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Eleições 2026 e investimentos: o que o mercado olha além da urna

25 set 2026

Resumo

Na primeira live da série sobre as eleições, o analista de geopolítica Alberto Pfeifer e a CIO da Avenue, Marcela Rocha, explicam por que “quem vai ganhar?” diz pouco sobre o seu patrimônio.

Em ano de eleição, uma pergunta aparece em quase toda conversa sobre dinheiro: se o candidato X ganhar, a bolsa sobe ou cai? A dúvida costuma vir acompanhada de dólar oscilando e muito palpite.

Foi para sair do palpite que a Avenue abriu, nesta quarta-feira (30/09), sua série de lives sobre as eleições brasileiras. Juliana Benvenuto, coordenadora de investimentos da Avenue, conduziu a conversa com Alberto Pfeifer, analista de geopolítica e diretor executivo do GSI-USP, e Marcela Rocha, CIO da Avenue com mais de 20 anos de mercado. A seguir, os principais pontos – e o que eles têm a ver com a sua carteira.

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Por que o mundo lá fora pesa tanto nesta eleição

Alberto abriu com uma constatação forte: poucas vezes o cenário internacional teve tanto peso numa corrida eleitoral brasileira, porque “o elemento externo é um fator que determina, junto com outros fatores domésticos, o encaminhamento do processo eleitoral, das preferências de voto e das posturas dos candidatos”. O tarifaço americano colocou o Brasil entre os países mais afetados, e o tema virou pauta de campanha. Mas o que decide o voto da maioria é o dia a dia: poder de compra e custo das dívidas, algo que conversa diretamente com o diferencial entre os juros brasileiros e os do Federal Reserve.

Alberto resume em três fatores externos: a relação tarifária com os EUA, o diferencial de juros Brasil x EUA e a forma como o mundo enxerga o risco de investir no país. Sobre China e EUA, ele descreve um mundo dividido entre as duas potências, com o Brasil tendo de equilibrar uma relação “bastante política” com os americanos e “bastante econômica” com os chineses – sem precisar escolher lado, já que “o Brasil relativamente ganha” num mundo mais fragmentado: está longe das zonas de conflito e exporta justamente o que ficou mais escasso, como alimentos e energia.

Alberto faz uma ressalva: num mundo mais arriscado, todos perdem um pouco, porque regras claras reduzem custos. No longo prazo, se a incerteza global frear investimentos industriais, a demanda por insumos como minério pode recuar – por isso ele insiste que o Brasil precisa “fazer a lição de casa”: reduzir o custo Brasil e os fatores internos de risco. 🔗 Geopolítica e eleições 2026: o que muda para seu patrimônio

Bolsa em alta, mas dependente de quê

Marcela ligou esse cenário à alta do Ibovespa em 2026: ausência de conflitos, estabilidade macro e posição neutra entre EUA e China atraíram o investidor estrangeiro, somados a um valuation atrativo. O alerta é que esse fluxo é volátil – no segundo trimestre, resultados fortes das techs americanas levaram parte do dinheiro de volta aos EUA. Por isso, segundo Marcela, “daqui para frente, o investidor vai olhar cada vez mais para os fatores locais para ter previsibilidade” – e o principal fator local tem nome: ajuste fiscal.

É aí que a eleição entra, mas de um jeito específico: ela pode esclarecer como esse ajuste será feito, não se ele é necessário. Marcela foi direta ao rejeitar o raciocínio de “se o candidato X ganhar, a bolsa sobe”: “esse tipo de simplificação é muito perigoso”, porque o mercado olha política econômica, equipe, reformas e propostas – não apenas o nome de quem vence.

A história ajuda a entender: já houve eleições cercadas de dúvidas em que um ciclo positivo de commodities levou a bolsa a um bom desempenho, e momentos em que crises globais, como 2008 ou a pandemia, falaram mais alto que qualquer programa interno. Alberto reforça a ideia de evitar o “binarismo simplista” e propõe olhar sempre três caixas: a condição interna, a posição do Brasil frente aos concorrentes e o cenário global.

Risco-país: o que a estabilidade institucional compra

Um ponto que Alberto trouxe e que costuma passar batido: a estabilidade das instituições reduz o impacto de eventos extraordinários sobre o risco-país – ou seja, sobre quanto o mercado considera arriscado investir no Brasil.

No plano interno, o que ajuda a reduzir esse risco-país é ter políticas públicas com credibilidade e uma boa relação entre Executivo e Legislativo, além de encarar de frente os desafios de incerteza regulatória e a vulnerabilidade trazida pelo crime organizado – um dos três temas urgentes que Alberto lista para quem assumir em 2027, ao lado da recuperação do poder de compra das famílias e da relação externa com EUA e China.

Isso ajuda a explicar por que o Brasil, mesmo com boas notícias externas (comércio, commodities), ainda carrega um prêmio de risco que oscila mais do que o de economias com fundamentos mais sólidos – e porque esse prêmio tende a reagir a ruídos políticos que nada têm a ver com o resultado da urna em si.

🔗 Dólar e eleições no Brasil

Nota de neutralidade institucional
A Avenue não emite opinião sobre candidatos ou resultados eleitorais. As informações deste artigo têm caráter exclusivamente informativo e educacional, sem qualquer recomendação de voto ou juízo de valor sobre candidaturas.

Não é só sobre o presidente

No dia 4 de outubro (com eventual segundo turno em 25/10), o eleitor escolhe também governadores, senadores e deputados. Para Alberto, olhar só para a disputa presidencial é enxergar metade do quadro: é o Congresso que decide boa parte do orçamento e fiscaliza as contas públicas, e o próximo presidente do Banco Central – embora a instituição seja autônoma – será indicado pelo eleito e sabatinado pelo Senado.

Sobre o que o mercado vai observar no novo governo, Marcela lista: a equipe econômica e as propostas, a capacidade de aprová-las no Congresso, se o ajuste fiscal é estrutural (e não só aumento de arrecadação) e a velocidade das reformas. No fundo, tudo volta à dívida pública, que segue alta e mantém juros e inflação pressionados: “sem endereçar a trajetória da dívida pública, a taxa de juros não cai de forma sustentável”, resume Marcela.

Alberto fecha o raciocínio com uma nota construtiva: se o próximo governo sinalizar uma trajetória controlável para os gastos, o Brasil tem boas condições de recuperação, com reservas elevadas e perfil exportador forte – “é uma questão de ter previsibilidade e responsabilidade nas contas, independentemente de ideologia”. 🔗 Planos de governo 2026: propostas dos candidatos que investidores devem conhecer · 🔗 Riscos em 2026 para investidores

O que 2002 ensina sobre o dólar em ano eleitoral

A equipe da Avenue analisou o câmbio nas últimas seis eleições. Só uma foge do padrão: em 2002, o real foi de R$ 2,29 a R$ 3,66 em seis meses (+59,6%), mesmo com o dólar global em queda de cerca de 8% – a desvalorização teve origem estritamente doméstica, numa época de poucas reservas e dívida externa elevada.

Nas eleições seguintes, com reservas maiores e mais estabilidade, o investidor pôde esperar pelas propostas concretas do governo eleito, e o câmbio passou a seguir muito mais o dólar global do que o calendário eleitoral local. Como lembra Alberto, hoje a memória de hiperinflação já se dissipou e a estabilidade da moeda é uma instituição consolidada no país. 🔗 Dólar e eleições no Brasil: o que a história mostra sobre o câmbio em anos eleitorais · 🔗 Diferenças entre eleições no Brasil e nos EUA

Diversificar não é especular

Marcela trouxe uma distinção útil: risco é o que dá para medir e atribuir probabilidade; incerteza envolve variáveis demais para calcular – “eleição é o reino da incerteza”. A resposta a isso não é tentar adivinhar o resultado, mas diluir riscos por meio da diversificação internacional, o que não é market timing nem aposta no câmbio – é decisão estratégica e permanente. Como lembrou Juliana, o Brasil representa menos de 1% do mercado global; concentrar tudo aqui é ficar exposto a um único risco.

Marcela fez ainda um alerta importante: comprar dólar “para esperar a eleição passar” é especulação cambial, não é ter patrimônio global. “O câmbio é apenas o meio de acesso a essas oportunidades, não o fim em si”, disse. Diversificar é expor o patrimônio a outros ciclos econômicos e a setores que não existem no Brasil, e o dólar segue como a principal moeda de referência do mundo, mesmo com as discussões sobre desdolarização puxadas por blocos como o BRICS. Para Alberto, internacionalizar é um processo contínuo, não uma reação ao calendário eleitoral. 🔗 Diversificação internacional: os quatro dados do Avenue Connection 2026 que mudam a régua do brasileiro · 🔗 Dolarização de patrimônio: o primeiro passo para uma alocação internacional com propósito

O que fica da conversa

Lá fora: tarifas e a disputa EUA-China colocam o Brasil em posição relativamente favorável frente a outros emergentes – desde que o país faça a própria lição de casa. Aqui dentro: o que pesa é a política econômica, a estabilidade institucional e o ajuste fiscal, muito mais do que o nome de quem vence. Na sua carteira: incerteza não se resolve com palpite.

O cenário político não está nas suas mãos. A composição do seu patrimônio, sim.

A série continua: a próxima live aprofunda o desafio fiscal brasileiro, e a última fala de alocação de portfólio. Acompanhe no canal da Avenue no YouTube e aqui no Connection. 🔗 Acompanhe a cotação do dólar hoje na Avenue

FAQ sobre eleições e investimentos

Quando acontecem as eleições de 2026?

Primeiro turno em 4 de outubro; segundo turno, onde houver, em 25 de outubro. Além de presidente, o eleitor escolhe governador, senadores, deputados federais e estaduais.

Se o candidato X ganhar, a bolsa sobe?

Não é possível responder de forma direta. Para Marcela Rocha, o mercado olha política econômica, equipe, reformas e propostas – não apenas o nome de quem vence.

Por que o cenário internacional pesa tanto nesta eleição?

Segundo Alberto Pfeifer, três fatores externos se somam: a relação tarifária com os EUA, o diferencial de juros Brasil x EUA e a forma como o mundo enxerga o risco de investir no país.

Por que o Congresso importa tanto quanto a Presidência?

Porque é ele que decide boa parte do orçamento, fiscaliza as contas públicas e aprova nomeações do Executivo. Olhar só para a disputa presidencial é enxergar metade do quadro.

O dólar sempre dispara em ano de eleição?

Não. Das últimas seis eleições, 2002 foi a exceção clara, com fatores domésticos específicos (poucas reservas, dívida externa alta). Nas demais, o câmbio seguiu muito mais o dólar global.

Comprar dólar antes da eleição é diversificar?

Não é a mesma coisa. Comprar dólar esperando o resultado é especulação cambial. Diversificar é expor o patrimônio a outros ciclos econômicos e setores que não existem no Brasil.

Disclaimers

O investimento internacional envolve riscos especiais, incluindo flutuações cambiais, diferentes padrões de contabilidade financeira e possível volatilidade política e econômica. Rentabilidade passada não é garantia de resultado futuro. Este material possui caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento.

A Avenue não emite opinião sobre candidatos, partidos ou resultados eleitorais.

Avenue Securities não é afiliada e não endossa as opiniões ou serviços de Alberto Pfeifer.

Oferta de serviços intermediada por Avenue Banco de Investimentos. Avenue Securities Banco de Investimento S.A. é um banco de investimentos, autorizado pelo BCB e pela CVM. Veja todos os avisos importantes: avenue.us/termos.

Redação Avenue

A Avenue é uma empresa americana que é referência para o brasileiro que busca uma evolução real do seu patrimônio, em dólar. A sua plataforma de investimentos internacionais.

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