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Highlights de Davos, ouro em alta e uma última semana de janeiro que promete!

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

26 jan 2026

A semana que passou

Começamos com a retrospectiva da semana com o desenrolar de tudo o que foi dito e discutido durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. O principal destaque, sem dúvidas, foi para a participação e discurso do presidente americano, Donald Trump. Então, para manter a nossa atenção naquilo que importa para o mercado, trago os highlights da sua fala no evento.

Destaques em Davos

Discurso de Trump

Trump apresentou um discurso longo e combativo, enfatizando conquistas econômicas do primeiro ano de seu atual mandato, críticas a aliados e a visão de liderança americana. Dentre os principais assuntos podemos citar:

Crescimento econômico e inflação. Afirmou que os EUA alcançaram “o turnaround econômico mais rápido e dramático da história”, com inflação “virtualmente eliminada” e crescimento “nunca visto antes”. O tom demonstrou a autoconfiança americana como “motor econômico do planeta” — em suas palavras “quando a América ‘boom’, o mundo todo ‘boom’”.

Groenlândia. Insistiu na aquisição estratégica sob  o objetivo de “proteção mundial”, alegando que “não usará força”, mas que “um dia estará sob a bandeira dos EUA” e criticou a Dinamarca por ser “ingrata”, além de ameaçar indiretamente aliados europeus.

OTAN e aliados. O presidente americano emitiu duras críticas à Europa por dependência dos EUA, além de chamar de “perdedores” por investir em windmills (turbinas eólicas) e completar dizendo que mais eólicas significavam mais perdas econômicas para países. Na oportunidade, atacou Canadá, França (presidente Macron), Espanha e outros pela falta de contribuição.

Tarifas e comércio. Defendeu as tarifas como arma preferida dos EUA para equilibrar relações, incluindo ameaças a parceiros comerciais.

Imigração e cultura. Criticou a imigração descontrolada na Europa, apontando que o continente está “irreconhecível”, e defendeu soberania e preservação cultural ocidental.

Tecnologia e energia. Trump destacou a liderança americana em IA como parte central da superioridade econômica e tecnológica dos EUA e enfatizou as fontes de geração de energia como o novo fator decisivo na corrida global (não mais apenas modelos ou algoritmos). Algumas falas dele sobre o tema foram: “Estamos liderando o mundo em AI por uma grande margem. Estamos liderando a China por uma grande margem. Acho que o Presidente Xi respeita o que fizemos.”; “Precisamos de mais que o dobro da energia atual no país só para cuidar das plantas de AI.”

Comentou ainda que tem incentivado que as grandes empresas construam sua própria infraestrutura elétrica – “Vocês são brilhantes, têm muito dinheiro, construam suas próprias plantas”. Usou como exemplo empresas como as de Mark Zuckerberg (Meta) mostraram instalações “do tamanho de Manhattan”. Falou ainda “vamos ‘pesado’ em nuclear” ao se referir a aceleração das aprovações para novos projetos usando recursos como óleo, gás, carvão ou nuclear para alimentar data centers de AI.

A Casa Branca reforçou que o plano de AI de Trump prioriza “construir em chips americanos, fine-tuning em modelos americanos e usar aplicações americanas”  para manter a supremacia do país via hardware, software e energia.

Em resumo, Trump posicionou os EUA como imbatíveis em AI graças às políticas pró-energia e desburocratização, contrapondo visões mais cautelosas de Davos sobre riscos e governança global de IA. O discurso gerou reações mistas: alívio por descartar força na Groenlândia, mas preocupação com protecionismo e tensões transatlânticas.

Mas, para além das discussões geopolíticas e memes gerados a partir do evento, vale destacar os assuntos levantados que, de fato, são interessantes para a economia.

De Davos para a economia global

O Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum – WEF) de Davos 2026, realizado de 19 a 23 de janeiro, sob o tema “Um Espírito de Diálogo”, reuniu líderes globais para discutir desafios econômicos – em meio a tensões geopolíticas, inovações tecnológicas e riscos financeiros. Apesar do momento atual, e por mais controverso que possa parecer, o foco do encontro foi incentivar a cooperação internacional, crescimento sustentável e implantação responsável de inovações como IA. Então, baseado em destaques das sessões e relatórios oficiais, a seguir preparei um resumo dos principais pontos de impacto para a economia global e os mercados financeiros.

Perspectivas de crescimento econômico global

As estimativas são de que a economia mundial deve crescer 3,3% em 2026, impulsionada por tecnologia e comércio em expansão, superando temores de estagnação pós-pandemia. No entanto, riscos como tensões comerciais, níveis elevados de dívida pública e privada, e bolhas de ativos mantêm mercados e policymakers em alerta. Apesar de eventos como tarifas e brigas comerciais, a verdade é que o comércio global está crescendo, com tecnologia (especialmente IA) como motor principal para décadas de expansão, podendo adicionar de 0,1% a 0,8% ao PIB global via ganhos de produtividade. A geoeconomia segue sendo o maior risco global em 2026, com confrontos comerciais e disrupções revelando fragilidades nas cadeias de suprimentos.

IA, Inovação e Tecnologia. Os mercados de ações globais atingiram recordes em 2025, impulsionados pela explosão no desenvolvimento e uso de IA, e otimismo para setores de crescimento futuro. Entretanto, existem debates sobre sua representação como uma “bolha boa” – que fomenta inovação – ou uma sobrevalorização arriscada. Por exemplo, sobre o assunto IA, a visão exibe o seu potencial de aprimorar empregos, ao mesmo passo que pode substituí-los – impactando a classe média e exigindo investimentos em requalificação para sustentar o crescimento. Logo, líderes enfatizaram a necessidade de responsabilidade no processo de inovação em escala, incluindo biotecnologia e sistemas energéticos.

Economia dos EUA e políticas monetárias. As tarifas americanas foram amplamente criticadas e apontadas como protecionistas, mas os mercados de ações globais subiram, apesar de sua aplicação, questionando se a globalização falhou com o Ocidente. Até agora o consenso é que as tarifas não foram o desastre previsto por economistas, embora os riscos persistam.

Em resumo, podemos dizer que Davos 2026 destacou otimismo cauteloso com crescimento impulsionado por tecnologia, mas alertou para riscos como dívidas, bolhas e tensões comerciais. Os mercados financeiros devem priorizar adaptação a inovações e geopolítica para capturar oportunidades. Para mais detalhes, consulte o site oficial do WEF ou acesse relatórios como o Chief Economists’ Outlook January 2026 clicando aqui.

Economia

Agora, seguimos para o assunto a economia, com a divulgação de alguns dados importantes que merecem nossa atenção.

PIB forte no 3T25

Na quinta-feira (22/1), tivemos a publicação da segunda leitura do PIB dos EUA no terceiro trimestre de 2025. O resultado? Crescimento anualizado de 4,4% — acima das expectativas do mercado de 4,3%. A primeira leitura, ainda em dezembro, já havia demonstrado a força impressionante da economia americana ao marcar aumento de 4,3%, bastante acima dos 3,3% projetados. Nesse 3T25 o destaque foi a aceleração no consumo das famílias (revisado para cima) que continuou sendo o motor principal do PIB americano devido ao seu crescimento de 3,5%. Os investimentos empresariais em equipamentos e, em especial artigos de tecnologia, seguiram contribuindo positivamente com o “boom” de tecnologias como inteligência artificial. Por fim, os lucros corporativos saltaram 4,5%, saindo de dois trimestres fracos ou negativos. Abaixo temos o gráfico detalhado com a quebra por contribuições para o PIB.

Fonte: The Daily Shot 23/jan/2026

Agora, falta apenas a última peça do “quebra-cabeça” de 2025: o PIB do quarto trimestre (4T2025); previsto para sair daqui um mês. As estimativas iniciais apontam para um ritmo ainda saudável, embora o shutdown de 43 dias em outubro e novembro possa pesar negativamente no número final. Vamos continuar acompanhando de perto!

Visão geral do momento: apesar de tarifas mais elevadas para o período e inflação persistente, a atividade seguiu acelerando durante a primavera e o verão americanos.

Para o investidor: esses sinais de força da economia reforçam a premissa de que os EUA continuam resilientes, mesmo com headwinds – os ventos contrários. Isso sustenta valuations mais altos em alguns setores (especialmente de tecnologia e consumo) e pode manter o Fed cauteloso na política monetária.

Ponto importante aqui é que cada dia mais as apostas em uma possível recessão nos EUA estão sendo reduzidas consistentemente ao passo em que o consenso de crescimento econômico se eleva, como mostra o gráfico abaixo.

Fonte: Apolloacademy.com 17/jan/2026

Inflação não faz preço

Em novembro de 2025 também ocorreu a divulgação do índice de preços de gastos com consumo pessoal americano, o PCE (Personal Consumption Expenditures Price Index). O dado defasado mostrou que o núcleo do PCE – que exclui alimentos e energia – foi de 2,8% na comparação anual, exatamente alinhada às estimativas do mercado e levemente acima dos 2,7% referente ao mês anterior. Assim como, o índice geral (headline PCE), que também registrou em torno de 2,8% anual. O balanço reflete um resultado neutro, sem surpresas, com inflação ainda acima da meta de 2% do Fed, mas sem aceleração inesperada; o que mantém o cenário paciente para cortes de juros. Por enquanto, nada que mude muito o jogo.

Resultados Corporativos

Essa foi uma semana em que resultados relevantes afetaram o desempenho de ativos específicos e, aqui, eu chamo a atenção para três deles: Netflix, Intel e United Airlines. :

A Netflix (NFLX) superou expectativas com receita de US$ 12,05 bilhões (alta de 18% anual) e lucro ajustado de US$ 0,56 por ação (levemente acima do previsto), além de ultrapassar a marca de 325 milhões de assinantes pagos. Entretanto, o guidance cauteloso para 2026 (crescimento de 12-14%) e incertezas na aquisição da Warner Bros. Discovery, levaram a uma queda nas ações, atingindo cerca de 2-5% nos dias seguintes ao relatório.

A Intel (INTC) bateu as estimativas com receita de US$ 13,7 bilhões e lucro por ação de US$ 0,15 (bem acima do esperado), potencialmente impulsionado por demandas em data centers e IA.Porém, o guidance fraco para o primeiro trimestre de 2026 – indicando receita abaixo do consenso e lucro próximo de zero – provocou uma forte venda, com as ações despencando mais de 13-16% em um dia.

Já a United Airlines (UAL) entregou resultados sólidos, com lucro por ação ajustado de US$ 3,10 (acima do previsto) e receita recorde de US$ 15,4 bilhões, além de guidance confiante para 2026 com lucros entre 12 e14 dólares por ação. O somatório positivo refletiu gerando impulso nas ações, com ganhos de cerca de 2-3% no pós-relatório e otimismo sobre demanda premium e corporativa.

Acompanhe a cobertura completa dos resultados na página: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.

Impactos no mercado

Esta semana foi marcada por volatilidade nos mercados financeiros dos EUA, alavancada principalmente por tensões geopolíticas relacionadas às declarações do presidente Donald Trump sobre a Groenlândia e tarifas comerciais. Contudo, dados econômicos positivos e relatórios de lucros de empresas ajudaram em uma recuperação parcial. Na terça-feira (20), os principais índices, como S&P 500, Nasdaq e Dow Jones, caíram fortemente, mas retornaram a subir nos dias seguintes, finalizando a semana com ganhos modestos ou mistos.

Em resumo, as declarações de Trump sobre a geopolítica criaram um “vai e vem” nos preços, mas a economia sólida e bons lucros limitaram as perdas. Logo, investidores devem ficar atentos a mais declarações de Davos e dados futuros, como o PCE.

Outro assunto, digamos “brilhante”, vem chamando atenção e chegou o momento de falarmos: a escalada do ouro, a prata e os metais preciosos.

Quem quer ouro e prata?

A escalada do ouro tem atraído a atenção de todos. Na última semana, tive a oportunidade de dar algumas entrevistas e sempre surgia a pergunta sobre o tema – assista aqui minha conversa com a Muriel Porfiro da CNN Money. Também, pudera! Com uma alta acumulada de mais de 15% no ano e de mais de 80% em 12 meses, os números do ouro justificam o ganho de holofotes, conforme conseguimos observar no gráfico abaixo.

Fonte: Tradingview.com, 23/jan/2026 – Ouro

Além disso, o movimento da prata é ainda mais impressionante sob o ponto de vista de inflexão, vide gráfico a seguir apontando para alta de mais de 220% em 12 meses.

Fonte: Tradingview.com, 23/jan/2026 –  Prata

Sendo assim, penso ser importante mencionar o racional por trás da ascensão atual do ouro e de metais preciosos. Compreender os possíveis motivos que ocasionaram a subida, para depois pensar ou estimar o que pode acontecer futuramente. Em linhas gerais, os fatores que catalisaram o ouro, têm ajudado a prata do mesmo modo.

6 motivos principais

Fonte: Bloomberg.com 22/jan/2026

Fonte: Yahoo Finance by Goldman Sachs Analysis 22/jan/2026

Em perspectiva:

De modo geral, a visão do mercado segue positiva para os metais preciosos, uma vez que os vetores que impulsionaram as altas permanecem válidos. Ou seja, não houve mudança no cenário fundamental envolvendoos 6 motivos principais comentados acima. Então, as perspectivas para o ouro e tais commodities em 2026 continuam majoritariamente otimistas.

Eventualmente, existem riscos para essa tese ou exposição no atual momento:

A semana que se inicia

A última semana de janeiro promete! Promete volatilidade e emoção para os investidores…- tal qual foi o mês inteiro. Sendo os destaques três pontos principais: (i) o anúncio de juros do Fed na quarta-feira; (ii) resultados corporativos; (iii) tensões geopolíticas em voga.

Reunião do FOMC. Falando sobre a decisão do Fed acerca dos juros, o evento do FOMC ocorrerá em 2 dias, com a decisão sendo anunciada na quarta à tarde. Analistas preveem um tom “hawkish” (termo usado para referenciar uma postura mais agressiva no controle da inflação com juros altos) do Fed, mantendo os juros entre 3,50% e 3,75% – o que pode pressionar ações, caso sinalize menos cortes em 2026. O consenso é de otimismo moderado, com rotação para setores de valor e refúgios como ouro, mas volatilidade persiste devido a incertezas políticas.

Abaixo, a agenda de eventos econômicos da semana.

Para além dos dados econômicos, essa é a semana mais importante em termos de resultados corporativos do 4T25. Afinal, teremos os principais nomes de tecnologia divulgando seus números essa semana – Microsoft, Meta, Tesla, Apple, Amazon –  além de outras tradicionais empresas americanas, como: Boeing, United Health, Visa, Mastercard, Caterpillar, Exxon, Chevron, entre outras.

Confira a seguir a agenda de resultados corporativos da semana.

William Castro Alves

@willcastroalves

Aquele abraço!

Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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