Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue
10 mar 2026
Antes de iniciar o nosso resumo semanal de atualizações, convido você a conferir dois novos conteúdos já disponíveis no canal da Avenue no Youtube!
O primeiro conteúdo é sobre o cenário de crédito privado, atualmente, bastante discutido no mercado. Os questionamentos envolvendo o assunto são válidos, porém, antes de fazer qualquer movimento, é importante conhecermos mais sobre os produtos e as gestoras envolvidas nesse mercado. Por isso, fui até a Califórnia participar do Advisor Summit, da Blue Owl, e aproveitar a oportunidade única de beber direto na fonte daqueles que vivem nesse mercado. Assista um resumo da minha passagem por lá clicando aqui.
O segundo conteúdo é sobre o conflito no Oriente Médio. Com todos os acontecimentos recentes envolvendo EUA e Irã, fizemos uma live para atualizar os investidores sobre os potenciais impactos no petróleo, juros, dólar, bolsas e mais. Além disso, abordo aspectos variados e as consequências para portfólios globais no curto e médio prazo, de forma detalhada e completa. Assista a live “Conflito EUA x Irã: Os impactos no mercado” clicado aqui.
Como já adiantado acima, usei a live “Conflito EUA x Irã: Os impactos no mercado” para explicar todos os encadeamentos de fatos e consequências no mercado diante do cenário geopolítico. Então, sugiro fortemente assistir a nossa live, se quiser entender de forma completa o assunto.
Aqui, de forma simples e resumida, assim como já pontuado na semana anterior, a reação dos mercados no curto prazo indica a adoção de um comportamento padrão clássico de episódios geopolíticos de alta intensidade:
Se colocarmos em perspectiva, levando em consideração aquilo que mais interessa ao investidor – mensurar a interferência derivada dos conflitos – é preciso acompanhar esse evento por 3 espectros:
Em meio a um mar de incertezas, parece nítido, pelo menos até o momento, que a capacidade de resposta do Irã reside quase que exclusivamente no fechamento do Estreito de Ormuz para “atacar” de certa forma seus adversários. Aparentemente, essa é a principal questão acompanhada de perto pelo. Afinal, o fechamento da região inclui o canal de Ormuz, principal rota marítima para o tráfego de petróleo (quase ⅓ do petróleo do mundo – vide gráfico abaixo), gerando impacto direto no preço e consequentemente na inflação, juros, câmbio e até mesmo posicionamento dentro dos ativos de renda variável.
Sendo assim, enquanto estivermos vendo ataques e conflitos que dificultam ou impedem o escoamento do petróleo pela região, é possível que sigamos observando o mercado pressionar e operar no “modo de guerra”.
Fonte: Maps and charts of the Iran crisis by Reuters
Então, agora que os espectros foram identificados, chegou a hora de acompanharmos como foi dada a evolução dos eventos que marcaram a última semana, e assim entender os impactos que estão relacionados a cada conjunto mencionado acima.
Situação geral atual: temos visto uma guerra aérea unilateral dos EUA/Israel contra capacidades nucleares de mísseis e de comando iraniano, com retaliações do Irã via proxies e mísseis diretos. Além disso, seguimos sem indícios de invasão terrestre até o momento, contudo a escalada regional juntamente com as recentes declarações de Trump, indicam que esse é um conflito que pode durar mais. Isso justifica as altas no preço do petróleo e os demais desdobramentos em mercados, conforme comentamos acima sobre o comportamento padrão diante de cenários de guerra, como um “playbook de guerra”. O conflito entra na sua segunda semana sem projeções de encerrar em um curto prazo.
Além da visualização diária, também cabe lembrar o impacto de guerras a médio/longo prazo. Em geral, é comum que os efeitos de conflitos tenham uma vida relativamente curta e seus impactos se dissipem a médio prazo. Nesse sentido, segundo estudo do Morgan Stanley:
“Historicamente, eventos de risco geopolítico não levaram a uma volatilidade sustentada nas ações. Na verdade, 1/6/12 meses após esses eventos, o S&P 500 subiu 2%/6%/8% (…) Portanto, a menos que os preços do petróleo disparem de forma historicamente significativa e permaneçam elevados, é improvável que os eventos recentes alterem nossa visão otimista sobre as ações americanas nos próximos 6 a 12 meses.”
Fonte: Tae Kim on X 02/mar/2026
Logo, entendemos que para o investidor é melhor manter a postura de cautela e parcimônia; buscando não agir pelo impulso, guiado pelo medo ou ganância. O ideal é manter o foco em uma alocação estrutural e, eventualmente, se aproveitar das oportunidades que surgirem.
Apesar do foco legítimo na questão do conflito, essa também foi uma semana importante em termos de dados da economia americana.
Para análise de atividade econômica nos EUA, tivemos acesso a divulgação dos PMIs (Índice de Gerentes de Compras) que servem como uma boa proxy para o acompanhamento mensal do nível de atividade nos setores de serviços e indústria. No caso da indústria, o S&P Global US Manufacturing PMI®, mostrou que o índice caiu para 51.6 em fevereiro (ante 52.4 em janeiro) marcando a sétima expansão consecutiva do setor manufatureiro, embora no ritmo mais fraco em sete meses. O crescimento moderado veio de aumentos mais suaves nos dados de Produção e Novos Pedidos, impactados por: preços elevados, tarifas comerciais e condições climáticas adversas; que também afetaram a demanda. As exportações caíram pelo oitavo mês consecutivo (o pior desde abril de 2025), sendo as tarifas impostas o principal fator, resultando em uma dependência maior do mercado doméstico. O relatório também demonstrou que o emprego cresceu apenas marginalmente, enquanto a confiança empresarial melhorou para o maior nível nos últimos oito meses, apesar das preocupações com tarifas e ambiente político.
Já o relatório S&P Global US Services PMI® indicou que o índice no segmento de serviços caiu para 51.7 em fevereiro, após registro de 52.7 em janeiro; sinalizando expansão modesta no setor pelo 37º mês consecutivo, porém a mais fraca desde abril de 2025. O documento também revelou que o crescimento da atividade empresarial desacelerou devido a uma alta mais fraca nos Novos Pedidos, influenciada por incertezas com tarifas, políticas governamentais e cenário geopolítico adverso, além de declínio marginal nas exportações pelo terceiro mês. O emprego demonstrou pouca força, principalmente para preencher vagas existentes, enquanto custos operacionais obtiveram subida acentuada por tarifas e despesas com mão de obra, acelerando a inflação de preços cobrados.
Em resumo, ambos os dados combinados sugerem crescimento econômico anualizado próximo de 1,5% no 1º trimestre de 2026, com possível recuperação em março se o clima melhorar.
Fonte: S&P Global US Services PMI
Dados de emprego divulgados esta semana (04/03) pelo relatório ADP National Employment Report mostrou que o setor privado dos EUA criou 63 mil empregos em fevereiro, superando as expectativas do mercado (cerca de 50 mil) e representando a maior alta desde julho de 2025. Essa informação veio após uma revisão para baixo do dado de janeiro, ajustando de 22 mil para apenas 11 mil vagas. Os ganhos foram liderados pelos setores de construção e educação/serviços de saúde, ao mesmo passo que os salários anuais subiram 4,5% na comparação anual para quem permaneceu no emprego. Analisando o gráfico abaixo com divisão por porte de empresa, percebemos que os postos de trabalho foram criados essencialmente por pequenos negócios.
Antes de encerrar a semana, na sexta-feira (06), tivemos uma surpresa relevante e negativa. O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS) divulgou o relatório de empregos não agrícolas de fevereiro de 2026 (Payroll), que mostra uma queda no mercado de trabalho americano. Houve a perda de 92 mil vagas de emprego, um declive bem abaixo da expectativa consensual do mercado de +58 mil (contrastando com a revisão de janeiro para +126 mil). Já a taxa de desemprego subiu para 4,4%, acima da previsão de manutenção em 4,3%. Os ganhos salariais médios horários registrados de +0,4% no mês (acima do esperado) e +3,8% anual, mostram resiliência nos salários, apesar da fraqueza no emprego.
Fonte Bloomberg, elaboração Avenue
Os últimos números divulgados pelo Payroll registram a terceira perda de empregos em cinco meses (incluindo revisões negativas em dezembro), representando um dos piores resultados recentes. O histórico reacende preocupações sobre desaceleração, embora fatores temporários como clima severo de inverno e uma grande greve no setor de saúde também tenham pesado fortemente.
Baseado nos relatórios, entendemos que a queda de empregos pode ser justificada pelos impactos de eventos internos, como: o inverno rigoroso nos EUA, a greve que afetou a criação de postos de trabalho no setor de saúde e a redução de postos de trabalho pelos órgãos do governo. Ainda assim o dado denota fraqueza, além de adicionar um componente a mais de volatilidade em meio a um cenário onde os riscos inflacionários (devido ao petróleo em alta) se elevam. Afinal, se de um lado, tivemos dados fracos de emprego; do outro, o cenário inflacionário sofreu deterioração, já resultando em ajustes nas expectativas de cortes de juros para o segundo semestre. Por ora, as apostas do mercado para um novo corte de juros migraram para julho.
Chegamos praticamente ao fim da safra de balanços do quarto trimestre dos EUA. Até o momento, 96% das empresas do S&P 500 já divulgaram seus resultados do último trimestre de 2025. Então, baseado nos reportes enviados, vamos aos destaques dos principais números:
A perspectiva para o ano, em termos de guidance, tivemos projeções de crescimento de lucro por ação entre 14% e 15% para o ano calendário 2026 (acima da média histórica de ~9-10%).
Em suma, a temporada de resultados foi sólida e melhor que o previsto inicialmente, com lucros e receitas superando previsões, margens recordes e momentum de crescimento sustentado. Essa conclusão é relevante, pois mostra que as companhias americanas continuam resilientes, mesmo com juros altos e alguma incerteza econômica.
Acompanhe a cobertura completa dos resultados na página: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.
Na semana passada (de 2 a 6 de março de 2026), o mercado de ações americano apresentou desempenho misto e predominantemente negativo, influenciado por preocupações com disrupções causadas pela inteligência artificial (AI), incertezas geopolíticas (especialmente o conflito no Oriente Médio) e rotações setoriais.
O S&P 500 fechou com perdas leves a moderadas e o Nasdaq Composite caiu mais, refletindo pressão no setor de tecnologia; enquanto o Dow Jones Industrial Average recuou cerca de -1% a -1,3%. Seguimos vendo como driver importante de mercado a rotação de capital saindo de mega-caps tech (como software e chips) para setores mais defensivos e cíclicos, além de volatilidade elevada (VIX subindo).
Nos setores com bom desempenho, vimos: Utilities, Consumer Staples, Healthcare, Energy (forte alta devido ao petróleo), Industrials e Materials (beneficiados por rotação para “real economy“). Já os piores desempenhos ficaram com: Information Technology (pressão por AI disruption e valuations altas), Financials (impacto de yields e riscos) e Consumer Discretionary (mais volátil).
Em resumo, a semana foi marcada por aversão a risco em tech e busca por defensivos, energia ou ativos de refúgio. Além disso, o conflito geopolítico dominou a influência sobre os movimentos em juros e commodities, enquanto ações americanas lidaram com rotação setorial e volatilidade.
No mercado de juros, os yields tiveram movimento de alta impulsionados pelos atuais receios com o aumento nos valores do petróleo, que tendem a impactar preços e inflação no curto prazo.
Nas commodities, o destaque foi a forte alta no petróleo devido ao conflito Irã-EUA, com interrupção no Estreito de Ormuz causando riscos ao suprimento global – WTI subiu drasticamente (de US$ 67 na semana anterior para níveis próximos a US$ 90/barril) em dias. Ouro e prata acompanharam a crescente como ativos de refúgio ainda que com uma elevada volatilidade.
Nessa nova semana (de 9 a 13 de março de 2026), o mercado de ações dos EUA deve seguir operando, refletindo a volatilidade, conforme o esperado devido ao conflito no Oriente Médio, que por sua vez impulsiona os preços do petróleo e cria aversão ao risco – embora os fundamentos econômicos permaneçam relativamente sólidos.
Os dados econômicos chave que vamos acompanhar incluem: o CPI (inflação ao consumidor) na quarta-feira (11); o PPI (inflação ao produtor) na quinta (12); as revisões do PIB do 4º trimestre, PCE (gastos pessoais) e sentimento do consumidor na sexta-feira (13) — todas sensíveis à inflação e ao crescimento, podendo influenciar as expectativas de juros do Fed.
Confira abaixo nossa agenda de eventos econômicos da semana!
A agenda de resultados começa a esfriar. Resultados corporativos estão no fim da temporada do 4º tri de 2025, com destaques para Oracle (terça) e Adobe (quinta), que podem surpreender o setor de tecnologia já pressionado por temores de disrupção ocasionados pela IA. A seguir, fique também com a agenda de resultados corporativos da semana.
Acompanhe a cobertura completa dos resultados na página: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.
William Castro Alves
@willcastroalves
Aquele abraço!
Estrategista-chefe da Avenue Securities
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