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IPO histórico da SpaceX e inflação resiliente: como a economia global resiste aos conflitos

15 jun 2026

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

A SEMANA QUE PASSOU


CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Na última semana (5 a 12 de junho de 2026), as tensões no Oriente Médio continuaram elevadas, devido às constantes violações ao cessar-fogo entre Israel e Líbano (incluindo o Hezbollah) e impasses nas negociações entre Irã e EUA.

Israel realizou ataques aéreos em Beirute e no sul do Líbano após relatos de ataques de foguetes do Hezbollah, incluindo incidentes em 7 e 8 de junho que mataram civis e deslocaram milhares para outras regiões. O movimento xiita rejeitou aspectos do acordo mediado pelos EUA, que previa retirada ao sul do rio Litani, e respondeu com ações limitadas. Em contrapartida, o Irã lançou mísseis balísticos contra Israel em retaliação aos ataques em Beirute, marcando a primeira violação direta desde o cessar-fogo de abril. Apesar da série de ações, ambos os lados recuaram após pressão americana.

Nas negociações indiretas (mediadas por Omã, Paquistão e outros), o Irã decidiu suspender temporariamente as conversas com os EUA em sinal de protesto contra as ações israelenses no Líbano. As autoridades iranianas continuaram a destacar a persistência dos impasses relacionados ao: controle do Estreito de Ormuz, destino do urânio enriquecido, limites ao programa nuclear e sanções. Apesar disso, o presidente Donald Trump cancelou ataques planejados contra o Irã e manteve um tom otimista, afirmando repetidamente que um “grande acordo” ou “settlement” (um acordo de paz) está próximo, com finalização de documentos em dias. O chefe de Estado americano relatou contatos diretos com Netanyahu e Hezbollah para conter as hostilidades.

No Golfo Pérsico, o bloqueio naval e as restrições iranianas ao tráfego no canal de Ormuz persistem parcialmente, com relatos de interceptações americanas, ataques seletivos e incidentes com navios. O desentendimento quase rompeu a trégua frágil, mas mediações evitaram uma escalada total. O Irã mantém controle parcial e ameaça restrições maiores caso as violações continuem.

A diplomacia segue ativa, mas extremamente frágil, com o cessar-fogo resistindo por pouco diante de violações mútuas e impasses estruturais. Economicamente, como reflexo do conflito, o petróleo mostrou volatilidade após picos anteriores. Os preços oscilaram, fechando a semana em torno de US$ 85 por barril (Brent/WTI), com impactos do fluxo restrito no Estreito de Ormuz.

Economia

No cenário econômico seguimos acompanhando indicadores que mostram que o nível de atividade econômica americana avança firme e surpreendendo pela ponta de cima, ou seja, vindo mais fortes que o esperado. O gráfico abaixo mostra a evolução do Weekly Economic Index, que compila dados econômicos, funcionando como um verdadeiro termômetro comportamental do mercado ao longo das semanas.

Fonte: The Daily Shot, 09/jun/2026

Entretanto, o foco da semana esteve nos indicadores de inflação.

Segundo o relatório divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA registrou alta mensal de 0,5% (ajustado sazonalmente), ligeiramente abaixo da leitura de 0,6% de abril, porém ainda alinhado com as expectativas. Já na comparação anual, a inflação subiu para 4,2% (conforme o esperado, e acima dos esperados 3,8% de abril), atingindo o maior patamar desde abril de 2023. O núcleo do CPI (que exclui alimentos e energia) avançou 0,2% no mês (menor do que o aumento de 0,4% de abril, e do que a expectativa de 0,3%), ou da taxa de 2,9% quando anualizado, superior ao registro anterior.

Portanto, como o núcleo do CPI veio abaixo do esperado na leitura mensal, isso foi o suficiente, pelo menos por ora, para trazer uma visão mais branda para o cenário de preços nos EUA. Afinal, as expectativas e receios do mercado em relação à inflação estão elevadas em um cenário de recrudescimento do conflito no Irã. Embora o índice cheio tenha registrado patamares elevados, o CPI sugere que as pressões inflacionárias permanecem restritas aos preços de energia e alimentos, com potencial transmissão limitada aos demais componentes. Contudo, ainda é cedo para conclusões definitivas, por isso mantemos nossa projeção de juros para o ano inalterada.

Fonte: CNBC.com, 10/jun/2026

Na quinta-feira (11), tivemos acesso ao PPI (Índice de Preços ao Produtor) de maio de 2026, divulgado pelo Departamento do Trabalho americano. O índice veio acima das expectativas do mercado, alta de 1,1% na comparação mensal (ante abril) e superando a previsão de crescimento de 0,6%. No acumulado de 12 meses, o indicador avançou 6,5%, ligeiramente acima da estimativa de 6,4%. No entanto, o núcleo do PPI (que exclui itens voláteis como alimentos, energia e serviços de comércio) registrou alta de 0,4% no mês contra uma previsão de 0,5%. Logo, com um núcleo menor do que o esperado, os receios sobre a inflação também foram reduzidos, sendo recebidos positivamente pelo mercado.

O forte avanço mensal foi alavancado principalmente pelos Bens (+2,8%, maior alta da série histórica desde 2009), com destaque para o segmento de Energia (+10,7%), influenciado pela alta de 23,4% na gasolina. O fato de o segmento dos Serviços terem avançado, mesmo que de forma mais moderada (+0,3%), também foi bem recebido pelo mercado. Abaixo você confere os gráficos do índice cheio (headline) e do seu núcleo (core PPI).

Fonte: The Daily Shot ’12/jun/2026

Além dos dados de inflação foram divulgados outros indicadores relevantes para a economia americana:

Em resumo, os dados da semana passada reforçaram o quadro de inflação persistente, “pegajosa”, sobretudo nos componentes de Energia, muito influenciado pelas tensões no Oriente Médio, mas com núcleos comportados, sugerindo uma inflação menos “espalhada” pelos demais subitens. Apesar dos juros restritivos, o setor imobiliário mostrou resiliência, registrando o melhor desempenho desde dezembro de 2025. O conjunto de indicadores desenha um crescimento moderado com pressões inflacionárias acima da meta do Fed, o que deve manter as taxas de juros elevadas por mais tempo.

IMPACTOS NO MERCADO

No mercado de juros, vimos os yields (rendimentos) dos títulos do Tesouro dos EUA cederem levemente, mesmo que em patamares elevados e voláteis, com pressão alta predominante, influenciada pela: inflação mais persistente (CPI em 4,2% e PPI em 6,5%), volatilidade do petróleo devido às tensões no Oriente Médio e expectativas de que o Federal Reserve manterá a política monetária contraída por mais tempo.

Saindo do dia a dia e ampliando para uma visão panorâmica do cenário de juros nas últimas semanas, observamos que o mercado ajustou suas expectativas e apostas para 2026. Resumidamente, conforme mostra o gráfico abaixo, desde o início do conflito no Oriente Médio em fevereiro, as apostas do mercado migraram de cortes de juros em 2026, para a expectativa de aumento dos juros ainda esse ano.

Fonte: The Dailyshot 11/jun/2026

No cenário de renda variável, o mercado americano mostrou resiliência e recuperação seletiva ao longo da semana. O otimismo com tecnologia, IA e os balanços corporativos continuou sustentando o tom positivo, especialmente, após o forte sell-off que vimos no começo da semana. O Nasdaq liderou os ganhos, impulsionado pela forte recuperação de ações de Tecnologia, Semicondutores e IA. O S&P 500 registrou variações modestas, sem quebrar novas máximas. O Dow Jones teve desempenho mais fraco e volátil, com ganho modesto ou ligeira queda em alguns pregões, refletindo menor exposição ao setor tech.

Os segmentos de Tecnologia, IA e Crescimento avançaram como principais motores do positivismo, com consolidação em patamares elevados, mesmo após a correção recente. Houve rotação moderada para setores cíclicos em momentos pontuais, entretanto o foco permaneceu nas big techs e semicondutores.

Por fim, na sexta-feira (12),tivemos outro marco importante da semana: a estreia das ações da Space X sendo negociadas na Nasdaq. A abertura de capital da SpaceX alcançou o posto de maior IPO (Initial Public Offering) da história. A empresa de Elon Musk precificou as ações em US$ 135 cada, vendendo cerca de 555,6 milhões de papéis e arrecadando aproximadamente US$ 75 bilhões, com um valuation inicial de US$ 1,77 trilhão (listada na Nasdaq sob o ticker SPCX). As ações abriram já em forte alta e subiram rapidamente, catapultando o valor de mercado para além de US$ 2 trilhões e concedendo à Musk o título de primeiro trilionário do mundo.

Talvez você já saiba dessa informação, mas vale sempre lembrar que novas ações e IPO’s de empresas bastante conhecidas apresentaram fortes quedas nos primeiros 12 meses de negociação. Inclusive, o gráfico abaixo mostra que, entre as 25 maiores ofertas públicas iniciais (IPOs) desde 2010, a queda máxima média para o primeiro ano foi de 60%.

Fonte: Bushwoo Cap on X, 08/jun/2026

A SEMANA QUE SE INICIA

Para esta nova semana (de 15 a 20 de junho de 2026), o calendário econômico é dominado pela decisão de política monetária do Federal Reserve (FOMC), com atenção total a sinais sobre o rumo dos juros em meio a pressões inflacionárias persistentes. Os holofotes ficam para quarta-feira (17), com a divulgação da decisão do Fed e a coletiva de imprensa do chairman, Kevin Warsh, que promete ser analisada com atenção pelo mercado.

Além disso, confira abaixo a lista completa de indicadores da semana:

No contexto global, os dados de atividade e inflação na China, Europa e Ásia, podem influenciar commodities e moedas emergentes, com o Fed ditando o tom de risco nos mercados.

Acompanhe abaixo o calendário completo de eventos da semana.

Confira também a seguir os resultados corporativos previstos para esta semana.

Acompanhe a cobertura completa dos resultados na página: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.

William Castro Alves

@willcastroalves

Aquele abraço!

Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGR Gestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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