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Máximas na bolsa americana e força do mercado de trabalho

12 maio 2026

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

Hoje, antes de começar a edição da Avenue Weekly, convido você a assistir nossa mais recente live exclusiva sobre o cenário mensal – nela aprofundo a discussão sobre diversos assuntos trazidos aqui semanalmente.

A SEMANA QUE PASSOU

Durante a última semana, os holofotes da geopolítica permaneceram voltados para o conflito no Oriente Médio – atualmente, o confronto armado ultrapassa dois meses desde a escalada dos ataques conjuntos dos EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro de 2026. Entre terça-feira (05) e sexta-feira (08), o foco principal foi o Estreito de Ormuz, com troca de fogo entre forças americanas e iranianas, outro teste ao frágil cessar-fogo em vigor desde abril. Logo, não houve avanço significativo rumo a um acordo definitivo de paz, o que explica a volatilidade recente no preço do petróleo.

CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

De um lado da guerra, o Irã acusou os EUA de violar o cessar-fogo, ao atacar um petroleiro iraniano e outras embarcações, respondendo na sequência com mísseis, drones e pequenos barcos contra três destroyers americanos, no Estreito de Ormuz (sem danos graves reportados aos navios dos EUA). Do outro lado, os EUA, sob o comando do presidente Trump, afirmaram que o cessar-fogo permanece em vigor, descrevendo os incidentes como “trifle” (pequena provocação) e respondendo com ataques pontuais a alvos militares iranianos na costa sul do país (Bandar Abbas e Qeshm). O chefe de Estado americano, pressionou por um acordo que inclua a reabertura plena do Estreito de Ormuz, sob ameaças de nova onda de bombardeios caso não haja progresso.

Resumidamente, o cenário é de fragilidade com a diplomacia avançando lentamente, mas devido aos incidentes no Estreito de Ormuz antigos temores relacionados à escalada reacenderam e justificam a alta no petróleo. O “playbook de guerra” continua ativo, com investidores e mercados monitorando atentamente qualquer sinal de ruptura do cessar-fogo ou avanço nas negociações.

Economia

Atividade econômica

O índice PMI de Serviços de abril, do ISM, mostrou um leve recuo, para 53,6 – em relação aos 54,0 em março – ficando praticamente em linha com os 53,7 projetados. O setor de serviços avançou em expansão pelo 22º mês consecutivo, embora em ritmo ligeiramente mais moderado. O relatório também demonstrou que indicador de Atividade subiu para 55,9, enquanto o de Novos Pedidos sofreu forte queda para 53,5. Já o Employment Index, que se relaciona ao mercado de trabalho, melhorou para 48,0 – apesar de permanecer em contração pelo segundo mês seguido. O destaque negativo foi o índice de preços, que ficou em torno de 70,7 (o maior valor desde 2022), refletindo a dura pressão sobre os custos com combustível, energia, frete e commodities, influenciada por tensões geopolíticas e tarifas. A tabela abaixo reúne dados sobre o desempenho dos índices que compõem o indicador.

Fonte: ISMworld.org , 07/mai/2026

Esse é mais um dado que reforça a resiliência do setor de serviços americano (responsável por 2/3 do PIB americano), porém com sinais de desaceleração em Pedidos e Emprego – ainda fraco – somados à inflação de preços persistente, gerando uma combinação de fatores que preocupa.

Mercado de trabalho. Na terça-feira (05), foi a vez de o relatório JOLTs do BLS mostrar um mercado de trabalho americano estável e resiliente. A pesquisa, identificou que as vagas de emprego (job openings) ficaram praticamente inalteradas em 6,9 milhões, apresentando leve queda de 56 mil, registrando ao todo 6,866 milhões. As contratações (hires) tiveram forte alta, subindo para 5,6 milhões (+655 mil), o maior patamar nos últimos meses, enquanto as separações totais permaneceram estáveis em 5,4 milhões. Já os registros de demissões voluntárias (Quits) ficaram em cerca de 3,2 milhões e demissões pelas empresas (layoffs) em 1,9 milhão, ambos com pouca variação.

No dia seguinte, na quarta-feira (06), a ADP, divulgou o seu relatório – National Employment Report de abril – que surpreendeu o mercado ao mostrar uma aceleração na criação de vagas no setor privado americano. De acordo com o reporte, foram adicionados 109 mil empregos, acima das expectativas de aproximadamente 90 mil, representando o maior ganho desde janeiro de 2025 (após revisão para 61 mil em março). O destaque veio de setores como Educação e Saúde (+61 mil) e Comércio/Transporte/Utilidades (+25 mil), ao passo que serviços profissionais registraram perdas.

Além disso, o crescimento salarial anual para quem permaneceu no emprego desacelerou levemente para 4,4%. Portanto, apesar do número positivo, o relatório reforça o cenário de “low-hire, low-fire” (pouca contratação e pouca demissão), com contratações concentradas em poucos setores.

Fonte: Oil prices fell below $100 on hopes of a US–Iran deal – The Daily Shot 07/05/2026

Para encerrar a semana comercial, na sexta-feira (08), tivemos acesso ao Payroll, emitido pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS). O relatório de empregos não agrícolas de março de 2026, revelou uma criação de vagas melhor do que o esperado, registrando 115 mil postos, e acima da previsão de consenso (65 mil). O dado anterior foi revisado para cima, sofrendo ajuste de 178 mil para 185 mil em março (um mês excepcionalmente forte). Para completar, a taxa de desemprego se manteve estável em 4,3%, indicando que o mercado de trabalho americano continua resiliente e desafiando expectativas de desaceleração mais acentuada ao longo do ano.

Por outro lado, o relatório trouxe ganhos salariais moderados: a remuneração horária média subiu 0,2% no mês e 3,6% na comparação anual, ambos abaixo das estimativas de 0,3% e 3,8%, respectivamente. Esses números sugerem um mercado de trabalho ainda sólido, porém com ritmo mais contido de contratações e pressão salarial controlada, o que pode influenciar nas futuras decisões sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed).

Tanto o mercado de trabalho quanto a economia americana têm demonstrado sinais de resiliência. O dado divulgado, na sexta-feira (08), corrobora com o número apresentado pela ADP no meio da semana passada e acompanha outros que destacam volatilidade no número de criação de postos de trabalho nos EUA. O ponto positivo é que parece que os temores de uma forte desaceleração no mercado de trabalho, assunto recorrente em 2025, parecem ter ficado em segundo plano. No entanto, chama atenção a destruição de empregos no segmento de Serviços de Informação. Segundo o BLS, esse segmento acumula uma redução de 342 mil empregos desde novembro de 2022, equivalente a uma queda de 11% no total de postos – o que pode ser creditado ao avanço da inteligência artificial no setor. Outro possível impacto do avanço da IA em alguns setores é o registro do menor crescimento salarial observado. Não há como comprovar isso, mas levanta a discussão em torno do assunto.

Dito tudo isso, entendemos que o dado de hoje reforça a adoção de uma postura cautelosa e na margem mais hawkish, já praticada pelo Fed. Logo, acreditamos que o cenário de manutenção de juros, já esperado pelo mercado para esse ano, não muda.

Fonte: Bloomberg. Elaboração Avenue. 08/mai/2026

RESULTADOS CORPORATIVOS DA SEMANA PASSADA

Números em destaque

Até a data da última atualização (08/04), aproximadamente 63% das empresas do S&P 500 já haviam divulgado seus balanços do 1º trimestre de 2026 (Q1 2026), com a temporada avançada (mais da metade concluída). De acordo com os relatórios enviados, extraímos os seguintes destaques:

Confira abaixo os 3 grandes destaques da última semana em resultados corporativos.

AMD (Advanced Micro Devices): a empresa reportou receita de US$ 10,25 bilhões (+38% Year-over-Year), acima das expectativas de cerca de US$ 9,89 bi, além de lucro por ação ajustado (non-GAAP) de US$ 1,37 acima do estimado (US$ 1,29). O grande impulso veio do segmento Data Center, que cresceu 57% atingindo a receita de US$ 5,8 bi, possivelmente impulsionado por forte demanda por processadores para IA. A companhia elevou o guidance para Q2 – indicando uma receita de aproximadamente US$ 11,2 bi, acima das estimativas – e destacou margens sólidas (55% non-GAAP). Os dados fizeram o mercado reagir positivamente, com uma forte subida das ações, refletindo o momentum da AMD no ciclo de IA; embora o foco continue na competição com a Nvidia.

Palantir (PLTR): a organização entregou em seu relatório a receita de US$ 1,63 bilhão (+85% YoY — o maior crescimento desde o IPO), superando estimativas em torno de US$ 1,54 bi, e com lucro por ação ajustado de US$ 0,33 (acima de US$ 0,28). Percebemos que o destaque foi o crescimento explosivo nos EUA (+104% YoY), com Comercial +133% e Governo +84%. A companhia elevou o guidance anual de receita para crescimento de aproximadamente 71%. Com isso, apesar dos números excepcionais e forte demanda por plataformas de IA, as ações caíram pós-earnings, devido a preocupação de investidores com valuation elevado (acima de 100x) e comentários sobre riscos de escalabilidade de modelos de IA.

Shopify (SHOP): a plataforma reportou receita entre US$ 3,17 e 3,20 bilhões (+34% YoY), acima do esperado, e com GMV (volume de mercadorias) recorde de US$ 101 bilhões (+35% YoY). O relatório mostra que o crescimento foi amplo, com força na América do Norte (melhor desempenho em 4 anos) e Europa. Lucro por ação ajustado ficou em torno de US$ 0,36 (acima das previsões). A companhia destacou momentum em ferramentas de IA e pagamentos, mas as ações recuaram após o resultado, possivelmente por guidance de crescimento de receita em alta (previsão média de 20% para Q2) que não superou as expectativas mais agressivas do mercado. Para concluir, esse foi descrito como um dos melhores trimestres da empresa em anos.

Acompanhe a cobertura completa dos resultados na página: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection

IMPACTOS NO MERCADO

Inegavelmente, seguimos vivendo aquilo que chamo, em lives e textos que escrevo, de “playbook de guerra” – um conjunto de ações tomadas a partir da influência de notícias do conflito no Oriente Médio – e que ditam o comportamento do mercado no curto prazo. Diante desse contexto, vamos aos destaques e desdobramentos que ocorreram nos mercados de ações, juros e commodities.

Na semana passada, o mercado de ações americano teve uma performance majoritariamente positiva e resiliente, impulsionada por números expressivos de balanços corporativos (especialmente de Big Tech e IA), mesmo com volatilidade geopolítica no Oriente Médio. Na bolsa de valores: o S&P 500 fechou próximo de máximas históricas, Nasdaq liderou as altas impulsionado por tech, enquanto o Dow Jones teve ganho mais modesto. Os segmentos de Tecnologia e Crescimento sustentaram o otimismo, com consolidação após recordes recentes.

Por consequência, esse impulso de poucas empresas tem feito com que as altas recentes apresentem maior concentração em poucos nomes, demonstrando ser uma característica dessa recuperação recente do mercado nas últimas semanas. Para exemplificar, o gráfico abaixo mostra que 47% das empresas do S&P 500 superam o índice em 2026, número baixo historicamente.

Fonte: Investing in the era of AI disruption | BlackRock

Além disso, muito concentrado na performance das ações do setor de semicondutores, como revela o gráfico abaixo ao mostrar como o setor tem ganho em termos de participação no índice ao longo dos anos.

Fonte: The Daily Shot, 07/mai/2026

No mercado de juros, a semana passada trouxe leve alta inicial nos yields dos títulos do Tesouro dos EUA, apesar de encerrar com estabilidade ou pequena queda. A começar pelos yields de 10 anos, que oscilou entre 4,36% e 4,44%, fechando próximo de 4,38% devido à leve alta semanal influenciada pelo petróleo e inflação, mas contida por earnings fortes e esperanças de desescalada do conflito entre Irã e EUA. Os yields de 2 anos também avançaram modestamente, refletindo expectativas de que o Fed mantenha vigilância sobre inflação via commodities, sem mudanças agressivas na política monetária.

Nos mercados de commodities, o petróleo foi o destaque com forte volatilidade e recuo geral após picos recentes. O WTI oscilou para baixo, de picos acima de US$ 109–116 para fechamentos em torno de US$ 95–102 por barril – essa queda semanal significativa ocorreu diante da possibilidade de trégua no Estreito de Ormuz. Já o Brent seguiu padrão similar, recuando de níveis acima de US$ 110–120.

Seguimos com o ouro mostrando certa estabilidade, com leve alta em trechos de incerteza; a prata apresentando ganho consistente, e o cobre se destacando positivamente por demanda estrutural e déficits de oferta.

Por último, vimos mais uma semana na qual o dólar perdeu força contra o Real, voltando a testar mínimas, inclusive abaixo de R$ 4,90. O movimento segue a tendência de valorização da moeda brasileira já observada desde o início de 2026. Nada de novo ocorreu que justifique tal movimento. Entretanto, comentamos de forma mais detalhada aqui nesse post: Dólar a R$ 5: e agora?. Acompanhe também nossas lives mensais pelo canal da Avenue no YouTube e fique por dentro de todos os assuntos relacionados ao mercado financeiro.

A SEMANA QUE SE INICIA

Uma nova semana inicia (de 11 a 15 de maio) indicando com firmeza que o dado mais esperado nos EUA é o CPI de abril, na terça-feira (12). O consenso do mercado para o relatório gira em torno de alta de 0,9% m/m no headline e +3,3% a/a, com o núcleo (core CPI) em torno de 0,2% m/m (excluindo alimentos e energia). Esse indicador é o principal driver de expectativas para a política do Fed e deve ditar a volatilidade dos mercados. Em resumo, teremos:

Outros destaques menores ficam para: vendas de casas existentes, na segunda-feira (11); sentimento do consumidor (Michigan), na sexta-feira (15).

A temporada de balanços do 1º trimestre de 2026 (Q1 2026) continua em ritmo acelerado, com centenas de empresas do S&P 500 e globais realizando a divulgação de seus números. Embora o pico das big techs – Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Apple – tenha ficado na virada de abril para maio, esta semana também promete trazer nomes importantes dos setores de tecnologia, energia, varejo, mineração e finanças.

Os destaques incluem: Cisco (CSCO), Applied Materials (AMAT), Alibaba (BABA), Petrobras (PBR), Constellation Energy (CEG), Barrick Gold (GOLD/B), Simon Property Group (SPG), Nu Holdings (NU), JD.com (JD) e outros. No somatório geral, espera-se mais de 800 relatórios ao longo da semana, cerca de: 198 (segunda-feira); 188 (terça-feira); 181 (quarta-feira); 226 (quinta-feira) e 79 (sexta-feira).

Confira abaixo o calendário completo de resultados corporativos da semana.

Acompanhe a cobertura completa dos resultados na página: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.

William Castro Alves

@willcastroalves

Aquele abraço!

Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGR Gestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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