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Queda das ações de softwares, crise no Bitcoin, shutdown parcial e retrospectiva da semana

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

09 fev 2026

Live

Na semana passada, realizamos nossa live mensal, na qual abordamos os principais assuntos que estão impactando os mercados: geopolítica, economia dos EUA, metais preciosos e o novo ciclo do Bitcoin. Se você não conseguiu acompanhar, convido a assistir a live gravada agora clicando aqui.

A semana que passou

A agenda americana foi impactada por shutdown parcial do governo, adiando o Payroll oficial de janeiro (já esperado para fevereiro) e JOLTS (vagas em aberto), o que gerou volatilidade extra em Wall Street e no câmbio.

O atual shutdown parcial do governo americano ocorreu, porque mais uma vez o Congresso não aprovou a tempo o pacote de financiamento para o ano fiscal – especialmente devido a disputas sobre restrições ao Departamento de Segurança Interna (DHS/ICE) após incidentes envolvendo agentes federais. O movimento começou entre 31 de janeiro e 1 de fevereiro, e afetou parcialmente agências como Defesa, Transporte, Educação, Saúde, Trabalho e Tesouro, com licenças não remuneradas temporárias de funcionários não essenciais, mas serviços críticos continuaram (ex.: segurança nacional, correios e benefícios essenciais).

A paralisação foi resolvida na última terça-feira, 3 de fevereiro, quando o presidente Trump assinou um pacote de aproximadamente US$ 1,2 trilhões. O orçamento liberado financia a maior parte do governo até setembro de 2026, agindo como garantia de pagamento retroativo aos funcionários afetados — pois, a DHS recebeu apenas uma extensão curta até 13 de fevereiro para novas negociações sobre imigração.

Mas, apesar do shutdown parcial, tivemos dados econômicos interessantes para acompanhar.

Na segunda-feira (02), tivemos acesso aos dados do ISM Manufacturing, revelando que a atividade manufatureira nos Estados Unidos expandiu inesperadamente em janeiro, demonstrando ritmo mais rápido desde 2022; e possivelmente impulsionada por um crescimento sólido nos Novos Pedidos e na Produção. O número surpreendeu positivamente ao bater com folga as expectativas (~48,5) e marcar a primeira expansão do setor manufatureiro americano em 12 meses. Destaques incluem: o maior salto nos Novos Pedidos (57,1) desde 2022; Produção (55,9) e Backlog de Ordens (51,6), com cinco das seis maiores indústrias crescendo; apesar disso, o dado Emprego ainda apresentou contração (48,1) e Pressões de Preços subiram levemente (59).

Fonte: Dailychartbook no X, 03/fev/2026

Além disso, o índice ISM de serviços permaneceu estável em 53,8 pontos em janeiro, confirmando expansão consistente no setor (>50 pontos), com destaque especial para a aceleração na atividade de negócios (57,4), apesar de um leve movimento oposto nos registros de Novos Pedidos e Emprego. Ou seja, dois indicadores que reforçam a resiliência do nível de atividade econômica americana.

Seguimos para análise sobre o mercado de trabalho americano com o relatório ADP mostrando a criação de apenas 22 mil vagas no setor privado do país em janeiro – bem abaixo das 45 mil esperadas conforme revisão para baixo do mês anterior.

Outro dado relevante de emprego foi o Initial Jobless Claims (pedidos iniciais de seguro-desemprego) divulgado na quinta-feira (05). O documento mostrou 231 mil pedidos para a última semana de janeiro — um salto de 22 mil em relação à semana anterior (209 mil) e acima das expectativas de aproximadamente 212-214 mil, sendo o maior aumento desde dezembro. Apesar da alta, possivelmente influenciada pelo clima extremo de inverno em partes dos EUA, o nível ainda permanece historicamente baixo e consistente, com um mercado de trabalho estável, sem sinais de demissões em massa.

Para finalizar, tivemos ainda o Challenger Job Cuts Report (anúncios de cortes de vagas), divulgado na quinta: empregadores americanos anunciaram cerca de 108 mil demissões planejadas em janeiro — alta de 118% ante o mesmo mês em 2025 e o maior total para janeiro desde 2009 (pior que a crise financeira inicial), com hiring intentions no menor nível histórico para o mês.

Resumindo, os dados do mercado de trabalho divulgados essa semana, sugerem um notável pessimismo corporativo para 2026 e mostra um mercado laboral ainda com certa fraqueza.

Resultados Corporativos

A temporada de resultados do S&P 500 está avançando bem, com aproximadamente 300 balanços de empresas (cerca de 60% do índice) já divulgados até 5 de fevereiro de 2026. Dessas tivemos:

A última semana revelou resultados corporativos importantes que também afetaram o desempenho de ativos específicos. Em minha avaliação, ganham destaque: Google, AMD, Qualcomm e Amazon.

Google (GOOGL): Bateu as expectativas do mercado, com receita de US$ 113,8 bi (+18% a/a) e EPS ajustado de US$ 2,82 – acima do esperado de aproximadamente US$ 2,63. Google Cloud entregou forte crescimento de +48% (receita de US$ 17,7 bi), impulsionado pela demanda por AI e infraestrutura GCP. A companhia destacou momentum em produtos de Search (+17%), Gemini e serviços, com registros de receita anual acima de US$ 400 bi pela primeira vez. No entanto, o guidance de capex para 2026 surpreendeu com valores bem mais altos (US$ 175 – US$ 185 bi), quase o dobro do ano anterior; focado em infraestrutura de AI, pressionou a queda das ações, apesar do beat. Não há menção direta a impacto negativo específico da OpenAI no release, mas o pesado investimento em capex, para competir no segmento de AI, gerou preocupação no mercado.

AMD (AMD): Atingiu as expectativas do mercado, com receita recorde de US$ 10,3 bi (+34% a/a) e EPS ajustado de US$ 1,53 – acima do esperado próximo de US$ 1,32. O segmento Data Center entregou forte crescimento (+39%) registrando receita de US$ 5,4 bi, impulsionado por EPYC CPUs e Instinct GPUs para AI, com Client e Gaming também acelerando. A companhia destacou momentum em AI e expectativa de crescimento (>60%) anual para Data Center nos próximos anos. No entanto, o guidance para Q1 2026 apresentou receita de aproximadamente US$ 9,8 bi, melhor que o consenso de cerca de US$ 9,4 bi (+32% a/a), mas com declínio sequencial em torno de 5% e tom mais cauteloso em relação às expectativas agressivas de alguns investidores por aceleração maior em AI, o que motivou a pressão sobre as ações com queda acima de 10-16% após o relatório.

Qualcomm (QCOM): Alcançou as expectativas, registrando receita recorde de US$ 12,3 bi (+5% a/a) e EPS ajustado de US$ 3,50 – superior às projeções em torno de US$ 3,41. QCT (chipset) teve receita recorde de US$ 10,6 bi, com destaques em automotive (crescimento forte >US$ 1 bi) e IoT, além de demanda por handsets premium. No entanto, o guidance para o próximo trimestre chegou mais fraco que o esperado indicando receita de US$ 10,2-11 bi e com midpoint abaixo do consenso de aproximadamente US$ 11 bi. Impactado pela escassez global do insumo memória (devido à demanda por AI e/ou data centers) que afeta diretamente as margens e o fornecimento para handsets, o que ocasionou preocupação no mercado e queda nas ações (cerca de 8-10%) após o release.

Amazon (AMZN): Resultados mistos no 4T25, com receita recorde de US$ 213,4 bi (+14% a/a), acima do esperado de aproximadamente US$ 211 bi e EPS de US$ 1,95 – levemente abaixo do consenso apontado de US$ 1,96. Destaque para o segmento de armazenamento em nuvem (AWS) com receita de US$ 35,6 bi (+24% a/a) sendo o maior crescimento em anos e acima das previsões, alavancado pela demanda por AI. Entretanto, o guidance para o primeiro trimestre de 2026 veio mais cauteloso e com o anúncio de investimentos elevados em torno de US$ 200 bi para o mesmo ano (bem acima do projetado aproximado de US$ 146 bi). As informações geraram preocupação com margens, retorno sobre investimento e pressão no caixa e fluxo de caixa, levando a queda nas ações.

Acompanhe a cobertura completa dos resultados na página: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.

Impactos no mercado

Bolsa

A semana passada foi altamente volátil, apresentando forte pressão de venda em tecnologia nos primeiros dias, seguida por uma recuperação robusta na sexta-feira (06), alavancada por uma rotação setorial e alívio em preocupações com IA.

Os principais índices encerraram mistos na semana:

As discrepâncias setoriais foram marcantes: tecnologia e software enfrentaram vendas pesadas durante a semana devido a dúvidas sobre retornos de investimentos maciços em IA (por exemplo, gastos elevados anunciados por empresas como Amazon), levando a quedas em mega-caps e software. Esse intenso sell-off de ações de software foi apelidado de “software-mageddon” ou SaaSmagedom. Além disso, essas quedas fizeram com que o índice S&P 500 de software e serviços perdesse cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado desde 28 de janeiro. Isso tudo, impulsionado por temores de disrupção causada por avanços em inteligência artificial, especialmente após o lançamento de plugins do Claude Cowork da Anthropic, para tarefas em áreas como jurídico e finanças. A seguir, o gráfico apresenta o desempenho do S&P 500 comparativamente ao setor de software, mostrando evidências sobre a diferença de performance recente.

Fonte: Bloomberg.com 06/fev/2026

Em contraste, setores cíclicos e de valor se destacaram positivamente, como por exemplo: industriais, financeiros e de energia; que ganharam força na rotação, ajudando o Dow Jones na outperform. Áreas como bens de consumo discricionário tiveram fraqueza em alguns dias, porém o movimento geral foi de saída de growth/tech para value e cyclicals; refletindo a busca por estabilidade em meio a incertezas macro e políticas.

Em resumo, a semana mostrou um “sell the tech, buy the dip in cyclicals”, com o Dow brilhando ao bater 50 mil pontos em meio à recuperação de sexta, enquanto Nasdaq e S&P ainda sentiam o peso da tech. Essa é uma tendência no mercado, que já comentamos aqui em outras semanas, e que temos acompanhado desde novembro. Mas, de fato, vimos uma intensificação nessa última semana.

E quando esses movimentos fortes acontecem, algumas coisas chamam atenção. Primeiro, é a tradicional postura exagerada de mercado que faz com que vejamos matérias como essa: ‘Is software dead?’ A pergunta que já custou US$ 1 trilhão – Brazil Journal. Algo normal! Afinal, o jornalista busca trazer a informação do que está acontecendo no mercado. Além disso,  o que  também chama atenção é o grande ajuste no múltiplo do setor – abaixo o gráfico da relação preço/lucro do setor.

Fonte: Liz Thomas on X, 03/fev/2026

Juros

No mercado de juros (Treasuries nos EUA) tivemos uma volatilidade moderada, com uma leve inclinação na curva de juros, ou seja, queda nos vértices curtos e alta nos vértices longos. Os juros ainda repercutem após a nomeação de Kevin Warsh como próximo chairman do Fed — vista como hawkish no balanço patrimonial, mas dovish em cortes de juros — e dados econômicos mistos.

Os yields de curto prazo, como o “2-year” caíram, fechando próximo de 3.50%, enquanto o “10-year” terminou a semana em torno de 4.21%; o título de “30-year” também subiu modestamente.

Investidores devem ficar alertas ao relatório de empregos atrasado e ao CPI da próxima semana, visto que podem definir o rumo dos yields e a rotação em ativos de risco.

Criptos

Seguindo essa ligação negativa com alguns espectros de tecnologia, o mercado de criptomoedas foi marcado por uma correção significativa e volátil.

O Bitcoin iniciou o período negociando na faixa dos US$ 75 – US$ 78 mil, mas enfrentou uma forte realização de lucros, liquidações em cascata e um ambiente de aversão ao risco global. O ativo chegou a testar mínimas próximas de US$ 60 mil na quinta-feira (05), registrando uma das maiores quedas diárias desde o colapso da FTX em 2022. Já no fechamento desta sexta-feira (06/02), o Bitcoin apresentou uma recuperação expressiva, subindo cerca de 10-12% no dia e retornando à região dos US$ 70 mil (flutuações entre US$ 69 mil e US$ 71 mil). Abaixo o gráfico mostra o comportamento da criptomoeda e a comparação com momentos de forte queda (drawdown) do criptoativo.

Fonte: Bitcoin Price Drawdown from ATH Chart – Glassnode 06/fev/2026

Fatores como saídas líquidas de ETFs de Bitcoin e Ethereum, vendas institucionais, redução de liquidez em stablecoins e um contexto macro que incentiva cautela contribuíram para o cenário. Apesar do repique, a semana acumula perdas de aproximadamente 10-15% para o BTC, com o mercado total de criptoativos perdendo bilhões em valor de mercado e o índice de medo e ganância dos investidores retornando a níveis de “extreme fear” – conforme mostra o gráfico abaixo.

Fonte: Crypto Fear & Greed Index 06/fev/2026

Então, trata-se de uma correção típica em ciclos de alta mais maduros. Apesar de dolorosa, tende a ajudar na eliminação de excessos e ajustes de posições alavancadas. A atenção agora se volta para os fluxos de ETFs, condições de liquidez global e possíveis catalisadores macroeconômicos na próxima semana.

A semana que se inicia

Para essa semana os principais dados econômicos são: as vendas no varejo americano na terça-feira (10); a possível divulgação do Payroll na quarta-feira (11) após adiamento na semana passada devido ao shutdown parcial do governo americano; e relatório de inflação ao consumidor americano na sexta-feira (13).

Confira abaixo a agenda de eventos econômicos da semana.

Agenda de Resultados

A agenda de resultados começa a esfriar após a divulgação nas últimas semanas de nomes conhecidos como as big techs. Mesmo assim, nomes famosos como: Coca-Cola, Ford, McDonalds, Cisco, Hilton, Airbnb, KraftHeinz, entre outras; aparecem divulgando essa semana

A seguir disponibilizamos a agenda de resultados corporativos da semana.

William Castro Alves

@willcastroalves

Aquele abraço!

Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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