16 jan 2026
Por Christopher Galvão, Analista de Fundos na Nord Investimentos
Entre as diversas discussões acaloradas que o ano de 2025 nos reservou, a possibilidade de recessão econômica nos EUA foi uma das mais destacadas, com diversos meios de comunicação, economistas e grandes bancos e gestoras projetando uma queda mais forte da maior economia do mundo em meio às incertezas dos efeitos das tarifas de importação anunciadas por Donald Trump em abril.

[Fonte: Google Notícias]
Na verdade, essa discussão sobre recessão vem desde 2022, ano em que o Federal Reserve iniciou o processo de alta de juros para controlar a inflação gerada após a pandemia.

[Fonte: Google Notícias]
No fim, o Fed levou o juro para o maior patamar desde 2001, para a faixa de 5,25% a 5,50% ao ano (alcançada em setembro de 2023).

[Fonte: Bloomberg. Elaboração Nord Investimentos. Data da consulta: 16/01/26]
Em setembro de 2024, o Fed iniciou um novo processo de flexibilização monetária, surpreendendo o mercado com um corte mais agressivo de 0,50 ponto percentual. Adivinha o que voltou a aquecer as discussões entre os economistas naquele mês? Isso mesmo, a recessão dos EUA.
Em sua última reunião, em dezembro, o Fed realizou mais um corte de juro, de 0,25 p.p., levando a taxa para a faixa de 3,50% a 3,75% a.a. A decisão, porém, não foi unânime: dos 12 membros votantes, houve um voto a favor de um corte mais intenso, de 0,50 p.p., e dois votos pela manutenção dos juros.
Essa divergência reflete o debate interno no Fed sobre o nível adequado da taxa de juros em um contexto de desaceleração gradual da atividade econômica, sem sinais de recessão, e de inflação em desaceleração, mas ainda acima da meta de 2%.
Com a atividade econômica ainda saudável (como mostrarei a seguir), aumentaram as incertezas quanto a novos cortes de juros nos próximos meses. Ainda assim, para o final de 2026, a curva de juros precifica um Fed Funds em torno de 3%, com maior probabilidade de cortes a partir da reunião de junho, já sob o início do novo mandato do presidente do Fed (que será escolhido por Trump), uma vez que Jerome Powell encerra o seu mandato em maio.

[Fonte: Bloomberg. Elaboração Nord Investimentos]
O PIB americano reforça a minha interpretação de que a economia segue desacelerando de forma saudável. O PIB anualizado apresentou alta de 4,3% no terceiro trimestre, acima das expectativas de 3,3%, com destaque para os gastos dos consumidores, responsáveis por 2,59 p.p. desse resultado, especialmente pelos gastos com serviços.

[Fonte: Charlie Billello]

[Fonte: Bureau of Economic Analysis]
Para o quarto trimestre de 2025, o Fed de Atlanta projeta um forte crescimento anualizado de 5,1%, apesar de ser bem mais otimista no momento do que as projeções do mercado, que estão em cerca de 1%.

[Fonte: Fed Atlanta]
Independentemente de qual seja a projeção correta para o PIB do quarto trimestre, os dados da atividade de serviços corroboram com a visão de uma economia saudável. Em sua última divulgação, o ISM de serviços subiu de 52,6 pontos para 54,4 (acima de 50 pontos significa expansão do setor), bem acima das expectativas de 52,2.

[Fonte: Bloomberg. Elaboração Nord Investimentos]
No mercado de trabalho, o Payroll de dezembro registrou criação de 50 mil vagas, abaixo das expectativas de 70 mil. Por outro lado, a taxa de desemprego caiu de 4,5% para 4,4%, um dos menores patamares da série histórica.

[Fonte: Charlie Billelo]
Temos observado uma queda no ritmo de contratações nos EUA, mas que vem sendo acompanhada por uma menor oferta de mão de obra devido ao menor fluxo imigratório, o que explica a dinâmica de menos vagas e queda de desemprego simultaneamente (para ser considerado desempregado, a pessoa deve estar procurando emprego; aqueles que não estão trabalhando, mas também não estão à procura, não entram no cálculo).
A minha perspectiva é de que o desemprego continuará em patamares baixos nos próximos meses, dentro dessa faixa de 4,5%-5,0%. Isso porque a população mais economicamente ativa (com idade de 25 a 54 anos) já voltou ao mercado de trabalho, com uma taxa de participação de 83,8%, acima do patamar pré-pandemia (82,9%). Já a população de idade mais avançada (acima de 55 anos) não tem se mostrado disposta a voltar a procurar emprego, com a taxa de participação em apenas 37,9%, ante 40,3% no pré-pandemia.

[Fonte: Bloomberg. Data da consulta: 16/01/26]
Na inflação, o núcleo do CPI (inflação ao consumidor) foi de +0,24% em dezembro, abaixo das expectativas de +0,30%. No ano de 2025, o núcleo fechou em +2,64%.

[Fonte: Bloomberg. Data da consulta: 16/01/26]
O resultado do núcleo abaixo do esperado decorreu da queda dos preços de bens, motivada por veículos usados, ou seja, um item transitório. Enquanto isso, a parcela mais importante da inflação, ou seja, serviços e Shelter, continua refletindo um desafio para o Fed desacelerar a inflação para a meta.
Soma-se a isso o ambiente de atividade econômica resiliente, especialmente no setor de serviços, que se relaciona com o mercado de trabalho aquecido, fator que impede uma desaceleração mais forte da inflação.
Apesar da maior incerteza quanto a futuros cortes, a atividade saudável, que vem sendo ditada pelos investimentos em tecnologia (gráfico abaixo), nos dá boas esperanças em relação à continuidade do bom desempenho dos ativos de risco da maior economia do mundo.

[Fonte: U.S. Commerce Department, Haver Analytics e PIMCO]
O grande questionamento do mercado é sobre a capacidade das grandes empresas de tecnologia de continuarem entregando resultados em meio aos altos investimentos realizados e às altas expectativas do mercado. Contudo, as companhias continuam batendo as projeções do mercado e sustentando o ambiente favorável para a bolsa.
No entanto, não podemos ignorar o ambiente de maiores incertezas geopolíticas e preços mais esticados da bolsa americana. Assim, investir apenas nos EUA não se mostra a alocação mais eficiente.
Eventualmente, uma discussão sobre recessão pode voltar a acontecer e, para saber se realmente faz sentido, é necessário seguirmos monitorando o mercado atentamente.
Uma carteira com diversificação equilibrada em diferentes classes de ativos e países se mostra a mais apropriada em meio a esse contexto. Inclusive, nas minhas colunas anteriores aqui na Avenue, já falei sobre oportunidades em outros mercados, como na China e na Argentina.
Um acompanhamento contínuo do cenário é essencial para dimensionar os riscos e oportunidades que diferentes teses podem oferecer ao seu portfólio. E é justamente isso o que farei em 2026.
Claro que não será um ano calmo ou fácil (nunca é), mas, com diligência e paciência, você pode colher bons frutos adiante.
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