10 ago 2026
Por William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue

Antes de analisar o foco da última semana, vale comentar que tivemos dados relevantes para a economia como:
Agora, os holofotes mesmo ficaram sobre uma atualização importante sobre o mercado de trabalho americano junto com os resultados corporativos, que comentarei mais a seguir.
Na terça-feira (04), tivemos acesso ao relatório JOLTS (Job Openings and Labor Turnover Survey) que revela uma fotografia do mercado de trabalho nos EUA, referente ao mês de junho de 2026. De modo geral, o relatório mostrou um mercado de trabalho estável, com leve moderação na demanda por mão de obra. As vagas de emprego registraram queda de 178 mil, totalizando cerca de 7,36 milhões (taxa de 4,4%), resultado abaixo das expectativas, destacando a maior retração concentrada no setor de saúde e assistência social. Por outro lado, as contratações subiram 96 mil, alcançando perto da casa dos 5,35 milhões (taxa de 3,4%), enquanto as separações totais permaneceram praticamente estáveis em 5,4 milhões. Os pedidos voluntários de demissão (quits) ficaram em 3,2 milhões (taxa de 2,0%) e as demissões e dispensas (layoffs) se mantiveram em cerca de 1,77 milhão (taxa de 1,1%).
Dessa forma, o JOLTS reforçou o cenário de um equilíbrio moderado no mercado de trabalho americano, caracterizado por baixo volume de contratações e demissões, sem sinais de deterioração abrupta.
Já na quarta-feira (05), foi a vez do Relatório Nacional de Emprego da ADP mostrar números menores do que o esperado pelo mercado para o setor privado. Segundo os dados divulgados, o setor privado dos EUA adicionou 44 mil vagas de emprego em julho de 2026, o menor ganho em seis meses, uma vez que as expectativas de mercado giravam em torno de 70 mil. Além disso, o número de junho, antes divulgado de 98 mil, foi revisado para baixo (95 mil).
A partir desse acompanhamento, concluímos que o mercado de trabalho privado desacelerou de forma nítida em julho, com ganhos concentrados em educação e saúde e perdas em lazer e hospitalidade, junto com alguns segmentos de bens. Paralelamente, a aceleração dos salários para quem troca de emprego, sugere que ainda há escassez de mão de obra em partes específicas do mercado.

Fonte: The Daily Shot, 06/ago/2026
Para finalizar a fotografia do mercado de trabalho americano, tivemos na sexta-feira (07), a divulgação do Payroll (relatório de empregos não agrícolas de julho de 2026) pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS). O relatório apresentou uma perda de 23 mil postos de trabalho no mês, bem abaixo da expectativa de 80 mil empregos criados. Entre os apontamentos, tivemos revisões negativas para os meses de junho, com diferença de 37 mil (de +57 mil para +20 mil), e de maio com revisão de 66 mil (de +129 mil para +63 mil), totalizando 103 mil empregos a menos do que o previamente reportado.

Fonte: BLS; Elaboração: Avenue
Em contrapartida, a taxa de desemprego demonstrou melhora para 4,1% (levemente abaixo da leitura anterior de 4,2%), emitindo sinais mistos em um mercado de trabalho que continua a esfriar nos Estados Unidos. Em termos de ganhos salariais, o aumento em base anual ficou em +3,2% e o mensal em cerca de +0,1% (+2 centavos), ambos abaixo do ritmo anterior.
Quanto aos setores, a saúde continuou liderando a escalada, adicionando 22 mil cargos. Do lado oposto, o governo local de educação sofreu o maior impacto negativo do período, registrando perda de 50 mil empregos, acompanhado do varejo com perda de 19 mil.
E qual a leitura do mercado de trabalho após os dados dessa semana?
Fato é que o Payroll de julho, aliado a um fraco ADP, trouxe certa surpresa ao mercado, com impactos na interpretação do cenário econômico atual. As quatro principais são:
Favorece determinados ativos e moedas. A percepção de desaceleração marginal, mas não de recessão, aliada à mudança de orientação acerca dos juros, acaba estimulando o investimento em ativos de risco como ações e moedas emergentes.
A semana passada foi bastante relevante com a divulgação dos resultados de diversas empresas do S&P 500 divulgando. Até o momento, com base nos balanços enviados (441/498) os principais destaques são:
Até esta etapa o crescimento agregado dos lucros do S&P 500 vem superando em larga escala as estimativas de consenso para o trimestre, mesmo após ajustes para eventos não recorrentes que impactaram positivamente os resultados de algumas empresas (Amazon, Google e Microsoft). Ainda assim, excluindo esses ganhos extraordinários, o crescimento dos lucros por ação mostrou uma aceleração em relação ao primeiro trimestre e, até o momento, está no ritmo mais forte desde 2021. Só para exemplificar, o gráfico abaixo do Goldman Sachs apresenta o crescimento de lucros observado o último trimestre, bem como as expectativas do banco para os próximos períodos. No entanto, vale lembrar que os números de expectativas podem não se materializar e representam apenas as opiniões e estimativas da instituição.

Fonte: Negligible Capital no X, 03/ago/2026
Os resultados corporativos até aqui têm se mostrado superiores aos esperados pelo mercado e com um fator importante: o crescimento das margens de lucros das empresas. Sendo assim, percebemos que as empresas estão não só crescendo, mas também conseguindo aumentar a rentabilidade em suas operações. Obviamente, o destaque segue com o setor de tecnologia, que opera com margens mais elevadas. Inclusive, o gráfico abaixo do Deutsche Bank, mostra a evolução das margens de lucro operacional do S&P de forma agregada, e das empresas de tecnologia aliadas às “Mega Cap Growth” (MCG).

Fonte: US factory activity expanded at its strongest pace since 2022 – The Daily Shot, 04/ago/2026
Entretanto, ao mesmo tempo, surgem preocupações com o elevado Capex (investimentos de capital) das empresas de tecnologia, sobretudo devido aos aumentos de aportes já anunciados. Nesse sentido, dois pontos saltam os olhos, quando analisamos o gráfico abaixo referente a evolução desse Capex nos últimos anos segregado por companhia: (i) o forte crescimento já observado nos últimos anos; (ii) as estimativas de consenso que apontam para mais de US$ 1 trilhão em investimentos entre essas cinco empresas em 2027.

Fonte: P Equity Research no X – gráfico do Goldman Sachs, 04/ago/2026
A semana contou com diversos nomes tradicionais divulgando seus números e abaixo vamos trazer alguns dados que nos chamaram atenção nesses resultados. Mas aqui vamos.
Confira o resumo detalhado de cada um desses resultados em: Resultados Corporativos – Avenue Connection

Os dados mais fracos do mercado de trabalho tiveram impacto direto nos yields dos títulos de dívida americana, que cederam significativamente ao longo da última semana.
Em decorrência desse movimento, o índice dólar perdeu força globalmentee recuou contra o Real chegando a R$ 5,09.
Refletindo os resultados corporativos e a queda dos yields observadas ao longo da semana, a bolsa americana teve uma performance positiva. O índice S&P 500 atingiu novas máximas históricas de fechamento e durante o intraday. Até aqui, foram 25 dias de novas máximas históricas em 2026.

Fonte: The S&P 500 has reached its 25th record high of the year – The Daily Shot 05/08/2026
Interessante notar que, apesar do bom momento observado nessa semana, a história sugere que o período de agosto e setembro tende a ser menos favorável ao mercado acionário. O gráfico abaixo traz uma análise histórica (desde 1950) com a média de retornos do S&P 500 nos diferentes meses. Mas, como sempre, vale lembrar de que nada garante que será assim dessa vez.

Fonte: Ryan Detrick, CMT no X, 31/jul/2026
O ouro foi outro ativo que performou bem na semana. Em suma, a alta foi impulsionada principalmente por um ambiente de juros menos restritivo no curto prazo e pela busca por proteção. Apesar da alta semanal positiva, o metal precioso continua longe das máximas atingidas em janeiro de 2026 e opera em um contexto de volatilidade elevada. Por ora, parece ser um movimento de recuperação técnica.

Fonte: TradingView.com, 07/ago/2026
Esta semana (de 3 a 7 de agosto de 2026), a agenda é relevante, com foco em dados de atividade e emprego. Sendo os principais Esta semana (de 10 a 14 de agosto) a agenda será relevante e focada em dados de inflação, atividade e consumo nos EUA. Principais eventos para acompanhar por dia:
No cenário global, acompanharemos com atenção os dados de atividade e inflação na Europa, Ásia e China, além de possíveis desdobramentos geopolíticos, que podem influenciar commodities, moedas emergentes (como o real) e o apetite global por risco.
Por fim, no Brasil, aconselho acompanhar indicadores de inflação (IPCA) e comunicações do Banco Central.
Abaixo o calendário completo:

E o calendário corporativo:

William Castro Alves
@willcastroalves
Aquele abraço!
Estrategista-chefe da Avenue Securities
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