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Mudanças nos juros americanos e impactos nos mercados

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

22 set 2025

A SEMANA QUE PASSOU

Como já entrega o título, o grande destaque da última semana foi a decisão sobre os juros nos Estados Unidos. Mas, antes de mergulhar nesse tema, vale aquele olhar atento para outros dados importantes que ajudam a compor a fotografia completa da economia americana.

Na terça-feira passada (16), tivemos a divulgação das vendas no varejo nos EUA. Segundo o Departamento de Comércio, o crescimento foi acima do esperado pelo mercado em agosto: as vendas no varejo norte-americano subiram 0,6% no mês passado, repetindo o avanço revisado para cima de 0,6% em julho e superando a expectativa +0,2%.

Quando excluímos automóveis, gasolina, materiais de construção e serviços alimentícios — ou seja, olhando “o núcleo” das vendas no varejo — o aumento foi de 0,7% em agosto (versus a expectativa de 0,4%), também vindo de uma alta revisada de 0,5% em julho. No agregado do ano, as vendas totais nos primeiros oito meses do ano subiram 5,08%, enquanto o núcleo das vendas avançou 5,27%.

Fonte: CNN.com, 16/set/2025

Indo para a decisão de juros nos EUA

Após manter as taxas de juros inalteradas por cinco reuniões seguidas ao longo de nove meses, o Comitê de Política Monetária Americana (FOMC) anunciou um corte de 0,25 pp em sua taxa referência da economia (Fed Funds Rate). Com isso, a faixa passou para um intervalo entre 4,00% e 4,25%, exatamente como o mercado já previa.

Fonte: Bloomberg (elaboração Avenue Intelligence, 17/set/2025)

A novidade ficou por conta do tom mais dovish no comunicado. O Fed incluiu três frases que reforçam essa preocupação maior com a economia: “os riscos negativos para o emprego aumentaram”, “os ganhos de empregos desaceleraram” e “a taxa de desemprego aumentou ligeiramente”.  Isso é importante, pois sinaliza uma postura de continuidade nos cortes daqui para a frente – confira abaixo o comunicado com as alterações em comparação com o da última reunião, em julho.

Fonte: Zero Hedge on X, 17/set/2025

Outra novidade importante foi a mudança nas projeções econômicas do Comitê. Vimos o Fed projetar:

A tabela abaixo apresenta a atualização das projeções econômicas pelo FOMC.

Fonte: FederalReserve.gov, 17/set/2025

Em suma, seja pela decisão, pelo comunicado ou pela entrevista após o anúncio, ficou clara a preocupação dos dirigentes do Fed com o mercado de trabalho, fator determinante tanto para a decisão sobre juros quanto para as mudanças nas projeções daqui para a frente.

Falando sobre o mercado de trabalho, Jerome Powell comentou que a visão geral é de uma desaceleração, o que cria a necessidade de ação do pelo Fed. Ele concordou com a proposição de que o corte de juros agora foi uma espécie de “risk management cut”, ou seja, uma decisão preventiva para dar sustentação ao mercado de trabalho. Segundo ele, “embora a taxa de desemprego permaneça baixa, ela aumentou ligeiramente, os ganhos de empregos diminuíram e os riscos de queda no emprego aumentaram”.

No horizonte, as projeções do FOMC indicam, de maneira implícita, mais dois cortes de juros em 2025 e um em 2026, enquanto o foco permanece na análise e evolução do mercado de trabalho.

Nesse sentido, observando o mercado laboral americano, atualmente há 7,4 milhões de desempregados para 7,2 milhões de vagas de emprego – vide gráfico abaixo. Esta é a primeira vez, desde 2021, que o número de desempregados supera o de vagas de emprego.

Fonte: ApolloAcademy.com, The Daily Spark, 18/set/2025

Para não deixar nenhum detalhe passar, fizemos uma live comentando tudo sobre o assunto e seus desdobramentos para o mercado. Se você perdeu, pode assistir à gravação aqui: Resultados da Superquarta | Live Avenue Now.

IMPACTOS NO MERCADO

Com relação aos juros, vimos uma inversão do clássico “sobe no boato, cai no fato” — desta vez, presenciamos um verdadeiro “cai no boato, sobe no fato”. Após semanas de queda nos yields dos títulos americanos, num movimento iniciado desde o evento de Jackson Hole e reforçado pelo Payroll mais fraco, houve um ajuste: os yields voltaram a subir, mesmo após a decisão pelos cortes de juros e a perspectiva de novas reduções no futuro.

Fonte: Tradingview.com, 19/set/2025

No câmbio, o movimento foi semelhante, com o índice dólar encerrando a semana praticamente estável e o dólar frente ao real apresentando uma leve desvalorização.

Olhando para renda variável, qual é o impacto dos cortes de juros? De modo geral, existe uma relação conhecida entre juros e bolsa, na qual a queda da taxa básica tende a ser interpretada como positiva para o mercado de ações. Essa lógica pode ser relativizada ou questionada quando há sinais de fraqueza na atividade econômica que possam levar a uma recessão. No entanto, a análise da tabela abaixo mostra que, na maioria dos casos, o anúncio de cortes na taxa básica de juros americana se refletiu em um desempenho positivo para o S&P 500, mesmo quando o índice já estava próximo das máximas.

Fonte: Ryan Detrick on X, 14/set/2025

Ao traduzir esse conceito para um gráfico, chegamos à imagem abaixo. Nela, vemos que o S&P 500 apresentou correções aproximadamente de quatro a oito meses antes do fim das pausas de flexibilização (cortes de juros) – interessante notar como esse padrão histórico se assemelha ao que temos visto neste ano. Não obstante, após o recomeço dos cortes, o índice registrou, em média, um desempenho positivo ao longo dos 12 meses subsequentes, conforme ilustrado. Vale ressaltar que não há garantias de que esse comportamento se repetirá desta vez.

Fonte: Ed Clissold on X, 18/set/2025

Mas, além da boa performance dos principais índices, chamou a atenção o desempenho das small caps, que voltaram a atingir máximas históricas. O gráfico abaixo apresenta a evolução do índice de Small Caps Russell 2000 nos últimos 21 anos. Os pontos de máximas foram registrados em 2021, no final de 2024 e, novamente, agora em 2025. Após um recorde de 969 dias, o Russell voltou a alcançar um novo topo histórico.

Fonte: Alfonso de Pablos on X, 18/set/2025

Qual a justificativa? Embora o otimismo do mercado tenha contribuído, uma parte relevante da explicação está no perfil de dívida dessas empresas. O gráfico abaixo traz o breakdown do endividamento das companhias do Russell 2000. Por um lado, 54% da dívida dessas empresas está concentrada no longo prazo e atrelada a taxas de juros fixa, o que as protege de variações nas taxas. Por outro lado, 42% desse endividamento está vinculado a taxas flutuantes, seja de curto ou de longo prazo (LT Floating e ST Floating, conforme indicado no gráfico acima). Portanto, a redução dos juros tende a diminuir o encargo da dívida dessas empresas, incrementando seu fluxo de caixa no curto prazo.

Fonte: Mike Zaccardi on X, 18/set/2025

A SEMANA QUE SE INICIA…

Agenda

Teremos diversos dados importantes nos próximos dias, mas, obviamente, o foco recairá sobre os dados de inflação medidos pelo Conference Board, o PCE:

Abaixo, a agenda completa de eventos econômicos.

RESULTADOS CORPORATIVOS

Para esta semana, também serão divulgados os seguintes resultados:

Vale lembrar que o acompanhamento completo dos balanços já publicados pode ser conferido aqui: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.

Que tal continuarmos esse papo no Twitter e Instagram? Siga @willcastroalves e me diga o que achou do conteúdo da semana. Até lá!

Aquele abraço!

William Castro Alves

Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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