Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue
29 set 2025

Na semana passada, tivemos a atualização da pesquisa Flash PMI (Índice de Gestores de Compras) referente ao mês de setembro. O indicador mede as tendências da economia nos segmentos de serviços e indústria, capturando mensalmente a expansão ou contração desses setores com base em entrevistas realizadas com os gerentes de compras.
O resultado da pesquisa mostrou que a atividade econômica americana segue em expansão, mas a um ritmo mais lento e aquém do esperado pelo mercado. Embora o crescimento tenha se mantido tanto na manufatura quanto nos serviços, ambas as categorias apresentaram expansões mais fracas, levando a contratações mais lentas em ambos os casos – fator relevante considerando que, no momento, o foco do Banco Central americano tem se dirigido ao mercado de trabalho.
O S&P US PMI da indústria marcou 52,0, abaixo dos 52,2 esperados e inferior aos 53,0 registrados em agosto. Já o PMI de serviços ficou levemente abaixo do esperado, atingindo 53,9, contra uma projeção de 54 e os 54,5 observados no mês anterior.
De acordo com Chris Williamson, economista-chefe de Negócios da S&P Global Market Intelligence:
“O perfil do crescimento no mês de setembro denota uma desaceleração em relação ao seu pico recente em julho… observou-se ainda que em setembro as empresas também reduziram suas contratações”.

Fonte: PMI S&P Global, 23/set/2025
Apesar do viés mais fraco para setembro, ele ressaltou que:
“O crescimento da produção em setembro completa o melhor trimestre do ano para as empresas americanas até agora. Os dados da pesquisa do PMI são consistentes com a economia expandindo a uma taxa anualizada de 2,2% no terceiro trimestre”.

Fonte: PMI S&P Global, 23/set/2025
Ainda no contexto de monitoramento da atividade econômica americana, chamou a atenção o salto nas vendas de casas novas anunciado na quarta-feira (24). Em agosto, as vendas aumentaram 20,5% em relação a julho – um avanço muito acima do esperado, atingindo maior patamar desde janeiro de 2022. Aliás, esse também foi o maior ganho mensal desde agosto de 2022 (fonte). Na comparação anual, as vendas foram 15,4% superiores às de agosto de 2024.
Interessante notar que esse resultado robusto foi registrado antes das quedas recentes nas taxas de mortgage nos EUA. Para se ter uma ideia, a taxa de mortgage iniciou o mês de agosto em 6,63%, de acordo com o Mortgage News Daily, e permaneceu praticamente estável ao longo do mês. A verdadeira mudança aconteceu apenas em setembro, quando a taxa atingiu o menor patamar em três anos (6,13%), um dia antes de o Federal Reserve cortar a sua taxa de empréstimo. Na sequência, houve uma elevação para o nível atual, de 6,37%.
O PIB real dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 3,8% no segundo trimestre (abril a junho), superando a estimativa anterior de 3,3%, de acordo com a revisão do dado divulgada na semana passada. Esse ritmo representa a expansão mais acelerada em quase dois anos e sinaliza uma recuperação forte após a contração de 0,6% no primeiro trimestre. O principal motor desse crescimento foi o forte consumo das famílias, responsável por cerca de 70% da economia, somado à redução do déficit comercial. Outros componentes, como investimentos e gastos governamentais, também contribuíram positivamente.
Além disso, os indicadores divulgados nesta semana, incluindo o PMI, corroboram a tendência apresentada pela ferramenta do Fed de Atlanta, o GDPNow, de um nível de atividade forte para o terceiro trimestre de 2025. Em 26 de setembro, a estimativa do modelo para o crescimento real do PIB (taxa anual ajustada sazonalmente) chegou a 3,9%, acima dos 3,3% registrados em 17 de setembro.

Fonte: GDP Now Atlanta, 26/set/2025
Parte da explicação para esse nível de atividade também reside da força e no volume dos investimentos realizados em tecnologia. Para Parker Ross, Global Chief Economist na Arch Capital Group, está claro que a resiliência observada recentemente na economia é resultado do aumento dos investimentos empresariais em software e tecnologia. Esses aportes contribuíram, em média, com mais de 1% para o crescimento real do PIB no primeiro e segundo trimestres – conforme ilustra o gráfico abaixo.

Fonte: Parker Ross on X, 25/set/2025
E com isso, aquelas apostas de recessão na economia americana vão, mais uma vez, se dissipando. Em 2022, os receios estavam relacionados à elevação de juros; agora, em 2025, as preocupações giram em torno do risco das tarifas e de seus impactos… mas o mercado parece cada vez menos preocupado com isso.

Fonte: Daily Spark, 23/set/2025
O relatório divulgado na sexta-feira (26) pelo Departamento de Comércio mostrou que o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Federal Reserve, subiu 0,3% em agosto de 2025, resultando em uma taxa de inflação anual de 2,7%, em linha com o previsto. O PCE núcleo, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,2% no mês e 2,9% em relação ao ano anterior, também dentro do esperado. Já os gastos do consumidor aumentaram 0,6%, superando a expectativa de alta de 0,5%.

Fonte: Bloomberg (elaboração Avenue)
Em relação às tarifas, a divulgação dos dados do PMI trouxe novamente o tema à tona: elas voltaram a ser amplamente citadas como o principal motivo para o aumento dos custos. Por outro lado, a demanda mais fraca e a forte concorrência restringiram o espaço para reajustes nos preços de venda, que subiram no ritmo mais lento desde abril. No relatório do PCE, chamou a atenção o fato de as tarifas terem apresentado um efeito de repasse bastante limitado para os preços ao consumidor, sugerindo que as empresas têm absorvido parte desses custos, seja acumulando estoques pré-tarifários, seja adotando outras estratégias para amenizar o impacto.
Além disso, o gráfico abaixo compara o índice de preços medido pelo PMI com o CPI. É possível observar certa relação entre ambos, apontando que eventuais impactos inflacionários tendem a ser passageiros, uma vez que o dado mais recente já indica desaceleração.

Fonte: PMI S&P Global, 23/set/2025
Se por um lado o Flash PMI mostrou uma certa desaceleração na margem da atividade, a verdade é que os demais indicadores sugerem um ritmo de expansão ainda forte da economia americana. Apesar dos receios relacionados ao ambiente político, especialmente com as tarifas, o sentimento empresarial seguiu melhorando, em parte devido também ao impacto benéfico previsto de taxas de juros mais baixas. Os dados divulgados na semana reforçaram a visão de resiliência da atividade econômica nos EUA.
No que diz respeito à inflação e à evolução dos preços, embora o PCE registre níveis sensivelmente acima da meta do Fed, o Banco Central americano já vem relativizando o patamar da inflação como preditor para a política de juros. Assim, encerramos a semana com o cenário esperado pelo mercado de dois cortes para 2025.

Fonte: CME Fed Watch Tool, 26/set/2025

Na bolsa, a semana foi marcada por volatilidade, com os principais índices recuando após atingirem recordes recentemente, interrompendo assim uma sequência de três semanas de ganhos. O mercado reagiu a preocupações e revisou o cenário de cortes de juros, refletindo os dados da atividade econômica mais fortes do que os esperados e também as preocupações em relação às novas tarifas sobre farmacêuticos e caminhões grandes. Por outro lado, o dado de inflação PCE em linha com as expectativas ajudou a contrabalançar essa percepção.
Saindo um pouco do resumo semanal, o gráfico abaixo é bastante interessante por mostrar um breakdown setorial de performance desde que o S&P 500 atingiu sua máxima histórica, em junho. Ele evidencia quais setores conseguiram registrar desempenhos positivos desde então, deixando clara a discrepância entre segmentos de tecnologia e setores como saúde e consumo defensivo.

Fonte: Daily Chartbook on X, 24/set/2025
Agenda
Para esta semana, o foco retorna ao mercado de trabalho americano, com a divulgação de dados que podem influenciar os juros, o dólar e a bolsa:
Abaixo, segue a agenda completa de eventos econômicos para os próximos dias.

Para fechar, nesta semana ainda serão divulgados os seguintes resultados:

Lembrando que o acompanhamento completo dos resultados da temporada encontra-se disponível na página Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.
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Aquele abraço!
William Castro Alves
Estrategista-chefe da Avenue Securitiesurities
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