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Mercado de trabalho, tecnologia e projeções: resumo da semana em Wall Street

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

15 set 2025

A SEMANA QUE PASSOU

Mercado de trabalho

Começamos a semana levando um certo “susto”: a revisão anual dos números de empregos criados nos EUA entre 2024 e março de 2025. Os dados atualizados do Payroll apontaram uma redução de 911 mil postos de trabalho – em outras palavras, foram criados 911 mil empregos a menos do que havia sido informado inicialmente nos 12 meses encerrados em março de 2025. Na revisão de referência anterior, contemplando os 12 meses anteriores até março de 2024, o resultado inicial já indicava uma queda de 818 mil empregos, número que foi posteriormente revisado em fevereiro de 2025 para uma redução de 598 mil postos. Ainda assim, trata-se da maior retração desde 2009.

Fonte: www.bloomberg.com, by Wall St Engine on X, 09/set/2025

Vale lembrar que essas revisões não capturam o cenário presente, já que consideram informações de um ano e meio atrás. No entanto, é importante destacar que, nos últimos meses, o crescimento médio de postos de trabalho foi de apenas 29 mil por mês – um número considerado abaixo do ponto de equilíbrio necessário para manter a taxa de desemprego estável. Esse dado realmente preocupa, especialmente em meio aos questionamentos sobre a “saúde do mercado de trabalho”.

Mas por que, então, o impacto no mercado foi relativamente brando? Simples: já havia uma expectativa de queda nesses números, com as estimativas oscilando entre 600 mil e até um milhão de empregos a menos. Ou seja, não foi um dado totalmente inesperado.

Além disso, na quinta-feira (11), tivemos mais um indicador reforçando a percepção de fraqueza no mercado de trabalho. O Departamento do Trabalho relatou um aumento surpreendente nos pedidos semanais de seguro-desemprego, que chegaram a 263 mil na semana encerrada em 6 de setembro. Esse resultado ficou acima da estimativa de 235 mil e representa um acréscimo de 27 mil em relação ao período anterior, atingindo o maior patamar em quase quatro anos.

Em suma, os dados do mercado de trabalho seguem uma mesma direção: continuam alimentando preocupações sobre o setor e gerando dúvidas quanto ao ritmo da atividade econômica nos EUA.

Inflação

Mas o destaque da semana ficou por conta dos dados de inflação nos Estados Unidos.

Na quarta-feira (10), foi divulgado o Índice de Preços ao Produtor (PPI), indicador da inflação no atacado americano, que mostrou uma desaceleração significativa ante o mês anterior, fato que surpreendeu o mercado. Se em julho o PPI havia apresentado uma alta de 0,9% no mês (posteriormente revisada para 0,7%), desta vez foi registrada uma deflação (queda) de 0,1%, versus as estimativas de 0,3%. Excluindo os preços de alimentos e energia (os itens mais voláteis), o núcleo do PPI recuou 0,1% frente à previsão de 0,3%.

Abaixo, os gráficos do índice:

Fonte: Bloomberg (elaboração Avenue)

E na quinta-feira (11), foi a vez do CPI, a inflação ao consumidor americano. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos registrou um aumento de 0,4% em relação a julho, levemente acima das expectativas do mercado, que apontavam para +0,3%. Com esse resultado, a taxa anualizada ficou em 2,9% – em linha com as projeções, de acordo com dados do Bureau of Labor Statistics.

Já o CPI core (núcleo do índice), que desconsidera os preços mais voláteis de alimentos e energia, avançou 0,3% no mês, exatamente como esperado, levando a uma taxa anual de 3,1% – também em linha com as previsões dos analistas.

Fonte: Bloomberg (elaboração Avenue)

Agora, o grande “vilão” da inflação americana continua sendo os gastos com moradia, e não as tarifas (ainda que estas exerçam alguma influência). A lenta desaceleração dos preços de moradia tem contribuído para manter a inflação acima da meta, já que o setor representa mais de um terço do índice. O gráfico abaixo ilustra melhor essa dinâmica.

Fonte: ZeroHedge on X, 11/set/2025

O resultado do índice de inflação ao consumidor, que veio relativamente em linha com o esperado e sem maiores surpresas, reforçou o cenário já desenhado nas últimas semanas: a possibilidade de mudanças na política monetária pelo Fed, com cortes de juros amplamente previstos pelo mercado. Diante disso, observamos um aumento nas expectativas de três cortes de juros em 2025 – um na reunião de setembro, outro em outubro e mais um corte em dezembro, totalizando uma redução de 75 pontos-base. Assim, a taxa básica encerraria o ano na faixa de 3,50% a 3,75%. Importante destacar que esses números se tratam de expectativas do mercado. Nesta semana, teremos a reunião do FOMC (Comitê de Política Monetária dos Estados Unidos), quando será anunciada a nova decisão sobre a taxa de juros, além de possíveis atualizações nas projeções do próprio Fed.

IMPACTOS NO MERCADO

O principal impacto no mercado foi a consolidação do cenário de cortes de juros nas próximas reuniões do Banco Central americano. Entramos na semana decisiva, que terá o anúncio da nova decisão de política monetária, com o mercado já precificando três cortes de juros ainda em 2025 e outros três ao longo de 2026.

Fonte: CME Fed Watch Tool, 12/set/2025

Não obstante, vimos novas quedas nos yields dos títulos de dívida americanos. O gráfico abaixo mostra o movimento das curvas de 2, 5, 10 e 30 anos.

Fonte: tradingview.com, 12/set/2025

Abaixo, segue a tabela que resume os impactos no mercado ao longo da semana:

Na renda variável, registramos mais uma semana positiva, com os índices americanos atingindo novas máximas históricas. Até agora, já são 23 dias de recordes em 2025. A tabela abaixo, que não contabiliza o fechamento do dia 11 de setembro, apresenta o número de máximas históricas observadas em cada um dos anos recentes.

Fonte: Charlie Billelo on X, 09/set/2025

E, à medida que o mercado continua subindo, cresce entre os investidores a dúvida sobre até onde vai o fôlego dessa alta. O gráfico abaixo compara o atual bull market do S&P 500 com outros ciclos históricos de valorização. Atualmente, o índice acumula ganhos de aproximadamente 90% desde o início da tendência de alta, em 13 de outubro de 2022 — um período de 35 meses.

De acordo com o estudo, a duração média dos bull markets nos Estados Unidos foi de 30 meses, com um ganho médio também ao redor de 90%. Isso significa que, até o momento, o ciclo atual atingiu justamente a média histórica em termos de tempo e magnitude de valorização, quando comparado aos principais momentos de alta do mercado americano.

Fonte: The DailyChart on X, 10/set/2025

No entanto, discutir até onde a bolsa americana pode chegar envolve entender os motores que sustentam a alta atual. A imagem abaixo traz uma quebra interessante do vetor de valorização, separando o impacto do crescimento de lucros e da expansão de múltiplos — com essa análise detalhada também por setor.

Interessante notar que toda a alta do setor de tecnologia neste ano deriva essencialmente do crescimento de lucros. No agregado do S&P 500, até 09 de setembro, 6,6% da alta registrada no ano é atribuída ao crescimento de lucros, enquanto 3,4% resulta da expansão dos múltiplos (com a bolsa ficando, de fato, mais cara).

Fonte: The DailyChart on X, 09/set/2025

A SEMANA QUE SE INICIA…

Agenda: all about FOMC!

O grande foco da semana está na reunião do Comitê de Política Monetária, na terça-feira (16), com a decisão sobre a taxa de juros sendo divulgada na quarta-feira (17). Além do anúncio dos juros, o mercado estará atento à coletiva de imprensa após a decisão, à atualização das projeções econômicas do Banco Central americano e à divulgação do “gráfico de pontos”, com as decisões dos diretores do Fed acerca dos movimentos futuros dos juros nos EUA.

Entre os demais indicadores econômicos relevantes da semana, destacam-se:

Abaixo, segue a agenda completa de eventos econômicos dos próximos dias.

RESULTADOS CORPORATIVOS

Na semana passada, tivemos poucos resultados divulgados. No entanto, dois eventos corporativos chamaram a atenção:

Para os próximos dias, teremos a divulgação dos seguintes resultados:

Vale lembrar que fazemos um acompanhamento completo de diversos resultados que já saíram em nossa página: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.

Que tal continuarmos esse papo no Twitter e Instagram? Siga @willcastroalves e me diga o que achou do conteúdo da semana. Até lá!

Aquele abraço!

William Castro Alves

Estrategista-chefe da Avenue Securitiesrities

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William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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