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Atividade econômica americana aquecida, inflação e alívio no preço do petróleo

29 jun 2026

Por William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue

A SEMANA QUE PASSOU


CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Ao longo da semana acompanhamos uma queda nos preços do barril de petróleo, com a reabertura do Estreito de Ormuz, após o anúncio do Memorando de Entendimento (Islamabad Memorandum) entre os Estados Unidos e o Irã, para encerrar o conflito e abrir um prazo de 60 dias para discutir outras questões, como o programa nuclear iraniano.

O fluxo de navios pelo canal esteve em torno de 10 a 20 navios por dia, apesar de ser substancialmente abaixo dos 130 navios por dia do período pré-conflito; além disso, dados mostram o fluxo de exportação de 6 milhões de barris de petróleo iranianos. A volta do tráfego marítimo ajudou na queda do valor do petróleo que acompanhamos ao longo da semana, com o BRENT iniciando a semana a US$ 78,74/barril, e terminando a semana perto de US$ 72,58/barril, uma queda de aproximadamente 7,8% na semana.

Fonte: Tradingview.com 26/jun/2026

Fonte: thedailyshot.com 22/jun/2026

Economia

No cenário econômico, os dados divulgados na última semana sinalizaram melhora nos Flash PMIs, mas ainda assim historicamente baixos para o sentimento de confiança do consumidor. Confira abaixo o resumo dos relatórios e a análise sobre os protagonistas da semana:

A semana contou com dois protagonistas: o dado de inflação preferido pelo Fed, o PCE, e a última revisão do PIB do 1° trimestre dos EUA. Ao começar pela inflação, percebemos que a variação mensal subiu (0,4%) em maio de 2026, porém a uma porcentagem levemente aquém dos +0,5% esperados pelo mercado, resultando em uma taxa de inflação anual de 4,1%, acima dos 3,8% de abril.

Já o núcleo PCE (que exclui os preços voláteis de alimentos e energia) indicou uma alta mensal de 0,3%, com taxa anual de 3,4%, ambos em linha com as projeções do mercado, apesar de elevado e acima dos 3,3% de abril. Serviços, Seguros e Moradia pressionaram os preços para cima.

O relatório também mostrou que os gastos dos consumidores avançaram 0,7% em maio, superando a expectativa do mercado (+0,6%), enquanto a renda pessoal aumentou 0,7% (contrariando expectativa de alta de 0,4%). Por fim, a divulgação traz que a taxa de poupança aumentou para 3%. Acompanhando a crescente, os preços de Bens aumentaram 0,4%, pressionados novamente pela gasolina (+6,5% e acima dos 5,5% em abril), e Serviços avançaram 0,5%, superior aos 0,3% do mês anterior, indicando pressões inflacionárias mais amplas (destaque para Transporte e Seguros).

Fonte: bea.gov 25/jun/2026

Junto à divulgação do PCE, tivemos a terceira, e última, leitura do PIB do 1º trimestre de 2026, com números sendo revisados para cima; saindo de um crescimento de 1,6% para 2,1% anualizado. O Departamento de Comércio atribuiu a revisão a ajustes positivos nos investimentos privados, gastos do governo e melhora na balança comercial. Afinal, a redução de importação mais do que compensou a leve queda nas exportações. Em exceção, dados de gastos dos consumidores foram revisados para baixo.

O relatório trouxe um certo alívio, mesmo com os últimos dados refletindo uma pressão de preço de forma mais ampla. Portanto, embora as leituras anuais tenham ficado dentro do previsto, o número cheio mensal mais fraco gera uma leve esperança de que a alta de preços observada no mês anterior esteja começando a perder força, devido aos aumentos mais moderados no preço de energia. Se por um lado ainda é cedo para apostar nessa perspectiva. Por outro, também é verdade que a inflação continua em patamares elevados e em posição bem acima da meta do banco central americano. Logo, o mercado passou a apostar que a política monetária pode ter uma alta ainda em 2026. A inflação já vinha se aproximando da meta de 2% do Fed, mas foi desviada pelo conflito no Oriente Médio e pelo impacto das tarifas. A mudança de rota levou os formuladores de Política Monetária a enfatizarem o risco inflacionário visto no último comunicado do FOMC, o primeiro liderado por Kevin Warsh, sobretudo agora que o mercado de trabalho emite sinais de estabilização.

O dado de inflação veio em linha com o esperado e trouxe alívio na comparação mensal. O reflexo imediato foi a queda na curva de juros de 2 anos americana, embora o rendimento siga em patamar superior ao visto antes da reunião do FOMC na semana passada. Paralelamente, o mercado futuro, segundo o CME Fed WatchTool, já aponta para um corte de juros em 2026 na próxima reunião em setembro. Além disso, vale ressaltar que essa estimativa revela uma variação de acordo com a movimentação do mercado e a divulgação de dados econômicos.

Fonte: tradingview.com 26/jun/2026

Fonte: cmegroup.com 26/jun/2026

IMPACTOS NO MERCADO

Com a inflação alta (ainda que comportada na variação mensal) e expectativa do mercado de aumento de juros, o índice dólar se fortalece, próximo das máximas em uma janela de 12 meses.

Fonte: Tradingview.com, 26/jun/2026

Para o Brasil, o impacto desse novo cenário indica um dólar mais forte e menor margem para expectativas de cortes de juros internamente no país. A semana promete um dólar levemente mais forte do que o Real, devendo fechar próximo dos R$ 5,17.

Em renda variável, a semana passada foi negativa para bolsa americana, com o S&P 500 marcando dois dias de queda superior a 1%, caminhando para encerrar em torno de 1,8%. A semana marcou uma realização de lucro por parte do mercado, com novas preocupações em relação à sustentabilidade dos investimentos em Inteligência Artificial. Consequentemente, vimos uma alta volatilidade no índice de ações sul-coreano (KOSPI), marcado pela concentração de empresas de tecnologia, responsáveis por mais de 50% do índice, sobretudo no segmento de Semicondutores. O KOSPI caiu 9,99% em um único dia, fechando a semana em déficit de 6,07% e acionando circuit breaker (interrupção temporária de todas as negociações na bolsa de valores)duas vezes na semana.

Fonte: Tradingview.com, 26/jun/2026

Outro fator que corroborou a nova preocupação com o segmento, foi o resultado de Micron, divulgado no fechamento de mercado na quarta-feira (24). O relatório reportou resultados acima da expectativa do mercado, com crescimento robusto de receita e margem bruta acima de 80%. Então, apesar do resultado acima das expectativas, a preocupação do mercado tomou conta em relação à pressão de preços, que o desbalanço entre oferta e demanda por chips de memória pode exercer no valor final dos produtos e serviços, conforme o anúncio da Apple que irá aumentar o preço dos Macbooks e iPad (CNBC – 25/jun/2026). Como reflexo do anúncio, a ação da Apple caiu em torno de 6% no dia.

Fonte: Tradingview.com, 26/jun/2026

Para finalizar, após uma semana marcada pelo mau humor do mercado em renda variável, veículos de notícia reportaram que a OpenAI, criadora do ChatGPT, planeja se tornar uma empresa listada em bolsa, mas deverá adiar seu IPO para 2027 (Fonte: YahooFinance, 26/jun/2026).

A SEMANA QUE SE INICIA

Esta semana (de 29 de junho a 3 de julho de 2026) o calendário econômico focará em dados de mercado de trabalho público e privado nos EUA, da Confiança do Consumidor medido pelo Conference Board, além do JOLTS e do ISM de Manufatura.

Os holofotes ficam para a quinta-feira (02), com a divulgação de Payroll de maio, tradicionalmente divulgado na primeira sexta-feira do mês, mas antecipada devido ao feriado da Independência Americana (4 de julho). Confira abaixo a lista de eventos da semana e na sequência o calendário completo:

Acompanhe a seguir o calendário completo de eventos da semana.

Confira também a seguir os resultados corporativos previstos para esta semana.

Acompanhe a cobertura completa dos resultados na página: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.

William Castro Alves

@willcastroalves

Aquele abraço!

Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGR Gestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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