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Semana de Carnaval no Brasil e mais curta nos EUA, porém o mercado não para.

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

16 fev 2026

A semana que passou

Essa foi uma semana carregada de dados e indicadores econômicos, então vale a pena começarmos revisitando todas as informações para compreender a atual fotografia da economia americana.

As vendas no varejo e serviços de alimentação nos EUA ficaram estáveis em dezembro (+0,0% m/m), contudo bem abaixo da expectativa de +0,4%. Na comparação anual, os números subiram +2,4%, e o acumulado de 2025 fechou em +3,7%. O trimestre de festas (outubro a dezembro) cresceu +3,0% ano contra ano, mas o momentum perdeu força no final: o core retail sales (ex.: automóveis, gasolina, materiais e food services) caiu (-0,1%), registrando a primeira queda em três meses. Já o varejo online segue na liderança como grande vencedor do ano (+5,3% em 12 meses), enquanto setores mais discricionários (roupas, móveis e eletrônicos) registraram sofrimento maior.

O dado reforça que o consumidor americano tem moderado seu ritmo de consumo, revelando um comportamento bastante seletivo na hora de consumir. Encontramos redução no consumo de produtos discricionários (roupas, móveis, eletrônicos e veículos) e resiliência só em produtos essenciais e no consumo online. Tudo isso sinaliza um crescimento mais lento no 4T25 e entrada em 2026 com menos fôlego; sem colapso, mas afastado do otimismo anterior.

É interessante notar como a pandemia parece ter afetado significativamente a tendência de vendas no varejo americano, observadas desde 2010, conforme mostra o gráfico abaixo. As Com isso, existem algumas leituras, como por exemplo, a que ainda não voltamos à “normalidade” de outrora; ou mesmo, o fato que tivemos uma mudança estrutural em tal tendência. 

Fonte: The DailyShot, 11/fev/2026

Na quarta-feira (11), foi a vez do Payroll de janeiro. O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS) trouxe o relatório de empregos não agrícolas de janeiro de 2026, em que mostra um crescimento mais forte do que o projetado para o mercado de trabalho americano. Dados indicam que houve a criação de 130 mil vagas de emprego, superando significativamente a expectativa consensual do mercado de apenas 55 mil. Já a taxa de desemprego caiu para 4,3%, abaixo da previsão de permanecer em 4,4%. Além disso, uma medida mais ampla de subutilização da força de trabalho recuou para 8%, com ganhos salariais médios por hora de 0,4% no mês (acima da expectativa) e 3,7% anual. Esses números representaram o melhor mês, desde dezembro de 2024, aliviando preocupações após um 2025 de crescimento médio atenuado com aproximadamente 15 mil vagas/mês, após as revisões.

Além dos dados mensais, o Bureau of Labor Statistics (BLS), divulgou as revisões finais de benchmark para o período de abril de 2024 a março de 2025. As contagens iniciais de empregos foram corrigidas para baixo em um total de 898 mil vagas, considerando o ajuste sazonal. Essa revisão foi ligeiramente inferior à estimativa preliminar divulgada em setembro do ano anterior, em que apontava para um ajuste negativo de 911 mil vagas. Mesmo assim, o número final permaneceu alinhado com a expectativa da maioria dos analistas do mercado.

Fonte: Bloomberg, Elaboração Avenue, 11/fev/2026

De modo geral, o dado sugere uma estabilização do mercado de trabalho, ainda em ritmo de baixo crescimento, mas com sinais de recuperação inicial em 2026; após uma “recessão de contratações” em 2025. Apesar das revisões do dado ainda reforçarem o quadro de um mercado de trabalho mais fraco do que o levantado pelos relatórios iniciais ao longo de 2025, isso não surpreendeu o mercado.

Seguindo com as divulgações realizadas pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), na sexta-feira (13), tivemos acesso ao dado de inflação ao consumidor (CPI) americano. O índice registrou alta anualizada de 2,4% em janeiro, ficando abaixo das expectativas (2,5%), além de marcar o menor nível desde maio de 2025 (queda de 0,3 p.p. em relação aos 2,7% de dezembro). O núcleo do CPI (excluindo alimentos e energia) se manteve alinhado com o esperado, indicando elevação de 2,5% em 12 meses (contra 2,6% anterior) e 0,3% no mês, exatamente no consenso.

Fonte: CNBC.com 13/fev/2026

A boa notícia foi a desaceleração mais forte que o antecipado no dado cheio (headline) CPI, reforçando a visão que a inflação continua em trajetória descendente nesse período inicial de 2026, mesmo após pressões pontuais no final de 2025. O núcleo, embora estável no mês, também mostra sinais de moderação gradual, sem afetar os níveis que seguem acima da meta de 2% do Fed.

Reunindo os dados da semana, podemos dizer que não tivemos nenhum “sinal verde” definitivo para cortes mais agressivos de juros no curto prazo. Afinal, se por um lado o dado de inflação veio abaixo do esperado; do outro, a surpresa de um mercado de trabalho mais forte que o esperado, retira qualquer ímpeto de cortes no curto prazo. A partir disso, entendemos que o Fed deve manter a paciência, com o mercado precificando menor chance de corte já em março. De acordo com a ferramenta CME FedWatch (baseada em dados recentes), as probabilidades apontam para uma previsão do próximo corte só a partir de junho.

Resultados Corporativos

Até o momento, 59% das empresas do S&P 500 já divulgaram seus resultados do último trimestre de 2025. Então, baseado nos reportes temos:

Em suma, a temporada de resultados segue avançando bem, com as empresas entregando mais lucro e receita do que o mercado esperava, além de causar subida acentuada nas estimativas de crescimento durante as últimas semanas. Isso mostra que as companhias americanas continuam resilientes, mesmo com juros altos e certa incerteza econômica. Vale destacar, que esses números ainda podem sofrer leves mudanças ao longo das próximas semanas (encerramento de temporada previsto para final de fevereiro/início de março), mas o cenário atual é positivo. 

Acompanhe a cobertura completa dos resultados na página: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.

Impactos no mercado

Bolsa

A semana foi marcada por alta volatilidade, com forte pressão de venda em tecnologia e software durante a maior parte do período, seguida por tentativas de estabilização no final, mas sem uma recuperação robusta. Os principais índices encerraram a semana apresentando desempenho misto e predominantemente negativo, resultando em uma semana de perdas moderadas, contudo ainda resistindo melhor que os índices tech, em razão da sua composição mais cíclica e “old economy” (indústria, energia e consumo básico).

As discrepâncias setoriais chamaram atenção: tecnologia, software e serviços; enfrentaram vendas pesadas devido a crescentes preocupações em relação ao retorno dos investimentos massivos em IA e o risco de disrupção por ferramentas avançadas de IA. O termo “Software-mageddon” (ou “SaaSmagedom”) ganhou força entre traders para descrever o sell-off intenso no setor de software e serviços – que desde o final de janeiro e início de fevereiro, já perdeu cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado.O principal gatilho foi acionado após o lançamento de plugins setoriais para o Claude Cowork da Anthropic (ferramenta capaz de criar agentes de IA para tarefas em áreas como jurídico, finanças, vendas e marketing). As novas funcionalidades aumentaram o medo de que soluções tradicionais de SaaS (ex.: Salesforce, Workday, empresas de dados como FactSet, etc.) possam se tornar obsoletas ou menos necessárias; o que ampliou o pânico e resultou em quedas fortes em ações de software enterprise, wealth management e até setores adjacentes.

Emoções e o investimento. Saindo dos dados e da visão mais conjuntural da última semana, achei o gráfico abaixo muito interessante e resolvi trazer para vocês. Ele indica a percepção dos americanos em relação ao mercado de ações.

O gráfico mostra que os americanos estão bastante otimistas com a bolsa de valores: 50% dos americanos agora esperam que o mercado de ações suba nos próximos 6 meses; segundo uma pesquisa Gallup de janeiro — o segundo maior nível desde 2020. Esse percentual está acima da média histórica de longo prazo (~45%) observada entre 2006 e 2019. A título de comparação, os picos anteriores foram de 61% em janeiro de 2025 e 59% em dezembro de 2003. Ao mesmo tempo, apenas 25% dos entrevistados (segundo menor índice desde 2014) acreditam que o mercado vai cair.

Fonte: The Kobaissi Letter no X, 10/fev/2026

Interessante!

No entanto, ainda mais interessante é comparar esse dado com a percepção da economia, a qual tem mostrado quedas recentes A confiança do consumidor caiu consideravelmente, atingindo o menor nível em 12 anos, conforme revela o gráfico abaixo. As discrepâncias continuam, com 50% dos consumidores esperando que o desemprego aumente nos próximos meses — o maior percentual desde maio de 2009, superando inclusive os 49% registrados durante a pandemia de 2020.

Fonte: Markets&Mayhem no X, 05/fev/2026

Juros

O mercado de juros (Treasuries nos EUA) esta semana apresentou volatilidade moderada, com yields caindo de forma geral, especialmente após o CPI de janeiro inesperadamente mais fraco. A tendência reforçou apostas em cortes de juros pelo Fed em 2026, aliviando a pressão nos bonds e ajudando na estabilização, após a turbulência em ações.

Os yields ainda repercutem a nomeação de Kevin Warsh como próximo chairman do Fed (anunciada em janeiro e com audiências no Senado em andamento) gerando interpretações mistas no mercado — uma vez que é vista como hawkish em redução do balanço patrimonial do Fed (QT mais agressivo), mas dovish em cortes de taxa propriamente ditos.

Considerando o futuro e corroborando com o dado do Payroll, o índice de surpresa econômica do Citigroup (linha laranja), mostra que, de forma agregada, os dados da economia americana têm surpreendido mais pela ponta positiva; ou seja, a economia americana segue demonstrando resiliência. Se continuarmos nesse cenário, é razoável supor elevação dos yields dos títulos americanos de 10 anos, conforme evidenciado no gráfico abaixo.

Fonte The Daily Spark, 11/fev/2026

A semana que se inicia

A semana começa devagar, não por conta do carnaval no Brasil, mas sim, devido ao feriado de Presidents’ Day logo na segunda-feira (16/02) — isto é, com bolsas americanas fechadas, liquidez baixa e pouca movimentação. Agora, na sexta-feira (20), o combo de divulgação GDP + PCE + PMIs, tende a gerar impactos no mercado.  Esse dado de inflação é o preferido do Fed, e caso venha abaixo do esperado (como o CPI da última semana), aumenta a chance de corte de juros em 2026 e pode ajudar ativos de risco. As minutas do FOMC, com previsão de divulgação na quarta-feira (18), vão mostrar se o Fed continua cauteloso ou mais próximo do comportamento dovish.  Além disso, também é importante acompanhar o crescimento do GDP do 4T/2025, que deve mostrar desaceleração em relação ao 3T, embora ainda seja positivo. É provável que qualquer surpresa forte com tendência positiva ou negativa mexa com as expectativas do mercado.

Abaixo, temos a agenda de eventos econômicos da semana.

William Castro Alves

@willcastroalves

Aquele abraço!

Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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