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Conflito EUA x Irã segue sendo o foco do mercado

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

16 mar 2026

A semana que passou

Conflito EUA X Irã

A escalada do conflito no Oriente Médio, entre EUA e Israel contra o Irã, segue ditando o atual comportamento do mercado. Por isso, vamos à linha do tempo envolvendo os eventos da última semana, assim como seus possíveis desdobramentos, para entender os impactos no mercado. 

Impactos no mercado em função do conflito no Oriente Médio

Após recapitular cada evento, vale nós compreendermos os impactos desencadeados por cada uma das ações observadas na semana passada. Para isso, vou enumerar e comentar cada um deles a seguir.

1. Fechamento do Estreito de Ormuz. O principal ponto de preocupação do mercado é a situação do principal canal marítimo para o tráfego de petróleo, que continua fechado e acaba por pressionar o preço da commodity.

Fonte: Bloomberg.com 11/mar/2026

2. Medidas de contenção de danos. Como tentativa de mitigar o impacto no preço do petróleo, surgiram duas providências esta semana. (i) Acordo coordenado pela Agência Internacional de Energia (AIE), que envolveu 32 países-membros, para liberação do total recorde de 400 milhões de barris de reservas emergenciais — a maior intervenção na história da organização. (ii) A emissão de uma licença geral de 30 dias (válida até 11 de abril), pelo Departamento do Tesouro dos EUA, na qual permite que países comprem e recebam petróleo bruto e produtos petrolíferos russos, que já estavam carregados em navios até 12 de março e “presos no mar” devido às sanções anteriores impostas pela guerra na Ucrânia. A flexibilização temporária afeta cerca de 100 a 128 milhões de barris de óleo russo em trânsito, equivalente a quase um dia de produção global.

3. Preço do petróleo. Apesar das medidas de contenção de danos comentadas acima, o preço do petróleo se manteve elevado em torno de US$ 90/barril. 

Fonte: Tradingview.com 13/mar/2026

4. Preço da gasolina. Durante a semana o valor do combustível seguiu subindo nos EUA, causando pressão a popularidade do presidente e elevando os questionamentos acerca dos custos associados a guerra.

Fonte: Patrick De Haan no X, 11/mar/2026

5. Prejuízos à cadeia de suprimentos asiática. A essa altura já sabemos os impactos gerados pelo fechamento do Estreito de Ormuz envolvendo a cadeia de suprimentos global, principalmente os países asiáticos, os quais apresentam maior dependência do petróleo que trafega pelo canal. O gráfico abaixo ilustra de forma didática as principais regiões afetadas pelas interrupções de produção ou de canais de transmissão de petróleo, devido ao conflito até agora. O mapeamento passa pela produção de petróleo, refino, importadores de óleo e gás e até produção de químicos.

Fonte: Petar Momchev on X, 10/mar/2026

6. Contagem de reserva. Ao passo que essas interrupções acontecem, o mercado passa a calcular o tamanho das reservas dos países asiáticos que os permitam suportar o impacto de disrupções temporárias. O fator reserva é determinante para estimar a possível extensão do conflito atual. Abaixo, conseguimos observar pelo gráfico, a estimativa de dias de consumo em reservas de petróleo, por país do sudeste asiático. 

Fonte: The DailyShot 10/mar/2026

Em resumo, a última semana marcou uma escalada unilateral de ataques aéreos por parte dos EUA e Israel, focados na degradação de capacidades militares, nucleares e de comando iranianas, com retaliações iranianas diminuindo em intensidade, porém se espalhando via proxies, como o Hezbollah e incidentes no Golfo.

Então, em perspectiva, analisamos que a única alavancagem possível para o Irã nesta guerra é a manutenção do estado de caos, ou seja, a permanência do fechamento do Estreito de Ormuz. Afinal, isso  manteria a oferta de petróleo reduzida, pressionando o preço da commodity. Sendo essa uma forma mais estratégica de atingir os EUA e o mundo ocidental, causando um desbalanceamento de preços de combustível que faça a guerra perder o restante do fraco apoio popular.

Do ponto de vista dos EUA, existe o interesse em encerrar a guerra, desde que haja anúncio de troca do regime ou um novo governo no Irã com alinhado aos objetivos americanos. Curiosamente parece haver ainda uma divergência de objetivos entre Israel e EUA na região.

Sem expectativa de um cessar-fogo imediato, as declarações contraditórias de Trump e a consolidação de Mojtaba Khamenei como líder supremo, intensificaram a tensão regional. A escalada acaba justificando o “playbook de guerra” observado nos mercados: preços do petróleo em alta, impulsionando volatilidade nos índices acionários; temores de inflação persistente e o fenômeno de estagflação (combina simultaneamente estagnação econômica, alto desemprego e inflação elevada); além de impactos no comércio global e suprimentos energéticos, mantendo o sentimento bearish com potencial para mais oscilações. Mesmo assim, olhando o histórico de conflitos na região, os interesses envolvidos e a capacidade limitada do Irã em resistir, seguimos acreditando que o conflito terá uma resolução nas próximas semanas.

Aproveito para lembrar que fizemos uma live para comentar em detalhes sobre o assunto. Vale a pena assistir Conflito EUA x Irã: Os impactos no mercado

Economia

PIB revisado para baixo

O Departamento de Comércio (BEA) divulgou uma nova revisão significativa para baixo, relacionada ao crescimento do PIB no quarto trimestre de 2025, ajustando de 1,4% para apenas 0,7% anualizado, ficando abaixo da expectativa de mercado de cerca (1,5%). A desaceleração acentuada em relação aos trimestres anteriores (ex.: 4,4% no terceiro) reflete ajustes em gastos do consumidor, governo, exportações e importações; possivelmente influenciados por fatores como o shutdown governamental de outono. O gráfico abaixo mostra que houve revisão em todos os componentes do índice. Para o ano inteiro de 2025, o PIB cresceu 2,1%, ligeiramente abaixo da estimativa anterior e também do registrado em 2024, quando a economia se expandiu a um ritmo de 2,8%.

Apesar de ruim, este número é referente a revisão de um PIB, que já havia demonstrado uma leitura mais fraca e não trouxe impacto significativo no dado percebido, em relação ao agregado do ano.

Fonte: BEA.gov , 13/mar/2026

Inflação segue quente. De acordo com o relatório divulgado, na quarta-feira (11), pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA, registrou alta mensal e anualizada em fevereiro de 0,3% e 2,4% respectivamente, ambos em linha com as expectativas do mercado e inalterados em relação ao revelado em janeiro (2,4%). O núcleo do CPI (excluindo alimentos e energia) veio em linha com o esperado, apresentando elevação de 2,5% em 12 meses, também mostrando uma inflação inalterada ante o mês anterior. Já no mês a variação foi de 0,2% – abaixo dos 0,3% de janeiro, mas alinhado às previsões.

Fonte: CNBC.com 11/mar/2026

O dado do CPI mostrou a estabilidade da inflação, sem aceleração significativa, reforçando a trajetória de moderação gradual no início de 2026, mesmo que existam alguns rebotes em energia (influenciados por fatores como a alta do petróleo).

No entanto, na sexta-feira (13), tivemos a liberação dos dados sobre o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed). De acordo com a divulgação, o PCE subiu 0,3% em janeiro de 2026 — resultando em uma taxa de inflação anual de 2,8%, ligeiramente abaixo dos 2,9% de dezembro de 2025, mas em linha com as expectativas do mercado.

O problema foi a surpresa nos números referentes ao núcleo PCE (que exclui os preços voláteis de alimentos e energia). O núcleo indicou uma alta mensal de cerca de 0,4%, com taxa anualizada de 3,1%, conforme o esperado, mas acelerando ligeiramente dos 3,0% de dezembro, tidos como referencial, e mantendo-se em níveis elevados – o maior desde períodos anteriores em 2025.

O relatório, referente a janeiro de 2026 (ainda defasado), mostrou-se mais quente no núcleo e surpreendeu com o core PCE subindo para 3,1% anual — isso reforçou preocupações sobre a persistência da inflação acima da meta de 2%. Embora a headline tenha suavizado um pouco (2,8%), a aceleração no núcleo preocupa por sugerir que a desinflação pode estar parando ou revertendo parcialmente, após apresentar tendência de estabilização ou melhora gradual nos meses anteriores. Ao analisarmos o gráfico abaixo, encontraremos as médias de 3, 6 anualizadas, assim como a variação em 12 meses; todas apontando para cima e mostrando que a inflação segue como uma preocupação.

Fonte: Nick Timiraos no X, 13/mar/2026

As informações divulgadas na última semana (inflação e PIB), aliadas ao receio dos possíveis impactos da guerra nos preços de energia, criam um cenário de redução das apostas em cortes de juros no curto prazo e de apreensão com um cenário de stagflation (menos crescimento e recrudescimento inflacionário). O mercado tem reagido a esse conjunto, precificando menor probabilidade de afrouxamento monetário no primeiro semestre. Segundo ferramentas como a CME FedWatch (baseadas em dados recentes), as probabilidades apontam para apenas um corte esse ano, sendo o próximo somente em setembro.

Fonte: CME Fed Watch Tool, 13/mar/2026

Fonte: The Daily Shot 13/mar/2026

Impactos no mercado

O mercado de ações americano apresentou volatilidade acentuada, influenciada sobretudo pelo conflito no Oriente Médio, com os principais índices fechando em queda no acumulado: S&P 500 recuou cerca de 2%, Dow Jones perdeu aproximadamente 3% e Nasdaq caiu 1,2%. Apesar disso, houve uma recuperação parcial na segunda-feira (9), quando: o S&P 500 subiu 0,8% para 6.795,99, o Dow 0,5% para 47.740,80 e o Nasdaq 1,4% para 22.695,95; após declarações de Trump sugerindo que a guerra estaria “praticamente completa”.

Os relatórios de lucros produziram impacto limitado nesta última semana, uma vez que a temporada já se aproxima do fim. Resultados mistos de empresas como Oracle e Adobe, além de algumas de tecnologia, não animaram o mercado, enquanto ganhos em nomes como Nvidia (com upgrade de analistas) ajudaram a mitigar perdas em tech. No geral, os balanços não foram o driver principal, revelando que o foco maior está concentrado nas incertezas externas. As notícias geopolíticas dominaram com a escalada do conflito EUA-Irã, impulsionando o preço do petróleo inicialmente acima de US$ 100 por barril (fechando perto de US$ 90, após reversão) e gerando temores de inflação persistente e estagflação, agravados por um relatório de empregos fraco (perda de 92 mil vagas em fevereiro, abaixo do esperado) e dados de inflação acima do previsto.

A partir dos últimos eventos, políticas como reajustes em tarifas e decisões judiciais relacionadas, adicionaram incerteza ao comércio global. Em termos de setores, os defensivos se destacaram com desempenho relativamente melhor, como saúde, consumo essencial e utilities (ganhos ou quedas menores), enquanto o setor de energia teve alta inicial pelo óleo. No contraponto, tecnologia, industriais e consumo discricionário apresentaram os piores desempenhos, refletindo rotação para ativos mais seguros em meio ao tom cauteloso e bearish do mercado, sem descartar o surgimento de mais oscilações a depender da evolução do conflito.

No mercado das commodities, o ouro e a prata, seguem bastante voláteis devido às tensões geopolíticas mencionadas anteriormente. Sendo o ouro negociado em torno de US$ 5.200 por onça, ligeiramente em baixa mas sustentado pela demanda por ativos de refúgio seguro; e a prata na faixa de US$ 85-87 por onça, também em queda recente, mas com recuperação nos futuros.

Entretanto, é o petróleo quem rouba a cena no mercado atualmente, com preços elevados de aproximadamente US$ 93 por barril (WTI), acumulando ganhos expressivos no mês (cerca de 50% em 30 dias), fortemente impulsionado pelas preocupações com suprimentos devido ao bloqueio imposto no Estreito de Ormuz.

No mercado de juros, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA estão em alta à medida que os investidores avaliam o impacto inflacionário da guerra no Irã e dos preços mais altos do petróleo. Sendo assim, encontramos o yield do título de 10 anos em 4,26% (aumento de mais de 5 pontos-base), o de 2 anos em 3,73% (alta de mais de 9 pontos-base) e o de 30 anos em 4,88% (subida de mais de 2 pontos-base), refletindo preocupações com inflação persistente após um rali em fevereiro, que levou os yields aos menores níveis desde 2022.

A semana que se inicia

Uma nova semana (16 a 20 de março de 2026) começa e o mercado deve seguir enfrentando volatilidade em função do  cenário geopolítico tenso.

Em termos de dados econômicos, serão divulgados os dados de vendas pelo varejo nos EUA, que podem indicar a força do consumo em meio a receios com a inflação e juros altos.

Mas, o principal destaque será a reunião do Federal Reserve (Fed) na terça-feira (17) e quarta-feira (18), onde se espera pronunciamento sobre a manutenção das taxas de juros. O mercado dará atenção as atualizações de projeções econômicas do banco central americano e o seu tradicional gráfico “dot plot“, as quais podem influenciar as expectativas de cortes futuros

Confira abaixo a agenda de eventos econômicos da semana.

Resultados

Quanto aos resultados corporativos, a temporada de balanços está quase encerrada, com poucas divulgações.

Acompanhe a cobertura completa dos resultados na página: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.

William Castro Alves
@willcastroalves
Aquele abraço!
Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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