27 jul 2026
Por William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue
O retorno precoce do conflito no Oriente Médio, entre EUA/Israel e Irã, constata a existência de uma tensão intermitente, apesar de iniciativas de cessar-fogo, mesmo que frágil, e de um memorando de entendimento (MoU) assinado em junho de 2026.
Nos últimos dias (especialmente a partir do início de julho), a escalada retomou de forma intensa com trocas de ataques envolvendo o Estreito de Ormuz. De um lado, o Irã ameaçou ou atacou navios comerciais. Já do outro, os EUA realizaram noites consecutivas de ataques (na 12ª ou 13ª noite) com objetivo de degradar as capacidades iranianas de ameaçar o tráfego marítimo e manter a rota aberta. Houve também mísseis e drones iranianos atingindo bases ou alvos em países do Golfo (ex.: Kuwait, Bahrein e Jordânia) que hospedam forças americanas.
A turbulência geopolítica interrompeu parcialmente o fluxo de petróleo e elevou a volatilidade, porém sem chegar ao pico da guerra do início de 2026. Embora o presidente americano, Donald Trump, tenha sinalizado considerar um “ataque massivo”.
Impactos no mercado: o principal desdobramento do conflito continua sendo percebido no preço do petróleo, que voltou a subir. O gráfico abaixo mostra a variação do petróleo (WTI) que, após queda de cerca de 40% entre abril a junho, voltou a subir mais de 30% em julho. Evidentemente, isso trouxe um aumento das incertezas em relação à inflação e a vulnerabilidade da economia diante de um preço de petróleo mais elevado.

Fonte: Tradingview.com, 24/jul/2026
Sendo assim, ao passo que o preço do petróleo veio subindo ao longo da semana, os rendimentos dos títulos de dívida americana de vencimento mais curto acompanharam o crescimento, assim como podemos observar a partir do gráfico abaixo referente ao yield de 2 anos, com alta nos últimos 6 dias, algo pouco comum.

A semana passada foi morna em termos de divulgação de indicadores econômicos:
Pela ótica da atividade econômica nos EUA, apesar dos PMIs terem vindo mais fortes nessa última semana, o que temos visto é uma certa desaceleração na margem nos últimos 60 dias, embora esta se mantenha em um nível de expansão. O Weekly Economic Index abaixo mostra essa queda quando consideramos os recentes dados divulgados.

Fonte: The Daily Shot, 22/jul/2026
Seguindo essa mesma linha, o Leading Indicator do Conference Board, divulgado na semana anterior, corrobora isso, tendo arrefecido em junho por conta de: queda na confiança do consumidor e menores pedidos para construções imobiliárias. O Leading Economic Index (LEI) é um indicador que tenta prever o rumo da economia americana nos próximos 6 a 9 meses.

Fonte: Conference Board, 20/jul/2026

Conforme comentei anteriormente, os yields dos Treasuries americanos tiveram mais uma semana de alta, especialmente nos vértices mais curtos. Em suma, o receio com a inflação envolvendo a recente retomada na escalada dos preços do petróleo avança ditando o tom nos juros.
Seguindo parcialmente o movimento dos yields, o índice Dólar (DXY) apresentou leve valorização na semana. Já contra o Real, a moeda americana apresentou oscilações perto da faixa de R$ 5,08 a R$ 5,11.
Nos ativos de refúgio, o ouro apresentou volatilidade, chegando a testar patamares acima de US$ 4.100/oz em meio ao risco geopolítico, mas recuou para a região em torno de US$ 4.060 e US$4.070/oz, no final do período; enquanto a prata acompanhou com realização similar.
No mercado de criptoativos, vale destacar a recente virada no fluxo de capital do Bitcoin. Após semanas seguidas de resgates, os 13 ETFs (Exchange Traded Fund) à vista listados nos EUA voltaram a atrair investidores, registrando a segunda semana consecutiva de captações líquidas positivas. Ao todo, os fundos de índice somaram cerca de US$ 270 milhões em entradas nas duas semanas encerradas no dia 17 de julho, interrompendo um ciclo de saídas que durava quase dois meses, como ilustram o gráfico abaixo e a reportagem da Bloomberg.

Fonte: Bitcoin ETFs Draw Cash Again / Bloomberg.com, 20/jul/2026
Esta semana (de 27 de julho a 1º de agosto de 2026), teremos uma agenda mais quente do que a anterior, com destaque para a decisão do FOMC (Fed) e a divulgação do PIB americano do 2º trimestre. Confira a seguir a lista dos principais indicadores da semana:
No cenário internacional, podemos destacar as decisões de bancos centrais (Fed, BoE e BoJ na sexta) e dados de inflação e atividade na Europa, Japão e China, que podem influenciar commodities, moedas emergentes (como o real) e o apetite global por risco.
Acompanhe o calendário completo abaixo:

Em relação ao mercado de renda variável, a safra de balanços começou a ganhar tração e ditou o tom do mercado ao longo da semana. Novamente, o segmento de tecnologia foi destaque, agora, com a presença de: Alphabet, Tesla e Intel.
Abaixo, o calendário completo de resultados:

Começam os resultados das empresas de tecnologia.
Além dos dados econômicos, essa será uma semana muito importante devido a divulgação de resultados das grandes empresas de tecnologia. E conforme, comentamos duas semanas atrás, existem 5 coisas para observar na safra de balanços do segundo trimestre. Afinal, entendemos a relevância do tema para os mercados daqui para frente.
Ao analisar especificamente o setor de tecnologia, temos visto uma realização (quedas) de algumas ações de semicondutores precisamente. Inclusive, também discutimos sobre o tema no artigo da semana passada: Inflação recua nos EUA, mas cautela com IA e petróleo ditam o tom do mercado – Avenue Connection. Então, em meio a realizações depois de fortes altas, dúvidas quanto à possibilidade de bolha e dos investimentos em IA, começamos a receber os resultados corporativos de tecnologia. Para fornecer à você um quadro de expectativas, compilamos a seguir respostas para certas questões que podem surgir especificamente para o setor tech nessa safra de balanços.
Expectativas Gerais para os Resultados das Big Tech no 2º Trimestre de 2026:
Mais investimentos? Essa é uma tônica esperada para a divulgação dos balanços corporativos das principais empresas de tecnologia. As big techs devem manter um ritmo intenso de gastos com infraestrutura, com projeções de investimentos (capex) totalizando mais de US$ 700 bilhões em 2026, um aumento significativo frente às estimativas iniciais do ano, podendo chegar a quase US$ 1 trilhão em 2027.empresa, o índice que representa o S&P Banks Industry (em verde) e a comparação com o S&P 500 (linha preta) nos últimos 5 dias.
Crescimento de lucros? O consenso do mercado aponta para um crescimento de lucros em torno de 23% para as empresas do S&P 500 de forma agregada. Em geral, essa expansão de lucros é sustentada por dados que mostram uma economia resiliente, com a recuperação da publicidade digital. Por isso, existe uma forte expectativa de crescimento de lucros das empresas do setor de tecnologia (na casa dos 40%), sustentado principalmente pela demanda por inteligência artificial.

Fonte: The Daily Shot, 22/jul/2026
Foco nos resultados? O foco principal dos investidores tende a ser o avanço na monetização de serviços de nuvem e IA, assim como o comportamento das margens de lucro, que vêm sendo pressionadas pelos altos investimentos. O eixo central neste trimestre tende a se dar nos sinais concretos de retorno sobre esses investimentos em IA, sobretudo considerando que os elevados investimentos têm tornado negativo o fluxo de caixa livre das hyperscalers, vide gráfico que mostra essa estimativa feita pelo Bank of America Merrill Lynch.

Fonte: The Daily Shot, 22/jul/2026
E os riscos? Quando as expectativas são elevadas, mesmo números bons podem decepcionar o mercado. Além disso, a inflação nos custos de data centers (energia, memória e equipamentos), a possibilidade de desaceleração nos investimentos ou menor utilização da capacidade instalada, são outros fatores a serem observados.
Acompanhe a cobertura completa dos resultados na página: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.
William Castro Alves
@willcastroalves
Aquele abraço!
Estrategista-chefe da Avenue Securities
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