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9 insights que marcaram o Avenue Connection 2026 

16 set 2026

Resumo

O Avenue Connection 2026 reuniu, nos dias 15 e 16 de setembro, mais de 2.500 pessoas no Golden Hall, em São Paulo, em torno de um único fio condutor: a Geração Global, a tese de que o brasileiro já vive, trabalha e investe sem se limitar às fronteiras do país, mesmo sem ter saído dele. Ao longo de dois dias, o palco reuniu economistas, gestores internacionais, executivos da Avenue e nomes como Roberto Lee, Marina Valentini (JPMorgan) e Marcelo Billi (Anbima), além de convidados que trouxeram essa lógica sob uma perspectiva pessoal, como Galvão Bueno, Amyr Klink e Cafu.

Dos números que redefinem o quanto internacionalizar o patrimônio às lições sobre carreira, geopolítica e comportamento do investidor, o evento deixou um retrato amplo de como pensar globalmente já deixou de ser exceção. Reunimos, a seguir, os nove insights que mais se destacaram nas palestras, com as principais aspas dos participantes e links para os artigos completos de cada painel.

1. O novo teto da proteção patrimonial: de 16% para até 80% 

O momento mais aguardado do evento foi a apresentação, em primeira mão, de um novo estudo do Centro de Estudos em Finanças da FGV (FGVcef). O trabalho, assinado por quatro professores da instituição, dá sequência a uma pesquisa de 2024 que havia estabelecido um piso de 16% a 18% de patrimônio no exterior como suficiente para neutralizar o efeito do câmbio sobre o consumo das famílias brasileiras.  

A pergunta de 2026 era mais ambiciosa: esse piso também protege o patrimônio como um todo? A resposta, segundo o professor William Eid Junior, é não. Usando dados como a alta volatilidade do CDI medido em dólar (8,84% ao ano, contra 7,35% do S&P 500 no mesmo critério) e a constatação de que 97,8% do núcleo patrimonial das famílias brasileiras está concentrado dentro do próprio país, o estudo propõe um método de alocação por fase de vida em que a fatia internacional pode variar de 65% a 80% para uma proteção patrimonial completa.  

Quer se aprofundar? Baixe o estudo aqui

É importante reforçar, como o próprio estudo destaca, que essa faixa é resultado de pesquisa acadêmica e não uma recomendação de alocação da Avenue.

"O disciplinado ganha, não tem como."

William Eid Junior

Professor da FGV

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2. A próxima inevitabilidade: bancarização internacional 

Na abertura do evento, o CEO e fundador da Avenue, Roberto Lee, usou o conceito de “convergências” da futurista Amy Webb para explicar como, em 2018, quatro forças (juros em queda, escassez de produtos de investimento no Brasil, conexão com marcas globais e empresas brasileiras abrindo capital fora do país) convergiram para tornar o investimento internacional do brasileiro inevitável.  

Oito anos depois, Lee argumenta que uma nova inevitabilidade está em curso: o uso natural de serviços bancários internacionais para além dos investimentos, puxado por seis forças que vão de educação e imóveis a pagamentos e sucessão.  

Como prova do tamanho do movimento, ele citou que o Brasil já é o 5º maior mercado do mundo em contratação remota internacional e que o brasileiro é hoje o 3º maior comprador de imóveis na Flórida. 

"Além de investimentos, as pessoas vão usar serviços bancários internacionais de uma forma intensa e natural, tanto quanto usam aqui no Brasil."

Roberto Lee

CEO e fundador da Avenue

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3. Geopolítica: o novo tabuleiro e o lugar do Brasil 

No painel “O Tabuleiro Global e a Urna Brasileira”, Alberto Pfeifer, especialista em geopolítica, e Marcela Rocha, CIO da Avenue Gestão de Recursos, discutiram como o mundo migrou de uma lógica de cooperação multilateral para uma disputa hegemônica entre Estados Unidos e China, com o Oriente Médio como ponto de tensão adicional sobre os estreitos de Hormuz e Bab – el – Mandab.  

Nesse cenário mais fragmentado, o Brasil surge com vantagens pouco comuns: é exportador líquido de petróleo, domina tecnologia agrícola tropical e tem grande disponibilidade de água.  

Já nas eleições de 2026, Pfeifer chamou atenção para um ponto pouco discutido: o resultado dependerá menos de quem vence a corrida presidencial e mais da composição do Congresso e dos governos estaduais, já que entre 20% e 25% da população brasileira convive hoje com territórios sob influência do crime organizado. 

"Hoje o mundo é um mundo calcado na visão unilateral de uma disputa hegemônica entre Estados Unidos e China, no qual a ordem multilateral perde eficácia."

Alberto Pfeifer

Especialista em estratégia internacional e geopolítica

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4. Millennials: o público que vai herdar US$ 100 trilhões 

Em painel com Marina Valentini, do JPMorgan Asset Management, os millennials (cerca de 70 milhões de pessoas, 34% da população brasileira) foram descritos como uma geração que vive um momento duplo: está no auge do crescimento salarial e vai protagonizar, até 2048, a maior transferência de patrimônio da história global, estimada em mais de US$ 100 trilhões.  

O dado mais relevante para quem trabalha com esse público: entre 80% e 90% dos herdeiros afluentes não pretendem manter o assessor dos pais, o que torna a construção de relacionamento com essa geração, hoje, uma questão de sobrevivência comercial. 

"A grande diferença em relação às gerações anteriores é que os millennials querem ser empoderados pelos assessores, sentindo – se os reais protagonistas das decisões de investimento."

Marina Valentini

Global Market Strategist do JPMorgan Asset Management

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5. IA nos investimentos: cinco camadas de oportunidade 

No painel “A Próxima Revolução Industrial”, Marina Valentini (JPMorgan) e Henry Conceição, CTO da Avenue, mostraram que a IA generativa teve a adoção mais rápida da história da tecnologia, atingindo 75% dos consumidores americanos em apenas três anos, contra 70 anos do vaso sanitário com descarga.  

Para orientar onde investir dentro dessa transformação, o painel apresentou um framework de cinco camadas: energia, semicondutores, infraestrutura de IA, hyperscalers e, por fim, modelos de linguagem e aplicativos.

"A gente vê que a composição das maiores empresas dentro dos Estados Unidos vai mudando a cada década (…) é importante se manter investido, mas com a gestão ativa."

Marina Valentini

Global Market Strategist do JPMorgan Asset Management

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6. Home bias: por que esperar o dólar ideal custa caro 

No painel “Protegendo o que você construiu”, Martin Iglesias, do Itaú, reforçou que a diversificação internacional é uma decisão sobre ativos, não sobre câmbio, e que o erro mais comum de planejamento é o descasamento entre ativos e passivos: viver com despesas em dólar e manter todo o patrimônio investido em reais.  

O painel destacou que mesmo consultores financeiros americanos recomendam de 30% a 40% de exposição internacional para investidores dos próprios Estados Unidos, o que evidencia como o home bias afeta até quem já vive no maior mercado do mundo. 

"Pensar em classes de ativos e dividir por regiões é mais importante do que acertar o momento de entrada."

Martin Iglesias

Responsável pela Recomendação de investimentos do Itaú Unibanco

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7. Planejamento patrimonial: o inventário da própria vida 

Segundo Bruno Mori, economista e planejador financeiro da Planejar, a maioria das famílias brasileiras não trava na sucessão por falta de holding ou estrutura societária, mas porque ninguém sabe onde estão os ativos.  

O painel propôs um exercício simples e acessível a qualquer patrimônio: mapear o que existe, onde está, em que moeda e quem mais tem acesso a essas informações. 

"A maioria das famílias não trava por falta de holding – trava porque ninguém encontra os ativos."

Bruno Mori

Economista e planejador financeiro da Planejar

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8. Raio X da Anbima: saber não é o mesmo que agir 

Com dados da pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro (Anbima/Datafolha), Marcelo Billi, da Anbima, mostrou que cerca de um terço dos brasileiros conseguiu poupar no último ano, mas apenas uma fração desse grupo avança para o investimento de fato.  

A barreira não é falta de informação – quase ninguém acredita que a poupança seja a melhor opção -, e sim a sensação de que tudo o que vem depois parece complicado demais.

"Internacional tem que fazer parte da educação financeira. Se o conhecimento não estiver em todos os lugares, inclusive no TikTok, no Twitter e no YouTube, a gente continua falando só com quem já sabe."

Marcelo Billi

Head de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima

🔗 Leia o artigo completo  

9. Vida sem fronteiras fora do mercado: Cafu, Galvão Bueno e a família Klink 

Nem todo insight do Avenue Connection 2026 veio de gráficos ou taxas de retorno. Três conversas no Palco Principal trouxeram a tese da Geração Global sob a ótica de trajetórias pessoais, mostrando que pensar sem fronteiras também é uma questão de mentalidade, disciplina e adaptação. 

Galvão Bueno, narrador esportivo com mais de 50 anos de carreira, dividiu histórias de Copas do Mundo e Grandes Prêmios de Fórmula 1 ao redor do mundo e contou como abriu sua própria vinícola fora do Brasil, resumindo o processo empreendedor em três fases: paixão, coragem e o que ele chama, bem-humorado, de “irresponsabilidade”.

"Ser um globetrotter, um cidadão que andou pelo mundo todo, me ensinou muito na vida."

Galvão Bueno

Narrador, apresentador e jornalista esportivo

🔗 Galvão Bueno: memórias e ensinamentos

Amyr e Marina Klink trouxeram a lógica de risco calculado sem alavancagem que guiou décadas de expedições marítimas da família, e a reflexão de que o maior capital a deixar de herança não é financeiro. 

"Talvez o capital mais importante a guardar não seja o sucesso profissional, mas a capacidade de inspirar os outros."

Amyr Klink

Navegador

🔗 Família Klink: lições de risco e planejamento

Cafu, capitão da seleção pentacampeã de 2002 e único jogador da história a disputar três finais de Copa do Mundo consecutivas (1994, 1998 e 2002), abriu sua palestra contando a própria trajetória: foi recusado nove vezes antes de se profissionalizar, incluindo quatro eliminações só nas peneiras do São Paulo, e chegou a treinar por mais de um ano na terceira divisão, em Itaquaquecetuba, acordando às 4h para pegar trem todos os dias. Segundo ele, a diferença entre desistir e continuar não estava no talento, mas na decisão de não deixar que ninguém definisse por ele o que queria ser. 

"Medo de perder tira a vontade de ganhar."

Cafu

Ex-jogador de futebol e capitão do Penta

🔗Leia o artigo aqui

FAQ sobre os insights do Avenue Connection 2026

Qual é o tema central do Avenue Connection 2026? 
A Geração Global – a tese de que brasileiros já vivem, trabalham e investem sem se limitar às fronteiras do país, mesmo sem ter saído dele. 

Qual é a faixa de internacionalização patrimonial recomendada pelo novo estudo da FGV? 
O estudo aponta uma faixa de 65% a 80%, variando por fase de vida, como referência de pesquisa acadêmica – não como recomendação de alocação da Avenue. 

Por que os millennials são tão relevantes para o mercado financeiro agora? 
Porque vivem o auge do crescimento salarial e vão herdar parte dos mais de US$ 100 trilhões que devem ser transferidos entre gerações globalmente até 2048. 

Diversificação internacional é decisão sobre câmbio? 
Não. Segundo os painéis do evento, é uma decisão sobre classes de ativos – comprar dólar é consequência da estratégia, não o objetivo principal. 

Onde posso acompanhar a cotação do dólar citada nos artigos? 
Em Dólar Hoje, sempre atualizado. 

Mais sobre o Avenue Connection 2026

🔗 Psicologia do investidor · 🔗 5 motivos para investir no exterior · 🔗 Renda fixa fora do Brasil · 🔗 Renda fixa América Latina · 🔗 Comprar imóvel nos EUA · 🔗 Krispy Kreme no Brasil · 🔗 Case Link · 🔗 Família Klink · 🔗 Galvão Bueno 🔗 Geração Global | 🔗 Tudo sobre o Avenue Connection 2026 

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Redação Avenue

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