividendos suspensos são perdidos.
As datas de declaração, ex-dividendo, registro e pagamento ficam disponíveis diretamente na plataforma da Avenue para cada ativo, e são atualizadas conforme divulgação do emissor.
Investindo pela Avenue, seus ativos são protegidos pelo SIPC (Securities Investor Protection Corporation) em caso de falência da corretora – cobertura de até US$ 500.000 por cliente, sendo até US$ 250.000 em dinheiro em conta. A proteção do SIPC não cobre perdas decorrentes de variações de mercado.
A situação de cada investidor é única e você deve considerar seus objetivos de investimento, tolerância ao risco e horizonte de tempo antes de fazer qualquer investimento. Investir envolve risco e você pode incorrer em um lucro ou perda, independentemente da estratégia selecionada. O conteúdo acima não é uma recomendação para comprar ou vender qualquer ativo individual ou qualquer combinação de ativos.
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Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não constitui recomendação de investimento, oferta ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo financeiro. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Investimentos em ações e ativos financeiros envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. O investidor deve avaliar seu perfil de risco e, se necessário, consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão de investimento.