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Um olhar sobre o ouro e os impactos de um payroll fraco no mercado

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

08 set 2025

Na semana passada, realizamos a nossa tradicional live mensal para falar sobre o cenário macroeconômico e os seus impactos nos mercados globais. Se você não pôde assistir ao vivo ou quiser rever algum trecho, a gravação já está disponível e pode ser acessada pelo link abaixo.

Clique aqui para assistir à live.

A SEMANA QUE PASSOU

Entre os destaques recentes, tivemos atualizações importantes sobre o mercado de trabalho americano. Não preciso me estender explicando a importância desses dados, mas, de forma breve, a saúde do mercado laboral dos Estados Unidos impacta diretamente o nível de atividade do país e é fundamental para balizar as expectativas em relação aos juros, influenciando o mercado de ações e o dólar.

Com a introdução feita, na quinta-feira (4) saiu o Relatório Nacional de Emprego do setor privado, medido pela ADP. Mais uma vez, os dados vieram abaixo do esperado pelo mercado: foram criados 54 mil postos de trabalho no setor privado, bem menos do que os 73 mil projetados e do número anterior, revisado para 106 mil vagas criadas.

Por outro lado, o crescimento salarial manteve o seu ritmo em agosto. Trabalhadores que permaneceram em seus cargos tiveram um aumento de 4,4% em relação ao ano anterior, enquanto quem mudou de emprego registrou um aumento de 7,1% no mesmo período.

A economista-chefe da ADP, Nela Richardson, comentou os resultados: “o ano começou com forte crescimento de empregos, mas esse impulso foi afetado pela incerteza”. Segundo ela, preocupações crescentes dos consumidores, escassez de mão de obra e disrupções ligadas à inteligência artificial podem ser apontadas como possíveis catalisadores dessa perda de “momentum” no mercado de trabalho.

Na sexta-feira (5), o Bureau de Estatísticas do Trabalho dos EUA divulgou o relatório de empregos não-agrícolas (Payroll) referente a agosto de 2025, igualmente apresentando números abaixo dos esperados. Foram criados apenas 22 mil postos de trabalho não-agrícolas, bem menos do que os 75 mil previstos e em linha com os dados fracos observados nos últimos três meses. A taxa de desemprego ficou em 4,3%, enquanto o crescimento dos salários veio conforme as expectativas do mercado.

Esse relatório foi o primeiro divulgado após a demissão da ex-comissária do BLS, Erika McEntarfer, pelo presidente Donald Trump. A troca ocorreu depois que os dados mostraram não só uma criação de empregos aquém do esperado, mas também revisões expressivas para baixo nos meses anteriores.

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (elaboração Avenue)

Em suma, os resultados recentes consolidam a nova tendência observada nos últimos quatro meses: a criação de vagas nos Estados Unidos tem ficado consistentemente abaixo dos 100 mil postos mensais registrados anteriormente. O gráfico a seguir evidencia essa desaceleração na média das contratações do setor privado americano.

Fonte: Nick Timiraos on X, 05/set/2025

Os números sugerem um mercado de trabalho em arrefecimento, com crescimento mais lento do emprego, desemprego estável e aumentos salariais moderados. Esses dados reforçam as perspectivas já presentes no mercado de que deverá ocorrer um ajuste na política monetária na próxima reunião do Banco Central americano, agora em setembro. Acreditamos que, daqui para a frente, a discussão se concentrará na possibilidade de novos cortes nas reuniões de outubro e dezembro.

IMPACTOS NO MERCADO

Renda fixa

Os dados de emprego tiveram impacto imediato no mercado, provocando uma queda nos yields dos títulos de dívida americanos. O gráfico abaixo ilustra os efeitos recentes tanto dos comentários de Powell em Jackson Hole quanto dos relatórios divulgados na última semana, refletidos nas curvas de 10 anos (linha preta), 5 anos (linha verde), 2 anos (linha azul) e 1 ano (linha laranja).

Fonte: Tradingview.com, 05/set/2025

Dólar

Acompanhando a queda dos yields, o índice dólar também recuou.Como resultado, a moeda americana voltou a ser negociada próxima das mínimas do ano, em torno de R$ 5,40. O gráfico abaixo compara a performance do índice dólar e da cotação do dólar frente ao real ao longo do ano.

Fonte: Tradingview.com, 05/set/2025

Ouro


Por tabela, a combinação entre a queda dos yields e a recente fraqueza do dólar levou o ouro a renovar suas máximas históricas.

Fonte: Tradingview.com, 05/set/2025

No entanto, o movimento do ouro vai além da sua correlação com os juros. Parte da valorização também se deve ao aumento da demanda dos bancos centrais, que buscam diversificar suas reservas internacionais. O gráfico abaixo mostra como essas compras dos bancos centrais têm exercido um papel relevante na sustentação dos preços do ouro em 2024.

Fonte: The Daily Chartbook on X, 05/set/2025

Como consequência, o ouro vem ganhando peso na composição das reservas internacionais, atingindo atualmente cerca de 15% do total global. Embora seja difícil prever até onde esse movimento pode chegar, um olhar histórico revela que esse percentual ainda é relativamente baixoquando comparado às décadas de 80 e 90. Coincidencia ou não, aqueles anos foram marcados pela Guerra Fria e por um cenário geopolítico tenso, marcado por diversos conflitos armados pelo mundo… um ambiente que, em certa medida, se repete na atualidade.

Fonte: The Daily Chartbook on X, 05/set/2025

Renda variável

Neste segmento, gostaria de chamar a atenção para dois pontos importantes:

Fonte: Topdowncharts, 03/set/2025

Fonte: Mike Zaccardi on X, 04/set/2025

A SEMANA QUE SE INICIA…

Agenda

Nesta semana, o foco se desloca do mercado de trabalho para os indicadores de inflação que serão divulgados:

Confira abaixo a agenda completa de eventos econômicos.

RESULTADOS CORPORATIVOS

Esta será uma semana com poucos resultados sendo divulgados. Abaixo, a lista das principais empresas que reportam nos próximos dias:

Vale lembrar que você pode acompanhar a cobertura completa dos principais balanços já divulgados em: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.

Que tal continuarmos esse papo no Twitter e Instagram? Siga @willcastroalves e me diga o que achou do conteúdo da semana. Até lá!

Aquele abraço!

William Castro Alves

Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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