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Weekly: Reprecificação dos juros

28 set 2026

Semana de reprecificação dos juros nos globais, ganhos na renda variável, e ameaças e acenos diplomáticos entre Estados Unidos e Irã na ONU movimentaram o petróleo.

Ah, e antes que eu me esqueça, esse texto não foi feito com inteligência artificial!

ONU e o petróleo: Temos um acordo à vista?

Na Assembleia Geral da ONU, Trump trouxe um discurso um tanto quanto misto:

•De um lado, o presidente dos Estados Unidos disse  que teria de decidir entre fechar um acordo que permita ao Irã se reconstruir ou “aniquilar a República Islâmica”.

•Do outro, Trump afirmou que sua reunião de três horas com autoridades iranianas foi “muito boa”, dizendo acreditar que um acordo será alcançado em algum momento.

O mesmo contraste foi vista na posição iraniana:

•Em seu discurso, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o Irã não se curvará aos Estados Unidos, defendendo também seu direito ao uso da tecnologia nuclear.

•Ainda assim, disse estar aberto à diplomacia, desde que as conversas não ocorram sob ameaça. Separadamente, um alto funcionário iraniano afirmou que o Estreito de Ormuz poderia ser reaberto em até sete dias caso os Estados Unidos aliviassem a pressão militar e suspendessem o bloqueio de seus portos.

E o preço do barril de petróleo, reflete otimismo com um possível acordo?

Apesar da queda da commodity no pregão de sexta-feira, o petróleo encerra a semana acima dos US$ 104 por barril, enquanto os contratos futuros para entrega até janeiro de 2027 permanecem acima de US$ 90.

Ou seja: Se o mercado está otimista, está igualmente cauteloso.

Brasil: Quantos cortes à frente?

Na semana passada, o Banco Central justificou o corte na Selic com sinais de desaceleração da atividade, mas manteve a comunicação cautelosa, diante dos riscos inflacionários e fiscais.

Já essa semana, o IPCA-15 trouxe inflação anualizada de 4,47% em setembro (acima dos 4,30% previstos, bem como os 4,24% da leitura anterior). Das nove categorias medidas, cinco que estiveram em deflação na leitura anterior agora voltaram ao cenário de aumento de preços.

Apesar da surpresa no dado, a curva de juros reagiu de forma contida – Já que um único dado mais aquecido não muda isoladamente a trajetória monetária.

No câmbio, o real perdeu força contra o dólar (que encerra a semana em R$ 5,18), mas grande parte do movimento acompanhou a tendência global de valorização do dólar.

Aumento de juros nos EUA

Já sabemos que na semana passada, as projeções dos diretores do Fed fizeram preço na curva de juros:

“Se o comitê enxerga maior inflação, com o conforto de um maior PIB projetado e menor expectativa de desemprego, talvez o banco central americano possa subir os juros mais cedo do que o esperado” à foi o racional do mercado.

Já essa semana, tivemos três forças que convergiram para uma abertura da curva de juros americana:

I)O Flash PMI dos Estados Unidos foi reportado em 58,4 para setembro (enquanto a leitura do mês anterior era de 56,0). Tirando o economês da questão, o PMI é uma pesquisa com empresas que funciona como um termômetro da atividade: acima de 50 indica expansão, e quanto maior a leitura, mais forte o ritmo sinalizado.

II)Um dos diretores do FOMC, Michael Barr, afirmou que provavelmente novos aumentos nos juros serão necessários para garantir que a inflação recue para a meta em tempo hábil. Apesar de que, como vimos na semana passada, a grande maioria do comitê acredita ser necessário mais um aumento na taxa em 2026, a fala de cada um dos 12 membros votantes pesa em momentos de incerteza.

III)Já vimos no bloco anterior que o petróleo permaneceu acima dos US$ 100 em grande parte da semana, e o receio de uma maior pressão inflacionária também influenciou a curva.

Como consequência, vimos as taxas (yields) das treasuries de 10 anos chegando em patamares que não víamos desde 2007, enquanto na curva longa o movimento de aversão atingiu taxas que não víamos desde 2004.

Entretanto, destaco que o movimento não foi exclusivo dos Estados Unidos, com abertura relevante nas taxas de regiões como Europa e Japão.

Deixo abaixo o atual nível da curva americana:

No radar para a semana

Segunda

• Investimento estrangeiro direto e transações correntes (BR)

Terça

• Oferta de emprego JOLTS e Confiança do consumidor nos EUA;

• IGP-M, taxa de desemprego e CAGED no Brasil;

• PMI industrial da China.

Quarta

• Variação de empregos privados da ADP, PCE e terceira leitura do PIB do 2°T26 (todos nos EUA);

• Dívida Bruta/PIB e Superávit orçamentário no Brasil

Quinta

• PMI industrial e balanço do Fed (EUA);

• Feriado na China;

• Resultados de Accenture² e Nike².

Sexta

• Payroll dos Estados Unidos;

• CPI da Zona do Euro;

• Produção industrial no BR;

• Feriado na China.

Fontes: Investing e Nasdaq

Mas, no fim das contas, tudo isso é acessório… Importante é saber que o teto da bolsa de Nova York tem US$ 1 bilhão (com B) em ouro – uma das poucas cotações em ouro que ninguém precisa conferir no aplicativo.

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Fernando Saad Benati

Formado em Administração de Empresas no Insper, também teve foco em uma educação internacional, estudando matérias como macroeconomia financeira e negociação na Bocconi (Itália), e compôs um programa de formação de líderes globais no Insead (França). Após uma breve passagem na Turim Multi Family Office, e um projeto temporário na XP, Fernando hoje atua no time de análise da Avenue, com foco especial em renda fixa internacional.

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