23 jun 2026
O Mundial de Seleções começou no dia 11 de junho e, durante as próximas semanas, o mundo inteiro volta os olhos para o gramado. Junto à festa das torcidas, os dribles e os gols surgem os sinais de que o futebol é altamente lucrativo para os jogadores: patrocínios esportivos milionários, relógios de marca, roupas e malas de grife, construindo a imagem de uma vida em que dinheiro nunca é problema.
Mas essa fotografia engana. Os jogadores mais ricos do mundo, em especial os que estarão na maior competição de seleções, são uma exceção rara, não a regra. Para cada craque que fatura centenas de milhões de dólares, há milhares de atletas que mal superam o salário-mínimo. E, entre os que chegam ao topo, muitos terminam a carreira sem nada.
Nesse cenário, há um padrão que se repete: o jogador começa a ter uma renda alta muito cedo, mas essa renda não se sustenta ao longo do tempo. O auge dura pouco e, quando a bola para de rolar, a renda para junto. O que separa quem mantém o padrão de quem perde tudo quase nunca é o tamanho do salário, mas sim a decisão de transformar renda em patrimônio, investindo com visão de longo prazo e diversificando em diferentes moedas e mercados.
Comecemos pela renda, isto é, quanto os astros do futebol faturam por ano. A referência mais confiável é a lista anual da revista Forbes, que soma salários, bônus, direitos de imagem e patrocínios. Na edição 2025-26, o top 10 dos jogadores mais bem pagos do mundo ficou assim:
| # | Jogador | Clube | Ganhos no Ano (2025-2026) |
| 1 | Cristiano Ronaldo | Al-Nassr | US$ 280 milhões |
| 2 | Lionel Messi | Inter Miami | US$ 130 milhões |
| 3 | Karim Benzema | Al-Hilal | US$ 104 milhões |
| 4 | Kylian Mbappé | Real Madrid | US$ 95 milhões |
| 5 | Erling Haaland | Manchester City | US$ 80 milhões |
| 6 | Vini Jr. | Real Madrid | US$ 60 milhões |
| 7 | Mohamed Salah | Sem Clube | US$ 55 milhões |
| 8 | Sadio Mané | Al-Nassr | US$ 54 milhões |
| 9 | Jude Bellingham | Real Madrid | US$ 44 milhões |
| 10 | Lamine Yamal | Barcelona | US$ 43 milhões |
Vini Jr., sexto colocado, é o brasileiro mais bem posicionado. Já Neymar Jr., que por anos foi o brasileiro de maior renda, saiu do top 10 depois de deixar o futebol saudita. E esse é um detalhe que importa: ele mostra que salários altos são temporários.
E aqui entra uma distinção importante: renda não é a mesma coisa que fortuna. Ganhar muito em um ano não significa ter patrimônio. A grande diferença entre ambos é o que o atleta faz com esse dinheiro ao longo do tempo.
Quando se olha para o patrimônio de fato construído por meio do futebol, o nome que se isola na lista é Cristiano Ronaldo: a Bloomberg o apontou como o primeiro futebolista bilionário da história, com patrimônio líquido estimado em torno de US$ 1,4 bilhão, fruto de décadas de salários somadas a investimentos e negócios próprios.
Logo atrás do astro português na lista de maiores patrimônios provenientes do futebol está o craque argentino Lionel Messi. Sua fortuna de US$ 1,1 bilhão foi construída com longos acordos exclusivos de patrocínio, empreendimentos esportivos, além de investimentos nos setores hoteleiro e imobiliário.
A grande maioria dos jogadores de futebol está muito longe das manchetes e dos salários milionários. Um estudo da CBF, publicado em 2016, mostrou que, à época, 96% dos profissionais do esporte recebiam menos de R$ 5 mil.
Um levantamento mais recente, de 2026, realizado pela ANRESF em parceria com a CBF Academy traz um velho novo panorama. O estudo compilou dados de transações de jogadores entre times brasileiros na janela de transferências do início deste ano. Entre os mais de 7 mil contratos firmados por clubes brasileiros, destacam-se as seguintes remunerações:
Ou seja: um atleta de clube sem divisão ganha, em média, menos que o salário médio do brasileiro, que é de R$ 3.700, segundo o IBGE. O jogador com renda elevada existe, mas está na ponta dessa pirâmide. E mesmo entre os que alcançam o topo, há um problema que poucos enxergam a tempo.
A carreira de um jogador funciona como uma curva: a renda sobe rápido, atinge o pico cedo, em geral entre os 25 e os 32 anos, e depois despenca. A grande questão é que o padrão de vida criado no auge raramente muda junto com ela.
Ganhar muito não é o mesmo que construir patrimônio, e a diferença entre as duas situações cobra seu preço logo nos primeiros anos após a aposentadoria. O dado mais sólido sobre isso vem do Reino Unido.
Uma pesquisa da Professional Players Federation (PPF), conduzida com as associações de jogadores de futebol (PFA), rugby e críquete, ouviu 800 ex-atletas profissionais de 17 a 79 anos.
O resultado: pouco mais da metade (52%) relatou dificuldades financeiras nos cinco anos seguintes ao fim da carreira. E 90% precisaram voltar a trabalhar em tempo integral depois de pendurar as chuteiras.
Entre os ex-atletas ouvidos, 78% gostariam de ter buscado mais orientação financeira enquanto ainda jogavam. O arrependimento quase nunca é sobre quanto ganharam, mas sim sobre o que deixaram de planejar.
Os números reforçam por que a transição é tão dura: apenas 29% dos atletas escolheram o momento de parar. Para a maioria, o fim veio por lesão, desgaste ou falta de contrato. E só metade se sentia no controle da própria vida dois anos após a aposentadoria.
As causas se repetem com regularidade:
Há ainda um agravante para o jogador brasileiro que atua no exterior: a variação cambial. Receber em euro ou dólar e não estruturar essa renda em moeda forte pode significar perda de poder de compra ao longo do tempo, especialmente em remessas e conversões mal planejadas.
Manter o estilo de vida da elite do futebol custa muito mais do que a maioria imagina. Um estudo de 2025, realizado pela Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), calculou o número exato.
Para sustentar o padrão de consumo após a aposentadoria, um jogador da Série A precisaria acumular R$ 107,5 milhões ao longo da carreira. Esse montante geraria uma renda anual de R$ 4,3 milhões, o ganho médio atual da categoria, considerando uma taxa de retirada segura de 4% ao ano.
Para chegar lá até os 35 anos, segundo a simulação, seria necessário investir cerca de R$ 4,14 milhões por ano durante 15 temporadas, a uma rentabilidade real estimada de 7% ao ano, começando o planejamento aos 20.
O mais importante: a mesma lógica vale para quem não é craque. Segundo o estudo, mesmo atletas de clubes menores podem começar com aportes de 10% da renda mensal, ampliando o percentual conforme os ganhos crescem. A premissa é universal: começar cedo importa mais do que começar grande.
Há um padrão claro entre os atletas que mantêm o patrimônio: a maioria são investidores e empresários, não apenas jogadores. Eles transformaram renda em ativos que continuam trabalhando depois do apito final.
Cristiano Ronaldo é o exemplo mais conhecido. Além dos salários e patrocínios, ele direciona investimentos para imóveis e negócios em Portugal, tem a rede de hotéis Pestana CR7 e participações como o clube City of Padel, em Lisboa.
O ex-jogador David Beckham e a sua esposa Victoria Beckham possuem US$ 1,58 bilhão em patrimônio. Ambos alcançaram esse montante por meio de investimentos em diversas indústrias, como, por exemplo, a de esportes, alimentos e bebidas, imóveis e moda.
Andrés Iniesta investiu no setor de vinhos, e Mathieu Flamini, volante com passagem por Arsenal e Milan, surpreendeu ao cofundar uma empresa de biocombustíveis após se aposentar.
A diferença entre o jogador que prospera e o que quebra não está no tamanho do salário, mas sim em três decisões: investir em vez de só gastar, pensar no longo prazo em vez da próxima temporada, e diversificar em moedas e ativos internacionais, em vez de depender de uma só moeda. É o que transforma renda em patrimônio.
E essa lição não é só dos craques. O investidor brasileiro vive uma versão mais branda do mesmo dilema: renda concentrada em reais, exposta às oscilações de uma única economia e de uma única moeda. Ter parte estrutural do patrimônio em dólar e em ativos internacionais é uma forma reconhecida de reduzir essa concentração.
A questão central permanece a mesma do futebol: você está apenas ganhando dinheiro, ou está construindo patrimônio que vai durar muito além do seu auge de renda?
A resposta começa com uma decisão: parar de ter todo o patrimônio exposto à mesma moeda, à mesma economia, ao mesmo risco. Na Avenue, você acessa ações, ETFs, REITs e renda fixa em dólar para transformar essa lógica em prática.
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Considerando a fortuna construída a partir do futebol, Cristiano Ronaldo lidera: foi apontado pela Bloomberg como o primeiro futebolista bilionário da história, com patrimônio estimado em torno de US$ 1,4 bilhão. Listas que apontam Faiq Bolkiah (Brunei) como o mais rico podem ser verdadeiras, mas a cifra de US$ 20 bilhões é oriunda da família real, não diretamente do jogador.
Não. São uma minoria pequena. No Brasil, mais da metade dos jogadores profissionais recebe perto do salário mínimo, e em divisões inferiores o saláio médio anual pode ser inferior à renda médio do brasileiro.
Segundo pesquisa da Professional Players Federation com 800 ex-atletas, pouco mais da metade (52%) enfrentou dificuldades financeiras nos cinco anos após a aposentadoria, e 78% gostariam de ter buscado mais orientação financeira enquanto jogavam. As causas mais comuns são gastos impulsivos, ausência de planejamento, decisões mal assessoradas e concentração em negócios de alto risco.
Segundo a Planejar (2025), um jogador da Série A precisaria acumular cerca de R$ 107,5 milhões para manter o padrão de consumo após a aposentadoria, considerando uma retirada segura de 4% ao ano.
A maioria são investidores e empresários, com patrimônio diversificado e visão de longo prazo. Em vez de concentrar tudo em consumo, transformaram a renda da carreira em ativos que continuam gerando valor.
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