Por Tomás Roque, Analista de Treinamento e Conteúdo Sênior da Avenue
24 set 2025
De acordo com a Securities Industry and Financial Markets Association (SIFMA), o mercado global de renda variável (ações) e renda fixa (títulos de renda fixa) gira em torno de US$ 145 trilhões e US$ 126 trilhões, respectivamente.
Esse é um valor praticamente inconcebível, mostrando como os mercados tradicionais são pujantes. Todavia, há um mercado que vem crescendo muito nos últimos anos, e que ainda não é tão conhecido, especialmente pelo brasileiro: os fundos alternativos.
A definição de um investimento alternativo é bem ampla. De acordo com a Apollo, um investimento alternativo seria tudo aquilo que não são ações ou títulos de renda fixa, como commodities, imobiliário, crédito privado, capital privado, infraestrutura, criptomoedas etc.
No artigo de hoje, entenderemos melhor as características desses investimentos alternativos, como eles vêm crescendo, e a relevância deles em um portfólio.
Dada a definição de investimento alternativo, um fundo alternativo seria um veículo de investimento que se expõe a ativos diferentes de ações e títulos de renda fixa, como os citados anteriormente. Eles também são conhecidos por serem mercados mais privados, com menor liquidez e com um acesso mais seletivo.
Historicamente, essa é uma classe de ativo mais acessada pelos investidores institucionais, como bancos, fundos de pensão, grandes wealth managements etc. Esse acesso mais restrito reforça um dos principais pontos citados acima, uma menor liquidez. Para exemplificar esse conceito da liquidez, vamos comparar a facilidade de vender 100 ações de uma das maiores empresas do mundo listada na bolsa com um quadro da obra O Descobrimento da America por Cristóvão Colombo, de Salvador Dali. Segue abaixo a pintura, que fica na Fundação Gala -Salvador Dali, em Figueiras, na Espanha.

Fonte: Singulart
A segunda com certeza será mais difícil de ser negociada, dada sua especificidade e exclusividade. Esse exemplo anedótico traz para o nosso dia a dia como o mercado de fundos alternativos são comparados com o mercado de fundos (e investimentos) tradicionais, historicamente mais difíceis de serem acessados, com menor liquidez e volumes de investimento inicial maiores.
O cenário de fundos alternativos tem crescido muito nos últimos anos. Como é possível ver no gráfico abaixo do J.P. Morgan Asset Management, o mercado saiu de US$ 1,3 trilhão em 2000 para quase US$ 20 trilhões no final de 2024.

Fonte: J.P. Morgan Asset Management
Esse aumento expressivo tem vários vetores: aumento do conhecimento sobre ativos alternativos para o público pessoa física, aumento da gama de estratégias ofertadas e diminuição dos mínimos para entrada nos fundos. Sobre esse último, era muito comum observar mínimos de US$ 200 mil, US$ 500 mil e até cifras superiores a US$ 1 milhão. Nos últimos anos, a queda nesse mínimo foi drástica, permitindo que muitos investidores acessem esse mercado.
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Abrir contaComo foi comentado anteriormente, existe uma grande quantidade de estratégias de fundos alternativos. Abaixo colocaremos as principais, e suas características.
Private Equity consiste no investimento em empresas de capital fechado, ou seja, que não são negociadas de forma pública em bolsas de valores. Nesses fundos, os investidores se tornam sócios diretos dessas empresas, geralmente com o objetivo de impulsionar seu crescimento, melhorar sua gestão ou até reestruturar operações.
Esta classe de ativos é conhecida por acessar mercados mais difíceis para o investidor pessoa física sozinho. Por conta dessa exclusividade, os investimentos costumam ter menor liquidez, prazos mais longos para resgate e materialização dos possíveis retornos. De acordo com a Apollo, o mercado de Private Equity dobrou entre 2003 e 2020, conforme imagem abaixo.

Fonte: Apollo
O Private Debt refere-se ao mercado de dívidas que não são negociados publicamente. Dentre os créditos negociados, estão os bonds, notes entre outros. Por exemplo, seria muito difícil uma pessoa física emprestar dinheiro diretamente para empresas de médio porte dos EUA. Por conta disso, existem fundos com essas e outras inúmeras estratégias.
Ou seja, esses fundos permitem que investidores financiem diretamente empresas sem o envolvimento de bancos tradicionais, oferecendo menor volatilidade que os mercados públicos. Mas assim como os fundos de Private Equity, a liquidez e janelas para resgate costumam ser menores e mais espaçadas, permitindo com que o gestor atue de uma forma mais deliberada, sem muitas pressões de resgates imediatos. O crescimento do mercado de crédito privado é ainda mais marcante que o de Private Equity, saindo de 4% para 18% entre 2000 e 2021.

Fonte: Apollo
Os investimentos em infraestrutura focam no financiamento de projetos e empresas do setor de concessões, incluindo rodovias, aeroportos, saneamento, energia e telecomunicações. Geralmente, por serem projetos com um prazo mais longo para serem concluídos, seguem a mesma situação das categorias anteriores, de possuírem menor liquidez.
Diferente dos REITs (Real Estate Investment Trusts), os investimentos imobiliários alternativos englobam desde propriedades físicas até fundos que investem no setor, incluindo edifícios comerciais, residenciais, logísticos e projetos de desenvolvimento urbano. Por atuarem no mercado privado, eles conseguem aumentar a granularidade dos fundos, acessando imóveis que não são facilmente investíveis através de REITs tradicionais.
Fundos de commodities são mais específicos: o foco deles, geralmente é replicar alguma commodities, como ouro, prata, petróleo, soja, minério de ferro, madeira, café etc. Muitos investidores buscam esse tipo de exposição para diversificar mais a carteira, uma vez que costumam ter uma correlação baixa com as outras classes de ativos. Em outras palavras, historicamente não andam na mesma direção e magnitude que ativos de renda fixa ou renda variável
Por fim, existem os Hedge Funds, que seriam fundos com estratégias próprias, que comumente usam derivativos, alavancagem, posições vendidas e estratégias mais complexas. O principal foco desse tipo de fundo é descorrelacionar com o mercado tradicional, buscando retornos absolutos, e não relativos a algum índice.
Nos EUA esse tipo de fundo é mais conhecido, geralmente com um mínimo de entrada maior, e uma menor liquidez, permitindo com que o gestor atue com mais liberdade, sem precisar fazer vendas e compras sem necessidade.
Historicamente nos EUA, uma estratégia muito disseminada é a chamada “60/40 portfolio”, que consiste em 60% em renda variável e 40% em renda fixa. Nos últimos anos, começou-se a adicionar também uma porcentagem de fundos alternativos dentro desse mix. E existe um motivo para isso acontecer: O perfil de risco/retorno melhorou com essa adição, conforme é possível ver no gráfico abaixo do J.P. Morgan Asset Management.

Fonte: J.P. Morgan Asset Management
Para deixar ainda mais claro: a adição de 20% de alternativos em um portfolio diminuiu a volatilidade anual da carteira, aumentando o retorno anualizado, pegando dados desde 1998 até o começo de 2025.
O mercado de alternativos deve continuar crescendo com o passar dos anos. Pelo menos essa é a expectativa da iCapital, que prevê um total de ativos alternativos sobre gestão (AUM) de US$ 29 trilhões até 2029, de acordo com o gráfico abaixo

Fonte: iCapital
Esse crescimento se deve por muitos motivos: acesso cada vez mais facilitado para o investidor de varejo, com mínimos de investimento menores, maior disseminação de conhecimento, aumento da gama de produtos, e tudo isso alinhado a estudos empíricos mostrando uma possível melhor relação de risco retorno no portfólio com a adição de investimentos alternativos.
Para tanto, o investidor precisa se atentar aos prazos de resgate, que dependendo do fundo e da estratégia tendem a ser maiores, assim como uma liquidez menor, dada a natureza desses ativos, que são primordialmente negociados em mercados privados.
A inclusão de uma classe de ativo nova requer bastante cautela e estudo, uma vez que nem para todos os perfis essa classe de fundos alternativos fará sentido. Como sempre, a análise de cada perfil de investidor, assim como seus objetivos, é crucial para uma carteira aderente à realidade do investidor.
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Tenha em mente que não há garantia de que qualquer estratégia será bem-sucedida ou lucrativa, nem protegerá contra uma perda.
Todo tipo de investimento, incluindo fundos, envolve risco. Risco refere-se à possibilidade de que você perderá dinheiro (tanto principal quanto qualquer ganho) ou não consiga ganhar dinheiro com um investimento. A mudança das condições do mercado pode criar flutuações no valor de um investimento em fundos. Além disso, existem taxas e despesas associadas ao investimento em fundos que geralmente não ocorrem na compra de ativos individuais diretamente.
Um investimento em fundos de crédito privado envolve um alto grau de risco e deve ser considerado especulativo. Você pode perder parte ou todo o seu investimento. Não há garantia de que o objetivo de investimento do Fundo será alcançado ou que o programa de investimento do Fundo será bem-sucedido.
As ações do Fundo não estão listadas em nenhuma bolsa de valores, e atualmente não existe qualquer mercado secundário para as ações do Fundo.
O Fundo é projetado para investidores de longo prazo e um investimento nas ações, ao contrário de um investimento em um fundo fechado tradicional listado, deve ser considerado ilíquido. Os investidores devem considerar seus objetivos de investimento, horizontes de tempo e tolerância ao risco antes de investir no Fundo.
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